Desde dezembro de 2008, o Tribunal de Contas da União (TCU) cobra respostas para os indícios do superfaturamento que pode já ter ocasionado prejuízo de R$110 milhões (a preços atuais) aos cofres públicos. "A má gestão da obra do metrô continua a penalizar a população de Salvador que sofre com o deficiente transporte urbano e ainda vai pagar essa conta de R$3,3 milhões", assinalou.
A vereadora citou várias falhas do projeto original, como a falta do pátio de manobras dos vagões, somente agora previsto. "A gestão anterior (de 2000 a 2004) tem responsabilidade nessa obra, iniciada há exatos dez anos", citou. "Mas a atual administração já responde por cinco anos de lentidão, ou seja, a metade desse período. A responsabilidade, portanto, é de ambas as administrações".
Em 2009, por duas vezes, o governo municipal pediu prorrogação do prazo para atender ao pedido de esclarecimentos feito pelo TCU. A vereadora considera inadmissível que somente agora, em 2010, a Prefeitura tenha encomendado o estudo ao Exército, que levará seis meses para fazer o levantamento. "A lentidão não se atém apenas ao andamento das obras físicas. Também o processo de decisão da Prefeitura é lento. E tudo isso configura má gestão", observou Andrea Mendonça.
A construção do metrô de Salvador é executada pelo consórcio Metrosal, que reúne Andrade Gutierrez, Camargo Correa e Siemens. Na opinião da vereadora, o assunto é preocupante. "O dinheiro já foi investido, a extensão foi reduzida à metade (o que gerou a denominação metrô calça-curta), a obra é interminável e a população sofre com os problemas do transporte", argumentou.
Ao concluir, Andrea Mendonça destacou que a falta de mobilidade urbana hoje vivida pela população de Salvador pode, ainda, comprometer a manutenção da cidade como sub-sede da Copa de 2014.