Caso seja verdade esse impedimento da assunção do mandato de deputado federal pelo Bispo Marinho (PR), vinculado a IURD, na vaga de Luis Carreira (DEM) , que será o coordenador da campanha de ACM Neto a prefeito de Salvador, o fato precisa ser melhor explicado, para não parecer autêntico presente de grego, sem que se precise buscar uma denominação mais sui generis.
Vejam só, o governador Wagner tinha oferecido uma secretaria ao PP, para ser ocupada por deputado federal da sua bancada, o que, por via travessa ou intencional, permitiria a assunção do Bispo, dada a sua condição de primeiro suplente da coligação PR/PP/PFL que disputou a eleição de 2006.
Com esta perspectiva aberta, o radialista Raimundo Varela (PRB), então candidato a prefeito defendido pelo bispo, parte para conversar com o governador, acenando com a possibilidade de compor o seu partido com o PT.
Neste ínterim, vem o DEM e oferece a vaga de vice e o mandato temporário, tudo isto passando pelo comando do PR, senador César Borges e deputado José Rocha.
Ora, em 1991, José Rocha era primeiro secretário da ALBA e acompanhou de perto o caso semelhante da licença por interesse particular de do então deputado Timóteo Brito, que, depois de ser acolhida pela presidência da Casa, foi cancelada, com base no que estabelece a Constituição Estadual, que transcreve por igual o disposto na Federal.
O Bispo Marinho preparou-se mesmo para assumir a vaga, tanto que pediu demissão do cargo de assessor que ocupava no gabinete do deputado estadual Ivo de Assis, também vinculado a IURD.
Será que não veio a memória do deputado José Rocha o episódio que presenciou na ALBA ou foi uma maneira de envolver o bispo num caminho sem retorno, sabendo que a proposta não tinha amparo constitucional?