Política

QUILOMBOLAS e pescadores pedem melhorias para Ilha de Maré na CMS

Moradores fizeram denúncias sobre a poluição da Baía de Todos os Santos
, da redação em Salvador | 06/06/2014 às 21:35
Além da audiência a comunidade fez ato público na rua
Foto: Antonio Queirós

Vazamentos de óleo e produtos petroquímicos, além da contaminação de mariscos e pessoas por chumbo, cádmio e mercúrio fizeram parte das denúncias feitas por moradores da Ilha de Maré, durante audiência pública realizada nesta sexta-feira, 6, pela Comissão de Reparação da Câmara de Salvador, no Edifício Bahia Center. Os representantes comunitários pediram ainda melhorias para a localidade, pertencente à capital baiana e localizada na parte central da Baía de Todos os Santos.

O debate foi dirigido pelo vereador Silvio Humberto (PSB), presidente do colegiado. “Estamos aqui para ouvir as reivindicações, atuando como ponte e concentrando esforços para que a prefeitura abra um canal de diálogo e atenda as demandas aqui apresentadas”, disse ele, dedicando maior parte do tempo do encontro para a comunidade quilombola de pescadores e marisqueiras de Ilha de Maré e regiões vizinhas expor suas demandas.

Vidas em perigo

Integrante do Movimento dos Pescadores e Pescadoras Artesanais do Brasil, Marizélia Lopes fez sérias denúncias sobre a poluição das águas marinhas de onde centenas de famílias retiram o sustento. Segundo ela, por conta de acidentes com vazamento de produtos químicos no Porto de Aratu e na Refinaria Landulpho Alves, “milhares de vidas correm perigo por conta da contaminação dos pescados”.

Depois de alertar para o despejo de substâncias poluidoras na baía ela sugeriu a realização de exames médicos nos habitantes da área para medir o nível de contaminação. “Moramos dentro de um polo químico”, comparou.

Os quilombolas apresentaram várias reivindicações em documento repassado a Silvio Humberto e Hilton Coelho (PSOL). Eles pedem escola de segundo grau, curso de capacitação, posto de saúde, creche, estrada interligando as comunidades, saneamento básico para evitar a saída de esgoto na e melhorias na iluminação.

Para Marizélia existe um “racismo institucional” contra as comunidades quilombolas. Ela encerrou a longa exposição chorando e frisando que “não estava pedindo nenhum favor, mas lutando para a garantia de direitos”.

Mais mobilizações

Suas palavras foram reforçadas por outros quilombolas, a exemplo de Elionice Sacramento, que defendeu um pacto de união para que as reivindicações sejam atendidas. Para Vilma Reis, a audiência pública não poderia ficar sem respostas dos governantes: “São 10 mil pessoas que não ficarão em silêncio”, frisou, apontando também para outras mobilizações em preparação.

Enquanto acontecia o debate público centrado em denúncias de poluição e demandas para Ilha de Maré, do lado de fora do anexo Bahia Center, na Rua Rui Barbosa, por conta da capacidade do auditório ter atingido o limite máximo, uma parte do grupo de pescadores quilombolas manteve a mobilização tocando sambas, canções de protesto e gritando palavras de ordem.

Participaram também da mesa de trabalho do encontro os representantes do governo estadual e prefeitura Eduardo Santana, Antônio Purificação, Gilberto Almeida, Joana D’arc, Rafael Cordeiro e Sônia Mota.