Política

EX-DEPUTADO FEDERAL JOSÉ PENEDO SEPULTADO NO MUNICÍPIO DE TUCANO

vide
| 28/02/2010 às 13:00

  Faleceu ontem (27), às 13 horas, de complicações cardíacas, no Instituto do Coração (INCOR) do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, José Penedo Cavalcanti de Albuquerque, 78 anos.

José Penedo foi deputado federal por quatro vezes e chegou a ser candidato a vice-governador em 1986 na chapa de Josaphat Marinho. Ele será enterrado neste domingo (28) no município de Tucano, onde nasceu. Deixa mulher, Maria Thereza Abreu Penedo, e filha, Júlia Abreu Penedo. O ex-deputado federal é tio do atual deputado estadual, Gildásio Penedo Filho (DEM) e do atual vice prefeito de Tucano, Gildásio Penedo.


Resumo Biográfico


JOSÉ PENEDO
Cavalcanti de Albuquerque - Nasceu no povoado do Pé de Serra (naquele tempo bem diferente), município de Tucano, onde viveu até completar 18 anos.
 
Naquela localidade, como menino pobre, trabalhou em todas as atividades ligadas ao campo: limpou terra com enxada, plantou e colheu milho e feijão, foi vaqueiro e chamador de bois, vigiou plantações, trabalhou em engenho para produzir mel e rapadura e caçou tatupebas durante longas noites, nas proximidades da hoje reserva ecológica Raso da Catarina.


Nas intensas chuvas de trovoadas, após longos períodos de seca, era comum morrerem no campo muitos animais, principalmente ovinos e caprinos. Segundo ele, o seu trabalho era sair à sua procura, para tirar-lhes o couro e posteriormente vender na feira de Tucano. Com isso conseguia um dinheirinho. Por algum tempo ele vendeu rapadura na feira de sábado em Euclides da Cunha, juntamente com o Fernando do Coité. Os dois saíam juntos com jumentos carregados, na sexta-feira, retornando no domingo. Na ida e na volta dormiam nos Pinhões, a 10 Km da cidade.


José Penedo fez tudo que as crianças da roça ainda hoje fazem. Ele relembrava sempre das fugidas apressadas para o mato, onde dormia debaixo de umbuzeiros, quando havia qualquer notícia dando conta de que Lampião estava chegando à região. Ele contava que o seu pai já havia se encontrado com ele uma vez e que tinha fundados receios para precauções. Nessas ocasiões ele contava que era sempre o seu Tio Antônio quem o carregava sobre os ombros.


Enfim, ele teve uma infância e adolescência bastante dura, com muito trabalho. Era o mais velho dos 11 irmãos sobreviventes do primeiro casamento de seu pai Antonio Penedo com sua mãe Mariana Penedo. Sua mãe teve 17 partos e morreu com apenas 40 anos de idade. Seu pai, numa segunda união matrimonial, teve mais 6 filhos.

Graças à perseverança de sua Mãe, ele fez todo o curso primário com a professora Dina (Irisaldina Farias dos Santos Prado), que veio de Feira de Santana, e como ele mesmo dizia, um exemplo de educadora, idealista e competente.


No governo João Durval Carneiro, José Penedo sugeriu que lhe conferissem a medalha Barão de Macaúbas, uma alta distinção, pelos grandes serviços prestados à educação do Estado. Foi concebida. Não foi fácil para ele concluir o curso primário. Tinha que conciliar a freqüência à escola com o trabalho fora dela. Ele contava que muitas vezes, já era costume, no pequeno quarto em que dormia com sua avó, Mãe Outra, na casa do seu velho bisavô Pedro, ele acordava de madrugada para, sob a luz de um pequeno candeeiro a querosene, estudar a lição obrigatória daquele dia. Sua mãe lutava muito para que ele não faltasse às aulas.


Entre os seus 16 e 17 anos tentou desenvolver um pequeno comércio de secos e molhados na sede do município, que resultou em insucesso. Quase ninguém pagava. Em seguida desenvolveu atividades ligadas ao negócio de compra e venda de ovos e galinhas, que levava todas as segundas-feiras, viajando na carroceria do caminhão, dirigido pelo motorista Pedrão, para Feira de Santana e, em seguida para Salvador, em Água de Meninos, onde chegou a ter barraca.

 Estudou no Instituto Valença, no campo da Pólvora, preparando-se para prestar concurso de Escriturário. Estudava principalmente português e contabilidade bancária. Feito o concurso, mudou de posição no Banco, indo trabalhar na carteira de depósito. Ali travou amizade com Carlos Ravazzano economista, e já alto e conceituado funcionário. Simultaneamente, passou a fazer parte da juventude do PRP, em sua sede no Campo Grande, onde se reunia semanalmente para debater problemas da realidade brasileira, com leituras e apresentação de trabalhos.


