Política

MINISTRO PATRUS ANANIAS DEFENDE COMBATE MAIS EFETIVO À FOME NO MUNDO

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| 31/01/2010 às 11:04
Governador Wagner durante abertura do Fórum Social Mundial
Foto: Manu Dias

 O início das atividades ligadas ao Fórum Mundial Social Temático - Bahia (FSMT-BA) foi marcado, no sábado (30), pela participação do ministro de Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Patrus Ananias, ao lado do governador Jaques Wagner. Durante o debate regido pelo tema "Diálogos e Controvérsias", realizado no Pestana Bahia Hotel, Ananias defendeu um maior esforço dos governos e da sociedade no combate à fome no mundo. "Estamos aqui para discutir nossos avanços no combate à fome e às desigualdades sociais de forma democrática e efetiva. Nesse sentido, este evento certamente ficará como marco nas lutas sociais do povo brasileiro", enfatizou.


O ministro destacou o que, para ele, trata-se do desafio global da atualidade: a conciliação entre o crescimento social e a preservação ambiental. Diante disso, o Fórum possibilitará, segundo Ananias, contribuições coletivas para a resolução deste embate mundial. "Temos um bilhão de seres humanos, hoje, à margem do processo civilizatório. Portanto, temos de encontrar soluções viáveis para incluí-los, respeitando a urgência do meio ambiente", explicou.


Governo fortalece diálogo
com os movimentos sociais


Cerca de 1.100 pessoas participaram deste debate no Hotel Pestana, que buscou, a partir do diálogo, o consenso entre ideias e posições manifestadas por representantes de movimentos sociais e de governos progressistas. Este consenso, aliás, é visto como o principal diferencial da inédita versão baiana do FMS. Nesse sentido, Wagner foi enfático. "Não somos construtores de adversários, mas sim, de um planeta sustentável e democrático. Apoiamos este evento para sustentar o diálogo em debates abertos e não em substituição aos movimentos sociais", enfatizou o governador.


Em sintonia com o discurso de Wagner, o secretario especial para Assuntos Estratégicos da Presidência da República, Samuel Pinheiro, destacou a importância dos movimentos sociais na luta permanente travada entre as forças tradicionais e populares. Prova disso, de acordo com Pinheiro, são as mudanças que estão ocorrendo no cenário global, como a substituição do G-8 pelo G-20 e a ampliação da participação de países nas discussões sobre as mudanças climáticas. "A luta contra a opressão é uma luta histórica, permanente. Naturalmente nós enfrentamos a resistência dos que se beneficiam dos regimes desiguais", afirmou.


Também integrando as discussões, o subsecretário internacional da Organização das Nações Unidas (ONU), o africano Carlos Lopes, reforçou as afirmações acima ao ressaltar que as formas de negociação no mundo mudaram, por isso, os diversos atores sociais precisam estar preparados para esta "nova forma". "O mundo unipolar liderado pelos Estados Unidos chegou ao fim. Os países precisam se habituar a uma janela de oportunidades".


Participaram, ainda, deste debate, Artur Henrique (Central Única dos Trabalhadores - CUT), Adilson Araujo (Central dos Trabalhadores do Brasil - CTB), Bernad Cassem (FSM) e Lúcia Stumpf (coordenação dos movimentos sociais). Trabalho, economia e crise mundial no centro dos debates Ainda no sábado (30), o Fórum aconteceu em outros 11 espaços da capital baiana com discussões de vários assuntos relacionados ao tema central do evento: Da Bahia a Dakar: enfrentar a crise com integração, desenvolvimento e soberania. Em destaque na programação central do evento, que segue até domingo (31), três painéis realizados simultaneamente no Pestana Bahia Hotel e no Hotel da Bahia. No Pestana, na sala Fernando Pessoa II, o tema em discussão foi "Crise e Trabalho".


ABERTURA

A cerimônia de abertura do Fórum Social Mundial Temático Bahia (FSMT-BA), realizada nesta sexta-feira (29) no Teatro Castro Alves, contou com a palestra da doutora em política pela École des Hautes Études en Sciences Sociales (Paris), Susan George, com o tema A convergência das Crises.


Este ano, o Fórum Social Mundial está sendo realizado, de forma descentralizada, em vários países. No Brasil, a décima edição do FSM começou em Porto Alegre. A etapa Bahia do evento acontece até este domingo em vários hotéis de Salvador.

De acordo com Susan, a crise financeira que atingiu diversos países em 2008 foi iniciada há 30 anos, com a implantação do neoliberalismo. A cientista afirma que este sistema resultou em diversos problemas mundiais, como a fome que atinge principalmente países asiáticos e africanos.


Para Susan, o Fórum Mundial Social é um espaço de discussão sobre essas crises e o momento de propor soluções para os governantes. "Esta crise é uma bolha. Quantas bolhas como estas terão que estourar para refletirmos?", questiona.

Para ela, a pobreza e a desigualdade "são reflexo deste sistema neoliberal responsável por todos os problemas que estão sendo enfrentados e que só tendem a aumentar, uma vez que o neoliberalismo só visa o lucro".


O economista e pesquisador da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), Ladislau Dowbor, defende que o apoio dos governos em discussões que envolvam temas sociais é importante para tentar solucionar as várias crises que o mundo tem enfrentado. Para ele, as ONGs e movimentos sociais são importantes, mas não podem sozinhos resolver as questões criticas.


"A dimensão das crises que estamos sofrendo não se resolvem só com ONGs e outros movimentos sociais. Precisamos sim do apoio do governo, não só financeiro, mas para se darem conta do problema que vão enfrentar. É preciso fazer alianças e parcerias para enfrentar estes problemas".


Discussão social 

O governador Jaques Wagner firmou o apoio do Governo do Estado ao Fórum, realizado pela primeira vez na Bahia. De acordo com o governador, mesmo com o apoio do Governo, o fórum continua com o seu caráter de discussão social de forma democrática.

"Quero dizer que não há Fórum Social do Governo, mas um Governo conquistado pelo povo baiano e que se orgulha de participar e de ouvir a sociedade civil. É por isso que fazemos tantas conferências e seminários. Aqui não há tentativa de substituir a sociedade, o que é impossível. Vamos aqui discutir de forma democrática todas as propostas. A democracia representativa tem que ser parceira da democracia participativa", enfatizou Wagner.


O Fórum Social Mundial Temático Bahia acontece até domingo (31) em Salvador e recebe também autoridades locais e representantes da Comissão Organizadora do FSMT-BA. Está confirmada oficialmente a participação do ministro do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Patrus Ananias, neste sábado (30), às 9h, representando o presidente Luis Inácio Lula da Silva.


O evento baiano encerra a programação anual do Fórum Social Mundial (FSM) no Brasil, iniciado segunda-feira (25), em Porto Alegre. De forma inédita na história do FSM, movimentos sociais e centrais sindicais terão a participação de governos progressistas em condições paritárias. A versão baiana tem como tema Da Bahia a Dakar: enfrentar a crise com integração, desenvolvimento e soberania.