Política

AUDIÊNCIA pública discute situação dos lúpicos na Câmara de Salvador

Encontro foi realizado na manhã desta quinta-feira, 8
| 08/08/2013 às 18:11
O encontro reuniu expressiva quantidade de participantes
Foto: Antonio Queirós

Uma audiência pública discutiu nesta quinta-feira, 8, na Câmara de Salvador, as dificuldades dos portadores de lúpus na cidade. O evento aconteceu no auditório do Ed. Bahia Center, anexo da CMS, numa iniciativa da vereadora Aladilce Souza (PCdoB) e contou com a presença de vários especialistas da área.

Para a comunista é preciso criar um centro de referência para a patologia, sendo emergencial a criação de vagas específicas para lúpicos nos hospitais, o aumento do número de médicos no Sistema Único de Saúde e a capacitação dos profissionais.

Ela emocionou-se com os relatos de médicos e pacientes sobre as dificuldades da doença e destacou a importância de uma ação mais efetiva dos poderes públicos: “Os representantes dos poderes públicos precisam, antes, conhecer os problemas dos portadores de lúpus para depois tentar resolver. Falta de vontade política. E, por isso, realizamos esta audiência pública para estimular a elaboração de políticas públicas para os portadores da doença”.

O coordenador do Ambulatório de Lúpus da Escola Bahiana de Medicina e Saúde, Mittermayer Santiago, frisou “importância de desburocratizar o processo para entrega de medicamentos aos portadores da doença”. Segundo ele, é necessário mapear a quantidade de casos em Salvador para a elaboração de políticas públicas específicas.

Apoio necessário

A falta de conhecimento da população, dos representantes dos poderes públicos e até dos profissionais de saúde, de acordo com o relato dos pacientes, gera o preconceito.

A presidente da Associação dos Lúpicos Organizados da Bahia (Loba), Jacira Conceição, contou sua história de vida e expôs os problemas do mal: “Dizem que quem tem lúpus pode ter uma vida normal. Só para quem tem dinheiro. Quem não tem condições financeiras, sofre todos os tipos de dificuldade. Precisamos de leitos específicos para lúpus nos hospitais. Precisamos de passe livre nos ônibus porque boa parte dos doentes precisa ir sempre aos médicos e não tem condições de pagar as passagens. Vamos parar de ficar com a cuia na mão para ficar pedindo aqui e ali. Precisamos que os nossos direitos sejam preservados. Queremos ser respeitados”.

Representante da Área Técnica da Secretaria Municipal de Saúde, Izabela Salgado Fernandes reconheceu os problemas na assistência dos pacientes e alertou para a desinformação de grande parte dos profissionais de saúde: “Sou enfermeira e sei que quando aparece um portador de lúpus muitos profissionais de saúde se assustam, por desinformação. Precisamos fazer campanhas para que todos entendam o que é a doença e capacitar os profissionais de saúde para atender essas pessoas que, muitas vezes, não têm condições financeiras”.

Inflamação crônica

O lúpus eritematoso sistêmico (LES) é uma doença autoimune que pode afetar a pele, as articulações, os rins, o cérebro e outros órgãos. O sistema imunológico ataca tecidos saudáveis por engano, levando a inflamação crônica.

É muito mais comum em mulheres do que em homens. Pode ocorrer em qualquer idade, mas aparece mais frequentemente em pessoas entre 10 e 50 anos. Os afroamericanos e os asiáticos são afetados com mais frequência.