"Estou falando aqui de destemidos compatriotas que chegaram ao Haiti levando a seguinte mensagem: vocês não estão sozinhos, viemos aqui em nome do Brasil trazer alimentos, remédios (...) paz e, acima de tudo, o respeito do povo brasileiro ao povo haitiano", disse. O presidente disse "obrigado" seguido do nome de cada um dos militares que morreram.
Antes do discurso, Lula colocou a Medalha do Pacificador com Palma sobre cada um dos 18 caixões, todos cobertos com a bandeira do Brasil. A honraria é concedida a militares e civis que, em tempo de paz, tenham se distinguido por "atos pessoais de abnegação, coragem e bravura, com risco de vida". Todos os militares receberam uma promoção post mortem. Os soldados foram elevados em duas patentes e os demais, em uma patente.
Durante a solenidade, o comandante do Exército, Enzo Martins Peri se disse atingido pessoalmente com a morte dos militares e afirmou que o Brasil todo chora com a perda daqueles que "combateram o bom combate". Após um toque de silêncio, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a primeira-dama, Marisa Letícia, apresentaram, em nome do povo brasileiro, as condolências aos familiares dos soldados.
"Todos combateram o bom combate, levando àquela nação amiga, castigada por violências de diferentes naturezas, que a gente brasileira mais possui: solidariedade, alegria e esperança", disse o comandante de militar. Diante dos caixões, Peri disse que "a dimensão humana dessa tragédia atinge todos os brasileiros". "Não percamos a fé! Prossigamos a missão! Juntos, com a comunidade internacional e o valente povo haitiano, vamos recomeçar", afirmou o comandante militar em sua mensagem de condolências.
Terremoto
Um terremoto de magnitude 7 na escala Richter atingiu o Haiti nessa terça-feira, às 16h53 no horário local (19h53 em Brasília). Com epicentro a 15 km da capital, Porto Príncipe, segundo o Serviço Geológico Norte-Americano, o terremoto é considerado pelo órgão o mais forte a atingir o país nos últimos 200 anos.
Dezenas de prédios da capital caíram e deixaram moradores sob escombros. Importantes edificações foram atingidas, como prédios das Nações Unidas e do governo do país. Estimativas mais recentes do governo haitiano falam em mais de 200 mil mortos e 75 mil corpos já enterrados. O Haiti é o país mais pobre do continente americano.
Morte de brasileiros
A fundadora e coordenadora internacional da Pastoral da Criança, Organismo de Ação Social da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), Zilda Arns, o diplomata Luiz Carlos da Costa, segunda maior autoridade civil da Organização das Nações Unidas (ONU) no Haiti, e pelo menos 18 militares brasileiros da missão de paz da ONU morreram durante o terremoto.
O ministro da Defesa, Nelson Jobim, e comandantes do Exército chegaram na noite de quarta-feira à base brasileira no país para liderar os trabalhos do contingente militar brasileiro no Haiti. O Ministério das Relações Exteriores do Brasil anunciou que o país enviará até US$ 15 milhões para ajudar a reconstruir o país. Além dos recursos financeiros, o Brasil doará 28 t de alimentos e água para a população do país. A Força Aérea Brasileira (FAB) disponibilizou oito aeronaves de transporte para ajudar as vítimas.
O Brasil no Haiti
O Brasil chefia a missão de paz da ONU no país (Missão das Nações Unidas para a Estabilização no Haiti, ou Minustah, na sigla em francês), que conta com cerca de 7 mil integrantes. Segundo o Ministério da Defesa, 1.266 militares brasileiros servem na força. Ao todo, são 1.310 brasileiros no Haiti.
A missão de paz foi criada em 2004, depois que o então