Na quarta-feira, Mercadante havia dito, após os arquivamentos dos recursos contra José Sarney (PMDB-AP) no Conselho de Ética, que a crise na Casa contaminou seu partido. Mercadante foi contra a orientação do partido e defendeu a investigação das ações contra Sarney, o que levou a insatisfação de parte da bancada e do presidente do partido, Ricardo Berzoini, com o parlamentar. Apesar disso, o PT assegurou que ele continua na liderança do partido na Casa Legislativa. Mesmo assim, ele voltou a dizer que seu cargo está à disposição.
"Ao contrário dos que estão deixando o partido, saio da liderança para disputar, junto à militância, a concepção do PT que eu acredito", complementou o parlamentar no microblog.
O senador Eduardo Suplicy (PT-SP) já havia afirmado que Mercadante iria anunciar a saída da liderança do PT no Senado. Suplicy disse ainda que Mercadante explicará à tarde os motivos de sua saída.
O senador Flavio Arns (PR), que anunciou ontem sua saída do PT, comentou a decisão do parlamentar. "O líder Mercadante disse que está despontado com isso (posição do PT de livrar o Sarney), acha que não é o caminho correto e vai deixar a liderança para que ele volte como militante para tentar recolocar o partido nos rumos onde o partido sempre deveria ter estado", disse.
"A crise do Senado e hoje a crise da bancada do PT é de responsabilidade do senador José Sarney. Ele, se tivesse tido um gesto de grandeza, teria preservado a instituição e permitido uma apuração que seguramente ajudaria o Senado a encontrar um outro caminho", disse Mercadante.
O senador disse ainda que não iria trabalhar para se manter na liderança. Mercadante afirmou que, se qualquer outro integrante da legenda quiser se candidatar à vaga, o processo será aberto imediatamente. Ele havia dito que só não largava o cargo naquela ocasião porque não iria abandonar o partido em um momento "tão difícil".