Política

O QUE PENSA WAGNER SOBRE GEDDEL, SOUTO, CESAR BORGES, PINHEIRO E JOÃO

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| 20/03/2009 às 14:59
Em exclusiva ao BJÁ, governador Wagner faz análise da sucessão, em 2010
Foto: Foto: BJá
  Em entrevista exclusiva ao BJá nesta sexta-feira, 20, o governador Jaques Wagner (PT), comentou sobre sua administração, os aliados e adversários na eleição 2010, o polêmico projeto do Fisco, as mudanças nas Comissões temáticas da Assembléia Legislativa e disse que o projeto de sua reeleição está sintonizado com o projeto nacional do presidente Lula da Silva, à frente, a ministra Dilma Rousseff.

  Wagner se classifica como um político equilibrado, "não kamikaze", contrário ao toque excessivo do bumbo, "eu bato pouco bumbo", como acontecia no passado recente da Bahia, e diz que sua vontade é concluir o primeiro mandato com a marca do social. "Estou trabalhando nessa direção. É a marca que eu quero", comenta observando que está em pleno ano de gestão, "ano de colheita".

  O governador situa que está de olho em todos os movimentos políticos locais e nacionais, mas, de forma alguma, pretende antecipar o debate de 2010 para 2009. Adepto do dizer popular dando conta de que, cada dia tem sua agonia, Wagner opera 2009 como ano da colheita dos frutos que plantou em 2007/2008 para ser julgado no final de 2010.

  "Eu não tenho novidade política de 2010 todo dia" destaca apreciando a ansiedade de setores políticos e da imprensa em relação ao processo sucessório. Admite que, seu adversário, como aconteceu em 2006, será Paulo Souto numa aliança nacional com o PSDB para reforçar o palanque de José Serra. Vê o PMDB como aliado e quer ampliar o leque com novas alianças, de outros partidos, visando 2010, como já fez com PP e PDT.

  Acompanhe, agora, a opinião do governador sobre os temas abordados na conversa com o diretor de redação deste site:

  SOBRE PAULO SOUTO
  E OS DEMOCRATAS

  O governador vê esse grupo político como seu principal adversário, em 2010. Acredita que será inevitável uma aliança do DEM/Souto com a candidatura José Serra, porque o governador de SP está sem palanque na Bahia, um estado importante da Fedeação, 4º colégio eleitoral.

  "Poderia ser pior se o deputado ACM Neto tivesse ido para 2º turno da eleição municipal de Salvador e vencido o pleito. Aí, Serra estaria com o palanque perfeito", diz mostrando a importância da presença de dois dos seus aliados Walter Pinheiro e João Henrique no final da eleição em Salvador. "Minha estratégia foi vitoriosa, pois, ao tirar ACM Neto da disputa, tirei o Serra".

  Contra Souto pretende adotar a mesma estratégia usada em 2006, na dualidade entre o autoritarismo x a gestão democrática. Entende que Souto representa a marca do "carlismo", um movimento (tendo como ícone ACM) que desapareceu em menos de um ano após seus falecimento, mas, ainda está latente no imaginário da população.

   Esse é o diferencial entre as duas formas de fazer política, segundo o governador, já perceptível e aceita positivamente para ele, de tratar as pessoas e o Estado.

   O outro ponto a ser usado por Wagner se relaciona aos indicadores de gestão. Atesta que, com os números que já possui, todas as suas marcas são melhores do que as de Souto. Vai, portanto, fazer comparativos, ressaltando, sempre, a gestão participativa, com diálogo e com republicanismo.

   SOBRE O MINISTRO 
   GEDDEL E O PMDB

   Wagner situa ser um político com projeto definido e que trabalha para renovar o mandato de Lula, com a ministra Dilma Rousseff, e o seu mandato. O PMDB, para ele, faz parte da aliança nacional com Lula; e regional, com ele. Em sendo assim, considera o ministro Geddel alinhado e integrado a sua chapa como candidato a senador.

   - Geddel me disse que deseja ser senador e falou também ao presidente Lula, diz Wagner para colocar em on. Daí que, na sua concepção, o que vale é essa conversa, esse horizonte, consubstanciada na tese de que "não adianta romper uma aliança só porque já quebramos o tabu".