Paralelamente às atividades funcionais, fundou e foi presidente do PRP em Brasília, contando com a colaboração decisiva do senador gaúcho Guido Mondim, que muito contribuiu para identificar os correligionários residentes no DF.


Acompanhou bem de perto todo aquele momento histórico de grande turbulência política: o final do governo Juscelino, renúncia do Jânio e a posse tumultuada de João Goulart. Soube, em primeira mão, às 10h do dia 25.08.1961, dia do Soldado, que o Jânio Quadros estava renunciando naquele momento e embarcando para S.Paulo, acrescentando que ia, mas voltaria. Esta informação lhe foi dada pelo Saldanha, eletricista-chefe do Palácio da Alvorada, e membro do diretório do PRP. Esteve no aeroporto esperando a chegada do presidente João Goulart, no seu retorno da China, para assumir o governo. Antes, manifestou a muitas pessoas o seu desejo de ir ao Rio Grande do Sul juntar-se às forças da legalidade comandadas pelo governador Brizola. Ele havia votado no Marechal Lot para presidente e no Jango para vice. Nunca admirou, nem votou no Jânio. Sempre o considerou um farsante.


Estabelecida a nova ordem política, retornou ao Rio, por algum tempo, até a eclosão da Revolução de 1964, que acompanhou de perto, sobretudo na noite dramática de 31 de março a 1° de Abril. Sem nada mais a fazer no Rio de Janeiro, apressou-se em retornar a Salvador. Logo chegou e decidiu disputar a Presidência do Diretório do PRP, contando com as lideranças locais. Foi eleito com tranqüilidade.


Estabeleceu um plano de trabalho visando fortalecer o Partido em todo o Estado, contando com o apoio de todo o diretório. Nesse meio tempo, o comando da Revolução na Bahia, destituiu o Prefeito Virgildásio Senna e colocou em seu lugar, o Dr. Nelson de Oliveira, engenheiro e empresário. Foi lembrado pelo Dr. Joaquim Cavalcante Bandeira, para ser aproveitado na nova administração da Prefeitura. Aceito, foi nomeado para presidir a companhia de abastecimento do Salvador - COASAL.


Este foi um novo momento em sua vida, e decisivo! Na condição de Presidente do PRP, teve oportunidade de lembrar alguns nomes para compor a administração, que foram acolhidos.


Passado algum tempo, foi convidado para assumir a Secretaria de Administração e começou a ter uma atuação mais próxima do prefeito. Criou a Assessoria de Planejamento - ASPLAN, e foi seu secretário-executivo, convidando para compô-la técnicos altamente qualificados dos quadros municipais, entre eles o engenheiro Elmo Serejo, futuro governador de Brasília, e o também engenheiro Isaac Azevedo, que foi posteriormente Diretor do BNDES, bem como os Drs. Jaime Vilas-Boas e Joaquim Bandeira, expressões do meio empresarial.


Como passou a merecer total confiança do prefeito, pela sua lealdade e dedicação, passou a ter grande influência no governo municipal. Por iniciativa dos seus amigos de equipe, foi cogitada a sua transferência para a Secretaria de Viação e Obras Públicas, que foi aceito pelo Prefeito. Naquela Secretaria ele veio a ter maior viabilidade com um trabalho de maior repercussão em toda em toda cidade. Os seus adversários perceberam que aquela mudança significava o seu crescimento político, desencadeando uma violenta campanha contra ele, jamais vista. No momento em que assumiu a Secretaria, todos os engenheiros que exerciam cargos em comissão pediram demissão, e os jornais foram impiedosos. Apenas o jornal da Bahia não aderiu ao massacre.


Foi brindado com uma nota impiedosa, assinada e publicada pelo presidente do Sindicato dos Engenheiros a serviço de outros interesses, de natureza política. Ele contava que foram momentos muitos difíceis, felizmente superados pela paciência e apoio incondicional do Prefeito. Eram manobras políticas muito rasteiras. Diante da gravidade da situação, e sem ter para quem apelar, foi a Brasília e falou com Plínio Salgado, com quem possuía bastante intimidade. Este, falou com o General Mourão Filho, no Rio de Janeiro, e o mandou que fosse procurá-lo para expor os detalhes do que estava ocorrendo.


