"Apesar de termos tido o orçamento reduzido a cada ano, conseguimos nesses dois anos e seis meses de gestão recuperar 1.737 quilômetros de estradas e deixar mais 1.462 quilômetros com as obras em andamento, fazendo ainda a melhoria da trafegabilidade em outros 30,2 mil quilômetros", contabilizou Batista Neves, que deixa também pronto para o novo secretário implantar o programa de reabilitação da malha rodoviária do Oeste, para o qual o peemedebista levantou mais de US$ 250 milhões de recursos do BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento).
O ex-secretário do PMDB afirma que ao assumir a Seinfra encontrou um orçamento anual para investimento de R$ 211,6 milhões, valor que caiu para R$ 195 milhões no último orçamento do governo Wagner, em 2008. E explica que teve de fazer "verdadeiros exercícios" para suplementar seu orçamento, inclusive carreando verbas não utilizadas por outras secretarias. Com isso, conseguiu aumentar para R$ 277,9 milhões a dotação orçamentária para 2008. "Não fossem essas dificuldades teríamos feito muito mais pela Bahia", observou Batista Neves ao desejar "mais sorte" ao seu substituto: "Espero que João Leão tenha o apoio do governo".
Além disso, o então secretário levantou junto ao Banco Mundial mais US$ 186 milhões para a recuperação e manutenção de eixos rodoviários estruturantes, tendo iniciado com esses recursos 15 obras importantes para o escoamento da produção agrícola em diversas regiões do estado, como os trechos Bom Despacho-Santo Antônio de Jesus, BR242-Santa Maria da Vitória, Brumado-Vitória da Conquista, entre outras.
"Tudo isso foi feito sem que jamais tivéssemos tido qualquer reunião mais aprofundada com o governo. Fui convocado, durante todo esse tempo, apenas três vezes para reunião de secretariado" lembra Batista Neves, observando que poderia ter executado um número muito maior de projetos com os recursos oriundos do seu esforço para reduzir custeios: R$ 60 milhões em economia nos contratos de telefonia e R$ 344 milhões na repactuação com o governo federal do programa Luz Para Todos, pela qual o governo estadual reduziu de 20% para 10% o valor de sua contrapartida.
INFORMAÇÕES
Segundo Batista Neves, o governador havia prometido passar para a Secretaria de Infraestrutura o resultado dessa economia de recursos. "Mas a promessa nunca foi cumprida pelas secretarias de Planejamento e Fazenda", lamenta. O ex-secretário peemedebista destaca, também, outro avanço que o novo secretário herdará: a recuperação das residências do Derba (Departamento de Estradas de Rodagem da Bahia), nas quais implantou as respectivas usinas de asfalto e deixou recuperadas 190 máquinas, de roçadeiras a tratores de esteira, sem contar as 230 máquinas adquiridas pelo estado com o apoio do Ministério da Integração Nacional, do Ministério do Desenvolvimento Agrár io.
Apesar da Seinfra ter apresentado alguns dos avanços mais significativos do governo estadual, Batista Neves alerta que o novo secretário também terá pela frente grandes desafios, entre os quais a ampliação de aeroportos e a recuperação de aeródromos da Bahia. Ele informa que dos 81 aeródromos do estado, 32 estão em condições críticas e o restante sem manutenção. Já os principais aeroportos do interior precisam ser ampliados, como os de Ilhéus, Feira de Santana, Vitória da Conquista, Porto Seguro, Lapa e Barreiras.
Para Batista Neves, o novo secretário vai enfrentar várias questões que precisam da articulação governamental e da intervenção direta do governador. A principal delas é o pagamento dos fornecedores do Estado. Ele informa que as 41 estradas estaduais com obras em andamento, por exemplo, totalizam um gasto de R$ 579,9 milhões, dos quais já se executou o equivalente a R$ 164 milhões, mas só foram efetivamente pagos aos fornecedores R$ 78 milhões.