Política

MINISTRO GEDDEL: A BAHIA SE APEQUENOU COM O GOVERNO JAQUES WAGNER

Geddel diz que não veste carapuça de infiel
| 13/09/2009 às 22:01
Entrevista Exclusiva com o ministro da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima. Leia.
Foto: BJÁ

     O ministro da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima, em entrevista exclusiva ao BJÁ, admite duas constatações para sua candidatura a governador da Bahia, em 2010: A primeira delas é que se trata de uma decisão irreversível, imutável, sem alianças no primeiro turno com Jaques Wagner e Paulo Souto. Decisão tomada e acabada, desde que Lúcio, seu irmão, aceitou ser candidato a deputado federal; a segunda é de que vai vencer as eleições. Decisão que, dependerá do eleitorado.


     Geddel diz que o mais difícil já conseguiu: "Fazer com que Lúcio aceitasse manter o patrimônio eleitoral da família conquistado por nosso pai, o velho Afrísio". Quando ao segundo item, a vitória eleitoral, afirma que trabalhará duramente para que isso aconteça. Mas, se não acontecer, paciência. "Sou jovem, tenho 50 anos e vou difundir o meu nome no Estado, na capital e em Piripá, onde sou pouco conhecido", afiança deixando claro que a vida segue em 2014 e assim por diante.


     Vieira Lima está consciente da importância do seu nome na política baiana. Faz críticas ao governo Wagner, revela que há descontrole administrativo e financeiro, e que a Bahia está perdendo oportunidades para outros estados por falta de planejamento e gestão. Confia no prefeito João Henrique como aliado, em 2010, conversa com João Durval, mantém relações apenas sociais com Paulo Souto, a quem respeita, e está convicto de que oferecerá um projeto de futuro para a Bahia.


   

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     BJÁ: Sua candidatura a governador da Bahia, em 2010, é pra valer ou para fazer alianças?

     GEDDEL: O fato de buscar alianças não exclui o fato de ser pra valer. Ela consolida. É claro que estou buscando alianças. Formatamos uma aliança com o PTB, com o PSC, estamos conversando com outros partidos. Agora, ninguém toma uma atitude de deixar um governo, de deixar posições, de deixar cargos, por desacreditar nesse governo, por se decepcionar com esse governo, por acreditar que este governo não está fazendo pela Bahia, terra onde nós nascemos, onde eu nasci, aquilo que se imaginava, fabricar candidato. É uma candidatura posta e competitiva. Nós vamos colocar nosso nome para ganhar a eleição como uma alternativa a tudo isso que está sendo feito aí e o que deixou de ser feito no passado.


    BJÁ: O senhor só sai candidato porque se afastou do governo Wagner ou a pré-candidatura já estava programada?

    GEDDEL: Evidente que me afastei do governo depois de criticá-lo internamente, depois de tentar o diálogo, após produzir um documento escrito ao governador e de ter recebido a descortês resposta de que Sua Exa não havia tido tempo de ler esse documento. E dizer o que está acontecendo na Bahia. Quem explica a saída do PMDB é o leitor do seu site na internet: Você está satisfeito com o que está acontecendo na Educação com R$74 milhões deixando de serem aplicados na educação básica. Você está satisfeito com a questão da saúde? Você está satisfeito com esse trauma e problema que está acontecendo na Segurança Pública e que é, sim, de responsabilidade exclusiva do governo Estado seja por não ter adotado medidas preventivas, medidas proativas, medidas repressivas, seja por não estar equipando a Policia a tempo, seja por não ter autoridade para comandar esse processo. Evidentemente que, quando você vê um quadro de abandono em que está relegado a Bahia e você percebe que não tem mais a capacidade de influenciar positivamente só lhe resta um caminho: da honestidade e da lealdade de dizer que não compactuo com isso e ofereceremos à sociedade uma outra alternativa, um outro projeto, um outro caminho.


     BJÁ: Tudo isso que o senhor está falando foi colocado no documento para o governador antes de tomar essa decisão?