DEPUTADO FEDERAL

Retornando a Salvador, pediu audiência ao General Mendes Pereira e entregou a recomendação do General Mourão. Finalmente posta a situação diante da nova realidade, ficou decidido que ele seria candidato a deputado Federal e o Dr. Nelson concluiria a sua gestão. Foi eleito deputado federal, com expressiva votação, obtendo, somente em Salvador, mais de 10% do total de votantes da Capital, o suficiente para sair vitorioso. Foi eleito para 4 Legislaturas (16 anos): 1967/1971; 1791/1975; 1979/1983; 1983/1987, e ficou como suplente na legislatura 1991/1995, tendo assumido o mandato por um curto período.
 
Em 1962 ficou como suplente a Deputado Estadual. Chegando a Câmara procurou articular-se com outros jovens Deputados que estavam assumindo pela primeira vez o mandato no congresso: Aureliano Chaves, (depois governador de Minas e Vice-presidente da República), Raphael de Almeida Mag! alhães, José Carlos Guerra, Camilo Montenegro Duarte, Murilo Badaró, Hélio Garcia, (posteriormente também governador de Minas), Juvêncio Dias e muitos outros. Eram todos da ARENA, mas discordavam dos rumos dados à Revolução.

Eles queriam que se institucionalizasse, retomando a linha democrática a que desde o início se propusera. Eles eram considerados rebeldes e patrocinaram algumas derrotas ao governo. Contavam com o apoio do grande jurista e democrata, o veterano Deputado Djalma Marinho. Ficou deprimido pelo fato de muitos colegas terem sido eliminados e perseguidos. O clima era de extrema exacerbação e confronto, e o resultado foi a edição do AI 5 que mergulhou o País num tenebroso período de exceção.


Foi Durante 3 anos Delegado Federal do Ministério da Educação na Bahia quando foram acompanhados e implantados vários programas do MEC no Estado.

Ex-Conselheiro do SENAC e atual da Fundação Bahiana para o progresso da Ciência. Integrou o conselho da Fundação Zoobotânica do Distrito Federal. Na Câmara Federal integrou as Comissões de Economia, Polígono das Secas, Ciência e Tecnologia, Relações, Segurança Nacional, Serviço Público e Constituição e Justiça. Participou juntamente com o Senador Ney Braga e do Deputado Raphael de Almeida Magalhães, da Comissão que discutiu o II Plano Nacional de Desenvolvimento - PND, Governo Costa e Silva, na área de Educação, além de muitas outras ligadas ao mandato.


No colégio Eleitoral reunido em 15 de Janeiro de 1985, votou em Tancredo Neves, para Presidente da República, em oposição a Paulo Maluf. Participou de várias missões oficiais no exterior: Representante do Brasil no Simpósio sobre demografia, Nova Iorque, 1972. Representante do Brasil no Simpósio sobre Turismo, Holanda, 1974. Visita Oficial à Republica Popular da China, Tailândia, Coréia do Sul, Egito e Israel, 1980. Chefe da Delegação Brasileira ao Simpósio Interparlamentar Relativo às armas convencionais, sob patrocínio da ONU, na cidade do México, 1985. Visita de estudo à França, Espanha, Alemanha, Portugal, Itália, Canadá, Dinamarca, Noruega e Suécia. Outros cursos que realizou: Liderança Executiva, (3 meses) UFBA; Sobre Desenvolvimento Econômico e Social, (1 ano), Universidade Católica do Salvador, 1969; na ADESG - Associação dos Diplomados da Escola Super! ior de Guerra, Brasília, 1973. Foi condecorado com: 1. Ordem do Mérito Judiciário do Trabalho, pelo Tribunal Superior do Trabalho, no grau de Grande Oficial; 2 Medalhas do Sesquicentenário do Poder Legislativo; 3 Medalhas Comemorativas do Sesquicentenário da Independencia do Brasil. Agraciado com a mais importante Comenda do Estado de S. Paulo, mas não foi recebê-la. Achava que foi um gesto de puro proselitismo político do Governador Paulo Maluf. Queria ser presidente e o seu voto no colégio eleitoral.

Tem os seguintes trabalhos publicados (artigos e monografias):

1. A Nova Idéia Liberal;
2. Nordeste: Análise de Problemas;
3. Partidos Politicos;
4. O Voto Distrital;
5. Coletânea de Pronunciamentos e Projetos(CD), entre outros. Pertencia ao Instituto Geográfico e Histórico da Bahia e ao Rotary Clube.

Deixa espôsa, Maria Thereza Abreu Penedo e uma filha, Julia Abreu Penedo.


"Posso vangloriar-me que, não obstante ter ocupado todos esses mandatos e cargos, mesmo possuindo diferenças políticas e ideológicas, jamais alguém levantou, onde quer que fosse, qualquer suspeita ou acusação sobre a minha conduta e honorabilidade pessoal. Valeu a pena!" (COM INFORMAÇÕES BLOG DO QUINTINO)