A greve de 24 horas, que desde às 8h da manhã desta segunda-feira (11) paralisa a Polícia Civil em todo o Estado, foi interpretada pelo ministro da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima, como mais uma "demonstração da incompetência e descaso" com que o atual Governo do Estado conduz a segurança pública. Ele lembrou que há vários dias os policiais anunciaram a paralisação, sem que o governador ou o secretário de Segurança Pública tomasse qualquer providência para abrir um canal de negociação e com isso impedisse que a população fosse prejudicada.
"É bem verdade que há uma crise de credibilidade entre o governador e as forças policiais, mas assistir de braços cruzados a sociedade ficar ainda mais desprotegida, mesmo que por 24 horas é inaceitável", avaliou o ministro.
Geddel lembrou que a insatisfação dos policiais civis tem causas semelhantes a dos militares, tendo entre as suas motivações a falta de equipamentos e as mínimas condições de trabalho, o que coloca os seus agentes numa situação ainda mais vulnerável no enfrentamento com o crime. Citou como exemplo a informação do sindicato da categoria de que hoje, a estrutura policial dispõe de 2.600 investigadores, quando o número ideal, de acordo com a Lei Orgânica da Polícia Civil, seria de cerca de 6.500 homens.
CRUZAR BRAÇOS
O ministro lembrou que há um mês a Polícia Militar comunicou publicamente a sua disposição em "cruzar os braços" durante o Carnaval e que o Governo do Estado não tomou uma providência efetiva, limitando-se a conceder um aumento diferenciado, que não foi bem aceito pela tropa, além de nada fazer em relação às condições de trabalho dos policiais.
"Eles continuam sem coletes à prova de balas, sem combustível, viaturas, munição e com armas que não sabem se em confronto com bandidos, vão funcionar", ressalta o ministro.
Nas viagens que tem feito pelo interior do Estado, inspecionando obras do Ministério da Integração Nacional, Geddel diz que tem testemunhado o empenho dos prefeitos que, mesmo com os escassos recursos dos seus municípios, assumem os custos com a segurança pública, diante da ausência do Estado.
Ele citou como exemplo Cairu, onde esteve no último domingo. Nesse município, o prefeito Hildécio Meireles (PMDB), gasta R$ 45 mil todo o mês, para a manutenção de viaturas, combustível transporte marítimo de presos e gratificações para os policiais. O número de 34 policiais não é suficiente para cobrir todo município, que abrange 36 ilhas. Para garantir segurança na festa de réveillon de Morro de São Paulo, a prefeitura teve que pagar gratificações a 30 policiais, além de outros 12 em Gamboa e Boipeba.