     GEDDEL: Coloquei para o governador e falei várias vezes com ele das discordâncias que tínhamos na articulação política na forma de conduzir o processo em várias áreas da administração. Colocamos por escrito num documento a ele em relação às áreas que o PMDB ocupava no governo, fruto dos riscos e das conquistas que corremos em 2006, na eleição dele, quando ele patinava, quando ele engatinhava nas pesquisas de opinião e na descrença da viabilidade eleitoral do seu projeto. Mas, percebemos que não éramos ouvidos. Só quem era ouvido era um núcleo de pessoas amigas do governador desde a época do Sindicato e que dava Norte ao governo. O nosso caminho é outro caminho. De exercer com lealdade e o princípio da honestidade e da decência e dizer que não compactuamos com isso. E dizer: Bahia, vamos lhe oferecer um novo projeto.


    BJÁ: O ex-governador Paulo Souto já tem um discurso de reconstruir a Bahia. O governador Wagner diz que fará o confronto do seu governo com o de Souto. Qual seu discurso e como vai encaixá-lo para sensibilizar o eleitorado baiano?

    GEDDEL: Com muita tranqüilidade. Eu não quero discutir o passado que, não deixou saudade e foi derrotado, nem o presente que não gera expectativas. Eu quero discutir com os baianos o futuro. Um novo jeito de fazer. Fazer mais e melhor. Sair desse discurso bobo que estou vendo entre a "herança maldita" com o que está sendo feito ou reconstruir a Bahia. Ora, é evidente que o governo passado foi mal avaliado. Por mim! Por Wagner! Não. Pelo eleitor que o derrotou. Portanto eu não tenho que comparar. Ele já foi derrotado. Evidente que o atual governo está sendo mal avaliado. Foi eleito com 53% no primeiro turno e as pesquisas do próprio governo apontam que está na faixa de 30% a 33%, significa que já perdeu de 20% a 25% de apoio de lá pra cá. Portanto, é esse debate que vou travar, com o futuro. Não sou escravo do passado nem quero ser cúmplice desse presente que fazem com que as pessoas fiquem dentro de casa assustadas por falta de segurança pública. Vou falar do futuro. Vou pedir a sociedade, em determinado momento, que dê a chance ao novo, a uma forma diferente de fazer mais, de fazer melhor. Afinal de contas sou o único que tem a autoridade de criticar os dois. Eu posso dizer à sociedade que quando tive a oportunidade de assumir desafios eu tirei do papel e, portanto, posso merecer essa oportunidade.


    BJÁ: O senhor acha que esse discurso de futuro vai impactar na Bahia, um estado tão grande e pouco alfabetizado?

   GEDDEL: Eu acredito muito na esperança na certeza de que a Bahia está olhando para o futuro e não ficar pendurado no retrovisor e olhar pra frente, no que nós podemos realizar. Ter uma Bahia melhor e mais desenvolvida para os nossos filhos.  Eu acredito muito em nossa capacidade de apresentar propostas e projetos concretos, de ver donde vem o dinheiro, o que se pretende fazer. Eu acredito muito que a Bahia não vai querer repetir essa experiência da eleição do Wagner, apenas pendurada no que se poderia ter no governo federal. Na amizade, na relação pessoal com o presidente da República. É sempre importante desde que ele retorne para a Bahia. O presidente Lula tem muito carinho, muito amor por esse estado, e eu vejo isso. Mas é inquestionável que outros estados da federação como Pernambuco e Ceará e tantos outros estão tendo capacidade muito maior de retirar as coisas do governo federal. E olhe que a Bahia o que se tem é do governo federal. Qual a grande obra que tem do governo do estado? O estado perdeu a capacidade de investimentos com recursos próprios. A desorganização econômico-financeira tirou do estado a capacidade de alavancar investimentos com recursos próprios. Vejo Wagner falar em rodovia Oeste/Leste! Governo Federal. Complexo Viário 2 de Julho! Governo Federal. Via Expressa Portuária! Governo Federal. Os projetos que tem do Ministério da Integração Nacional! Governo Federal. Até o grande programa que ele coloca como a marca do seu governo que é o abastecimento d'água, as grandes obras como as de Jacobina, de Cafarnamum, todas essas são do Governo Federal através do Ministério da Integração Nacional. Qual é o grande projeto feito com o seu dinheiro, com recursos arrecadados na Bahia? Não tem. O estado se desorganizou econômica e financeiramente. É claro acredito que isso colocado de forma responsável, apresentando soluções, mostrando outro caminho dizendo de que forma se faria, a gente sensibiliza a sociedade.


