Os adjetivos que Wagner usou para qualificar o adversário e sua gestão, como mentiroso, falsário, incompetente, ingrato e covarde, tiveram efeito tonificante no público e na militância. O governador falou como se mandasse um recado olho-no-olho: "Prefeito João Henrique, olhe no espelho e admita que não tem preparo para governar uma cidade como Salvador!".
Wagner disse que o prefeito usa o termo traição para esconder a incompetência. "No momento eleitoral, é fácil cuspir pra baixo", disse, numa referência à tática do candidato à reeleição de transferir responsabilidades das questões negativas do seu governo para ex-auxiliares. E emendou: "Esses partidos sofreram durante 40 meses, não boicotaram o seu governo como você agora faz comigo", disse, citando a obra do Hospital do Subúrbio.
Aproveitou para diferenciar subserviência de alinhamento político ao falar de sua relação com Pinheiro e Lula. "Lula não é meu chefe. Não vou ser chefe de Pinheiro porque a Prefeitura precisa de um homem que se respeite e a covardia é própria daqueles que não têm liderança", disse Wagner, para quem, nos últimos meses trocaram o prefeito de Salvador. "O que aí está é só de faz-de-conta, não é ele quem governa, que comanda", sentenciou.
INGRATIDÃO
Um dos momentos mais duros de seu discurso foi quando acusou João Henrique de ingratidão, recordando o empréstimo que conseguiu, ainda como ministro do governo Lula, para que a Prefeitura pagasse os salários atrasados dos servidores. "Prefeito João Henrique, se o senhor tivesse um milímetro de gratidão, não se referia dessa forma ao meu governo", afirmou.
Mas não parou aí. Ele traçou um histórico de ingratidão do prefeito que revela bastidores familiares. Segundo Wagner, em 2006, João Henrique preteriu a campanha do pai ao Senado para jogar peso na candidatura da esposa que disputava um mandato de deputada estadual. "Cheguei a chamar a atenção dele na frente do pai, até comitê de João Durval em Salvador fomos nós que bancamos. Falo isso porque respeito meu pai e desejo o mesmo ao pai dos outros", contou o governador.
Contundente, Wagner afirmou que o novo para Salvador é Pinheiro, pois "ele é a crítica a uma gestão sem rumo, que viveu e bebeu o tempo todo no PDT e PSDB e depois traiu os que abrigaram a sua candidatura em 2004". Em seguida rebateu as insinuações feitas pelo prefeito, em recente debate na televisão, de que Wagner teria lhe pedido para ser o candidato a governador. "É mentira que eu tenha lhe pedido isto. Eu ofereci-lhe a candidatura, por estar melhor pontuado nas pesquisas, o senhor disse que não queria ser candidato a governador porque era uma tarefa difícil e o senhor não tem capacidade para realizar tarefas difíceis", disparou.
O governador reiterou sua condição de "homem de partido" e disse que "não adianta tentarem me agradar dizendo que eu sou bom, mas o meu partido não presta. Nós ganhamos a eleição para plantar na Bahia a semente do novo, da liberdade".
Ao final, mesmo reconhecendo a postura correta do Presidente da República em manter-se distante da disputa em Salvador, Wagner confidenciou, fazendo um chamamento em praça pública: "Peço seu voto para Pinheiro e Lídice, em meu nome e do presidente Lula, que, nas conversas reservadas, torce para que dê o 13!".
PINHEIRO
Ultimo orador da noite, o candidato a prefeito Walter Pinheiro, depois de agradecer a "participação especial" de Wagner na campanha, disse estar imbuído em "fazer uma grande revolução na prefeitura de Salvador". Recordou a sua história na luta política, os embates que enfrentou na época da ditadura, quando trabalhava na Telebahia, em plena era carlista. Uma época em que se buscava "envolver as pessoas, compartilhar a construção do movimento", pontuou.
Assim como Wagner, Pinheiro demonstrou a inconsistência da candidatura do seu adversário, que é incapaz de realizar as transformações de que a cidade demanda. Desde o início da campanha, lembrou Pinheiro, João Henrique tem dito que "os erros são dos secretários; os acertos são do prefeito" - com isto tenta se livrar da responsabilidade de algumas ações para capitalizar outras, como os ganhos do SIMM, da gestão plena na saúde e da informatização na matrícula escolar. Todas realizações das pastas dirigidas por militantes dos partidos da coligação de esquerda. Além de não assumir as suas responsabilidades, o prefeito acabou tornando-se uma "marionete", um personagem de "prefeito de quatro meses", o tempo do período eleitoral.
Pinheiro denunciou as opções que o prefeito tem tomado contra a cidade, como acelerar licenças de construção em áreas de mata atlântica na Paralela e tentar inviabilizar a construção de um hospital numa área degradada de uma das regiões mais pobres da cidade. "Um prefeito que mantém em Salvador mais de 150 mil analfabetos e mais de 370 mil desempregados não tem o que festejar", afirmou. Ao contrário, deve adotar soluções, como os Centros de Formação Profissional, como o que será feito no Subúrbio, reutilizando a fábrica da Estrada da Cocisa, que funcionará como um "farol da cidadania". Pinheiro revelou estar articulando com o Ministério da Educação e outras agências federais, a UNEB e com o governador a montagem de uma universidade pública no Subúrbio. "Salvador precisa de um prefeito que cuide de nossa gente", pregou.
No final do discurso, o candidato denunciou o uso de esquema para-militar pelo seu adversário, revelando que um grupo armado, em um automóvel, agrediu uma equipe do comitê de Pinheiro que estava colando cartazes em muros, durante a madrugada. Há rumores na cidade de "que irão comprar a boca de urna. Mas vamos responder com a nossa militância", conclamou Pinheiro.
Ele pediu ao povo na praça para ocupar as ruas com o vermelho do 13. Recomendou que ninguém se deixasse abater com pesquisas, pois se elas funcionassem ele estaria fora do segundo turno. "A melhor pesquisa é a nossa persistência, a militância, a vontade de mudar Salvador. No domingo não deixe a bandeira em casa, use a camisa vermelha. Este é um projeto do povo de Salvador. Agora é a hora de Salvador ter um prefeito de verdade. A cidade não vai perder esta oportunidade. Bandeira na mão, vermelhou no coração e o 13 na urna", recitou.