Política

DEPUTADO PROPÕE CENTROS TECNOLÓGICOS NOS PRESÍDIOS BAIANOS

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| 15/07/2009 às 12:00

No momento em que os estados estão concentrados na realização das conferência de segurança pública, o deputado estadual Gilberto Brito (PR), que é delegado de polícia, propõe ao secretário de Justiça, Nelson Pelegrino, a criação nas unidades prisionais da Bahia de Centros Vocacionais Tecnológicos (CVTs), com o objetivo de preparar os detentos para a ressocialização e diminuir a ociosidade comum nos presídios.

Os CVTs são unidades de ensino e de profissionalização voltadas para a difusão do acesso ao conhecimento científico e tecnológico, conhecimentos práticos na área de serviços técnicos, além da transferência de conhecimentos tecnológicos na área de processo produtivo. Esses centros tem sido implantados com o apoio do Ministério da Ciência e tecnologia.


O deputado lembra que a ociosidade tem sido o motivo da maioria dos problemas enfrentados pelas autoridades na administração das unidades do sistema penitenciário que abrigam os condenados ou aqueles que aguardam julgamento. Sem ter o que fazer o dia inteiro, os detentos tentam se ocupar com planejamento de fugas, rebeliões ou mesmo praticando crimes e consumindo entorpecentes.

Além disso, estudos realizados junto ao Sistema Penal Brasileiro indicam que, de cada 100 presidiários que, cedo ou mais tarde, deixarão o cárcere, 80 deles retornarão à marginalidade por não encontrarem chances de exercer uma profissão. "A conquista do emprego é um desafio para quem não tem antecedentes criminais; para os egressos das prisões, a dificuldade é ainda maior", argumenta Gilberto Brito.


No Brasil, desde 2003 que o Ministério da Ciência e Tecnologia vem apoiando a criação de Centros Vocacionais Tecnológicos (CVTs). Originalmente, os CVTs estão direcionados para a capacitação tecnológica da população, como uma unidade de formação profissional básica, de experimentação científica, de investigação da realidade e prestação de serviços especializados, levando-se em conta a vocação da região onde se insere, promovendo a melhoria dos processos.


Atividade laboral
 

Na opinião do parlamentar, se adaptados para as unidades prisionais, os CVTs poderiam beneficiar os detentos com cursos básicos de bombeiro hidráulico, metalurgia, eletrônica, refrigeração, motores elétricos, eletricista predial, marcenaria, artífice da construção de pré-moldados e outras atividades. "Dessa forma, estaremos, concretamente, oferecendo ao preso a oportunidade de otimizar o seu tempo, aprendendo uma atividade laboral, além de estar remindo sua pena, pois para cada três dias de trabalho, um é anulado no tempo total da pena, como previsto na Lei de Execução Penal", justifica.

Gilberto Brito, que tem pelo menos uma dezena de outros projetos tramitando na Assembleia Legislativa voltados para a área de segurança pública, defende que, com a qualificação recebida no CVT, os cerca de 9 mil presos das 22 unidades prisionais do Estado, após conquistarem a liberdade, mesmo que condicional ou através da progressão de regime, poderão ser aproveitados pela iniciativa privada, com o apoio do governo através de política de incentivos fiscais, e principalmente em obras públicas, desde que escoltados e sendo obedecido o critério do bom comportamento, conforme prevê o artigo 36 da Lei das Execuções Penais.

O parlamentar apontou ao secretário Nelson Pelegrino, em sua Indicação, que o Centro Vocacional Tecnológico poderia ser desenvolvido nas unidades prisionais do Estado em paralelo ao curso Preparando para a liberdade, já desenvolvido pela Secretaria de Justiça, Cidadania e Direitos Humanos da Bahia.