    BJÁ: O senhor acha, então, que a Bahia está vivendo um momento de desorganização geral?

   GEDDEL: Eu não acho. São dados, são fatos. Quando é que você leitor se lembra a última vez que o Estado ficou sem pagar fornecedores, sem pagar empreiteiros, interrompendo obras. A crise foi no Brasil inteiro. Não foi só na Bahia. Quando que você se lembra que o Estado não tem iniciativas com seus próprios recursos para implantar um programa que marque um governo? Quando você se lembra de uma situação dessa que está acontecendo na Segurança Pública? A impressão que dá é que o Rio de Janeiro, os bandidos cariocas vieram para a Bahia. É a impressão que se dá. Eu nasci nessa terra. Tenho 50 anos de idade. Eu nunca vi isso. As famílias estão com medo. As pessoas estão com medo. Eu, que Deus me deu o privilégio de receber um filho ontem (9/9) me assusto com o que está acontecendo na Bahia. Isso não é opinião minha. Isso é fato, É concreto. São fatos.


   BJÁ: O governo do Estado não estaria tendo capacidade retirar mais investimentos do governo federal por quais motivos? O que se passa na sua opinião?

  GEDDEL: Evidente, inclusive diante da política de atração de investimentos. Se nos formos falar do Pólo Petroquímico em Pecém, uma refinaria, estaleiro Atlântico Sul vários itens que Pernambuco está avançando e que a Bahia deixou de ter essa oportunidade. A própria planta verde da petroquímica, o pólo têxtil, uma série de iniciativas. Qual foi o grande investimento que veio para a Bahia? Anunciaram-se vários e não veio nenhum. Uma esmagadora de algodão no Oeste do Estado, um investimento importante e ótimo. Mas, pouco. Vá ver o que aconteceu no turismo. A vinda de estrangeiros para a Bahia caiu em 7.9%. Pernambuco cresceu 24%. A atração de grandes eventos para a Bahia diminuiu. Nós tivemos na temporada passada 19 e agora são 14 depois. E depois muita pressão para se fazer essa recomposição do Centro de Convenções.


     BJÁ: O governador revela que 2009 é seu ano de gestão e está mudando a equipe, agregando novos valores do PP e PDT. Qual sua visão sobre essas modificações?

    GEDDEL: Mudando o que? Mudando quadros. Isso foi uma verdadeira galinha gorda no preenchimento de cargos, sem uma linha mestra, sem posições. Um loteamento, um fatiar de posições na administração. Esse sim, um verdadeiro fisiologismo. Não vejo como obter sucesso administrativo nesse tipo de recomposição. E grave porque o governador já deu declarações dizendo que está recompondo a sua equipe visando 2010.


     BJÁ: Sem citar diretamente o nome do senhor, mas com observações nas entrelinhas, o governador tem falado bastante da lealdade de berço em relação ao PMDB e ao PSDB. Como vê essas declarações do governador?

    GEDEL: Isso não é uma carapuça que eu vista. Essa postura do governador é contraditória. Ele não pode falar em lealdade e estimular o deputado Jairo Carneiro a mudar de partido. Ele não pode falar de lealdade e ir a Feira de Santana pedir o apoio do Tarcízio Pimenta que é do DEM Essa carapuça eu repilo. Repilo de forma enérgica. Lealdade é a posição que tomei. Meu partido tomou de não compactuar com a incompetência e o governo. Portanto, esse discurso ele não faça comigo. Faça com outros. Se ele quiser entrar nesse campo de conversa estou pronto. Prefiro discutir substantivamente e não ficar adjetivando. Acho deselegante inclusive alguém que fez vida publica na oposição referir-se aqueles que discordam desse como abestalhados. Não é no grito. Não é desqualificando o adversário que se faz, que se implanta um novo método de política na Bahia. Isso é contradição no discurso. Isso não é ser republicano. Isso não é ser democrata. Isso é ter um discurso e uma prática diversa. O governador diz que não anda com uma melancia no pescoço. Anda com um out-door no pescoço É interessante. Quando é pra fazer propaganda de uma arquibancada que foi construída no estádio de Pituaçu depois de tantos problemas e tantas confusões e enche a cidade de faixas e out-door. O governo quer pra ele essa responsabilidade. Quando se faz uma critica sobre a questão da segurança publica que é da responsabilidade do estado, exclusivamente do estado, é tanta irritação, com agressão a quem faz discordância. É um discurso que repilo. Não quero conduzir o debate para esse campo apesar de ter tranqüilidade de saber que minha vida foi feito com enfrentamento. Não é isso que a Bahia está querendo. Discussão substantiva e não essa adjetivação boba e que mostra irritação, pequenez e falta de dimensão para os problemas que a Bahia está enfrentando.