    Explicando melhor aos leitores é o seguinte: o tabu era ACM e seu grupo derrotados, em 2006, graças a aliança majoritária PT/PMDB. Então, personificando o tabu em Paulo Souto, não haveria motivos para um rompimento PT/PMDB, abrindo-se uma nova frente e/ou a possibilidade de fortalecimento de Souto.

   - Estou fazendo o jogo nacional e do presidente Lula, inclusive ampliando alianças como fizemos ontem, com o PDT (a visita do ministro Carlos Luppi ao governador se encerrou na madrugada desta sexta-feira) e trabalhando com equilíbrio.

   Ademais, segundo o governador, o PT da Bahia já definiu o seu nome como candidato natural a governador e uma chapa aberta com candidatos a senador (dois) e o candidato a vice-governador, tendo o PMDB como aliado fundamental.

   SOBRE O SENADOR
   CESAR BORGES E O PR

   - Vejo que o caminho do senador Cesar Borges é a outra chapa (de Paulo Souto), comenta sem saber exatamente como será o comportamento do senador diante da aliança do DEM com o PSDB, uma vez que o PR, nacionalmente, se alinha com o presidente Lula.

   - Eu não sei como funcionará. O que vejo é a cúpula do PR na Bahia com Serra. Agora, não trabalho com política enganando. O senador Cesar Borges trabalha pensando na situação política dele e fui claro a ele e seu partido (Alfredo Nascimento e José Múcio) ao não lhe garantir uma vaga na nossa chapa como candidato a senador.

    Segundo Wagner, uma vaga será do PMDB e a outra dos partidos aliados e Cesar teria quer disputar essa parada.

    SOBRE O PREFEITO
    JOÃO HENRIQUE

    - Não escolho adversário; escolho aliado, diz situando que tem o prefeito João Henrique, ainda hoje, na conta de aliado. Mas, preferiu não comentar sobre prováveis candidaturas de João Henrique, em 2010, dado seus movimentos políticos instáveis, inmensuráveis, de altos e baixos.

   SOBRE O SECRETÁRIO
   WALTER PINHEIRO

   - Não há causa e efeito na nomeação de Pinheiro (deputado Walter Pinheiro) como secretário do Planejamento, diz o governador quando questionado se Pinheiro estaria na Seplan para trabalhar seu nome ao Senado, em 2010. 

   - Conversei com ele e acertei para ficar até o fim do nosso primeiro mandato. O pleito natural para ele é 2012. Vejo seu trabalho como importante para nosso governo nesse momento da gestão, de interagir com Brasília e os Ministérios, acentua o governador.

    Para o governador, o PT trabalha com o conceito de chapa aberta, em 2010, evidentemene sem excluir qualquer nome do partido na disputa, mas, a missão de Pinheiro é de ser um facilitador no processo de gestão e da colheita dos frutos.

   SOBRE A REELEIÇÃO DE
   MARCELO NILO NA ALBA

   O governador comenta que a primeira eleição do deputado Marcelo Nilo (PSDB), presidente da ALBA, em 2007, foi de reciprocidade ao apoio que recebeu deste partido, em 2006. 

   Já sua reeleição, de acordo com Wagner, deu-se em função do tensionamento com o PMDB. O PT abriu mão da condição de eleger o presidente, o que seria natural, e apoiou Marcelo, diante "escaramuças que ocorreram nas comissões" provocadas pela bancada do PMDB. 

   - Falei claramente ao deputado líder do PMDB, Leur Lomanto Jr, quando se opôs a candidatura Marcelo de que não trabalhava com veto e sugeri que sentassem e fizessem uma chapa.

    Wagner admite que o PMDB estimulou a candidatura Elmar Nascimento (PR), daí uma maior adesão do seu partido (PT) a Marcelo e sua reeleição.

    SOBRE O PROJETO QUE
    ALTERA DE 8 PARA 9 DEPUTADOS
    NAS COMISSÕES

    - A oposição faz o papel dela, de reclamar. Eu também já fui oposição. Agora, a democracia é o exercício da maioria, comenta dizendo ser natural a mudança e salutar pois abre espaço a votação do presidente, e é uma praxe em todas as Assembleias Legislativas do país.