Salvador para quem?
Na última quinta-feira (28/01/2010), o Prefeito de Salvador tornou público o projeto "Salvador Capital Mundial". Com muita pompa, numa cerimônia para convidados, exibiu um vídeo sobre as ações deste mega-projeto e abriu a exposição dos vinte painéis que mostram as obras que serão feitas na cidade.
A frase do Prefeito João Henrique: "Salvador inteira está aqui", revela o que é representatividade social para o administrador de nossa cidade. A platéia composta de empresários, de políticos e de membros da elite baiana, representava a minoria da população que deve interessar ao governo municipal, ou seja, a audiência representava exatamente os grupos que serão beneficiados com essa tão propalada "Capital Mundial".
Sem propor nenhuma solução para as áreas socialmente críticas da cidade, o projeto resume seus eixos ‘estruturantes' na ampliação e criação de vias automotivas e na instalação de teleféricos para os turistas.
Reconhecemos a importância de intervenções em nossa cidade, desde que devidamente divulgadas, debatidas e avaliadas por representantes dos diversos segmentos que compõem a sociedade e pelo outro poder da cidade, afinal o executivo municipal divulgou o projeto sem consultar sequer a Câmara Municipal de Salvador.
Por outro lado, considerar essas intervenções como eixos "estruturantes", significa imputar uma importância indevida aos mega-projetos de infra-estrutura que beneficiam uma parte privilegiada da cidade, em detrimento das áreas urbanas degradadas e empobrecida das periferias de Salvador.
Programas de habitação e de urbanização deveriam ser prioridades para qualquer planejamento, em longo prazo, de um governo municipal que administra os recursos públicos para a maioria da população. E a maioria do povo de nossa cidade vive em péssimas condições de moradia e em aglomerados urbanos sem saneamento, pavimentação ou iluminação adequada.
Vereadora Vânia Galvão (PT)
2ª Secretária da Câmara Municipal de Salvador