    BJÁ: Falando da fase da campanha propriamente dita como o senhor pretende administrar os dois palanques de Lula e Dilma na Bahia?

    GEDDEL: Eu já coloquei de forma bastante clara que defenderei nacionalmente dentro do meu partido a preservação da aliança com o presidente Lula, até porque tem feito um governo que merece esse registro, respaldo, apoio, que tem na articulação política uma forma inclusiva de fazê-la, ouvindo seus aliados. Só não estarei nessa posição se o PT nacional disser que não quer. Minha postura está clara. E estou oferecendo a ministra candidata do Presidente um palanque, um outro palanque na Bahia. Significa agregar apoio. Significa somar apoio. E não apoiarei a proposta encabeçada pelo PT no Estado. Não vejo nenhum tipo de contradição nisso até porque, PMDB e PT não estão juntos em muitos estados da Federação. Agora este é um assunto lá pra diante. Vai depender das conversas do meu partido com o PT nacional, do presidente Lula com as todas as lideranças do PMDB. Mas a minha posição do diretório do PMDB da Bahia é clara. É lutar com todas as forças pela preservação da aliança nacional


     BJÁ. As Obras do Ministério da Integração Nacional na Bahia têm bom desempenho?

     GEDDEL: Todas estão com bom desempenho. A grande obra de barramento que implica investimentos no turismo, irrigação, abastecimento d'água que vai perenizar tela abaixo do Vaza Barris e regularizar tela pra cima do Vaza Barris, evidentemente que é uma obra do Ministério, da barragem do Gasparinho que nós tiramos do papel, que tava andando com emendas parlamentares e nós colocamos no PAC. Os grandes projetos de irrigação do Baixio de Irecê, do Salitre, todo o esgotamento sanitário que estamos fazendo na Bacia do São Francisco, obras de drenagem, de macro drenagem em Salvador, na nossa capital, e no interior do Estado são obras que nos temos tido a capacidade de fazer o enfrentamento de fazer as coisas acontecerem de trazer os benefícios diretos à sociedade da Bahia mostrando que é possível fazer, sim, com boa vontade e determinação. O Ministério da Integração Nacional tem tido um grande desempenho aqui no nosso estado e isso é reconhecido pelo próprio presidente Lula, publicamente.


     BJÁ. Já que senhor falou em Salvador acredita que o prefeito João Henrique estará com sua candidatura até o final?
     GEDDEL: Eu não tenho dúvida nenhum disso. Esse é um outro estímulo à deslealdade. Fala-se tanto de lealdade e fica apregoando nas cafuas e nos pés de escada. Estive ao lado de João Henrique e acho que prefeito deve manter os canais abertos de diálogo com todos para beneficar a sociedade de Salvador. Mas, no campo político não tenho nenhuma dúvida do seu apoio até porque foi ele o grande estimulador desse projeto.


     BJÁ: Dá sua candidatura a governador?

     GEDDEL: Claro do projeto de candidatura próprio do PMDB. Ele sempre estimulou, sempre defendeu o afastamento da aliança com o PT, sobretudo depois do que ele sofreu nas últimas eleições. Tenho com João Henrique um diálogo tranqüilo e absolutamente sereno. Somos uma única pessoa, uma mesma pessoa? Não. Podemos, eventualemnte, divergir. Mas, temos a capacidade de sentarmos à mesa e conversar.


      BJÁ: Como aconteceu o estimulo de JH para o rompimento com o PT no governo do Estado?

