Caso de Lula com acusação de Marcos Valério ainda vai dar muito pano para manga
Tasso Franco , da redação em Salvador |
12/12/2012 às 13:36
Político próximo ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Gilberto Carvalho, rebateu nesta quarta-feira as acusações do empresário Marcos Valério Fernandes de Souza, condenado no processo do mensalão e apontado como o operador do esquema. Segundo o ministro, Valério "nunca" entrou no gabinete de Lula. Segundo depoimento ao Ministério Público, obtido pelo jornal O Estado de S. Paulo, Valério acusa Lula de ter dado aval ao esquema de pagamentos.
"Eu fui chefe de gabinete do presidente Lula durante oito anos. Eu sei quem entrou e deixou de entrar naquele gabinete. Esse senhor nunca pisou naquele gabinete. O presidente Lula nunca avistou esse senhor. Ele erra inclusive a geografia interna, que é um pequeno detalhe, os detalhes também contam", disse o ministro.
Nas palavras de Gilberto, as revelações são "falsas". "O que mais me impressiona neste momento é como uma pessoa que foi condenada a longos anos de prisão e foi condenada por ser o cérebro e, digamos assim, provocador, não apenas de um processo, mas de dois processos, como essa pessoa de repente e num gesto de desespero para tentar amainar sua pena é tomada de tamanha credibilidade", afirmou.
Mesmo sob ataque, Lula não deverá ter sua imagem manchada, na avaliação do ministro, pela "sabedoria do povo brasileiro em separar o joio do trigo".
"O povo brasileiro é testemunha do governo realizado pelo presidente Lula e da maneira como o presidente Lula de maneira alguma tolerou a corrupção no seu governo. Inúmeras vezes ele nos repetiu: 'a única hipótese de alguém não ser julgado, de alguém não ser investigado no meu governo é não cometer erros'", disse Gilberto Carvalho.
Investigação
O ministro não quis comentar se as acusações de Marcos Valério contra Lula, em depoimento ao Ministério Público, devem ou não ser fruto de um processo de investigação contra o ex-presidente. "Nós estamos tranquilos, se é para investigar ou se não é para investigar, não cabe ao governo, a um militante do partido como eu, ou a um ministro como eu. Isso (...) é o poder judiciário que vai decidir, não me compete pronunciar sobre isso".
Ontem, o presidente do Supremo Tribunal Federal e relator do processo do mensalão, ministro Joaquim Barbosa, disse achar que Lula devesse ser investigado. Gilberto preferiu não fazer comentários. "Eu não vou comentar, naturalmente, a posição do presidente Joaquim Barbosa, cabe a ele ser responsável por suas opiniões", limitou-se a dizer.