      GEDDEL: Sempre, sempre estimulou o PMDB a ter uma candidatura, que poderia ser a dele; que poderia ser a minha e fomos para os Encontros Regionais, João participa de uns não pode participar de outros, ele tem uma agenda. Estamos fazendo incursões na cidade do Salvador e ele sempre manifesta, reiteradas vezes, em ambientes públicos e privados, seu apoio a um projeto como oferecimento de uma alternativa a Bahia.


      BJÁ: O senhor tem conversado com o senador João Durval Carneiro?

      GEDDEL: Conversei com João Durval em Brasília. Coversamos muito e temos recebido dele todas as sinalizações necessários de que devemos ter um candidato próprio e seguir adiante.


     BJÁ: Tem conversado também com o ex-governador Paulo Souto? Qual sua relação com o Democrata?

     GEDDEL: É uma relação formal. Eu tenho respeito pelo ex-governador da Bahia.Temos nos encontrado em ocasiões sociais, mas não sentamos para conversar política. Eu respeito o projeto dele. Ele tem o projeto dele e nós temos o nosso projeto. Não tenho conversado politicamente com o ex-governador.


     BJÁ: Seu projeto é irreversível?

     GEDDEL: Vou pra ganhar a eleição


     BJÁ: Qual a base tem o senhor para garantir isso?

     GEDDEL: A mesma base que tinha quando ninguém acreditava na reeleição do projeto João Henrique e eu sai por ai defendendo a reeleição de JH. Então, vejo pelas minhas andanças nas ruas, acredito no projeto, acredito em quem tem idéias, em que tem propostas e em que tem convicções. E nós temos convicção. Todo lugar que ando, seja em Salvador; seja no interior do Estado eu começo a ver no olhar das pessoas, nos gestos das pessoas, na fala das pessoas, um sentimento de dar uma oportunidade a uma chance a quem ainda não teve chance, um despertar para essa idéia.


      BJÁ: Estaria, então, havendo uma descrença no atual governo?

      GEDEEL: Claro. Na Bahia está muito claro isso. As pessoas querem ver resultados. Vá em qualquer região do estado e pergunte: que grande obra o governo da Bahia tem aqui? A resposta é quase uníssona: nenhuma. Que grande investimento palpável, que não seja imaterial, o governo da Bahia tem? Nenhuma. As pessoas não se iludem. As pessoas sabem que a obra do Complexo Viário 2 de julho é do governo do presidente Lula. Do ritmo que vai não precisa mais se eleger governador. Espera a eleição do presidente da República e se nomeia um gerente pra ficar administrando obras do governo federal e oferecendo contra-partidas. A Bahia é um estado maior. A Bahia não pode se apequenar. A Bahia há de ter governantes que tenham projetos para serem aplicados do esforço e do trabalho de impostos pagos pelos baianos. E não ficar eternamente na dependência do poder central. Veja por exemplo: Falou-se muito no PAC do saneamento Governos como São Paulo, que é do PSDB, Minas Gerais que é do PSDB, Rio de Janeiro que é do PMDB alcançaram mais recursos do que a Bahia, agora. Isso com toda boa vontade e generosidade do presidente Lula com nossa terra. É falta de projetos.


     BJÁ: O que lhe assusta mais hoje na Bahia?

     GEDDEL: Hoje é a questão da segurança pública. Isso vem num crescendo. Isso assombra. Quando digo que a Secretaria de Segurança Pública não tem tido a capacidade de executar o orçamento de devolver recursos para o tesouro Isso é grave. Quando você opta por trazer para dirigir a secretaria corpos estranhos a Polícia da Bahia, você dessestimula a ascensão, você dessestimula a carreira. Isso é ruim. Quando você não tem caracterizado ações proativas, ações preventivas e repressivas dá no que dá. Quando você tem a capacidade em função de um movimento "Policia Legal" você consegue trazer 3.600 coletes a prova de balas em uma noite. Há de se perguntar: Porque preciso desse movimento se pode ser feito numa noite? Porque não foi feito em dois anos e meio? Isso é falta de planejamento. E o resultado está aí, a Bahia, Salvador, com sua imagem deteriorada. Nesse caso específico, a constatação é critica. Mas eu sou solidário, como baiano sou solidário, aquilo que precisar de mim não tomarei nem permitirei que se tome nenhuma medida para agravar esse quadro. Essa e uma constatação e eu a faço com lamento profundo. Com tristeza profunda.