Durante a apresentação, o secretário foi claro ao assegurar que a Saúde na Bahia vai muito bem e que a crise no setor é uma criação da imprensa. "Eles (a imprensa) fazem denúncias de casos específicos e não ouvem a Sesab", afirmou Solla. "Após mais de uma hora de explanação do secretário, tive a impressão de que não estávamos tratando da Saúde na Bahia, mas de um país do primeiro mundo", rebateu Penedo Filho que, durante a audiência apresentou diversas manchetes de jornais baianos retratando a crise na saúde.
De acordo com o líder da Oposição, "nunca, na história da Bahia, se viu uma perseguição tão cruel por parte da imprensa", ironizou. "apresentei diversas matérias jornalísticas que retratam o vexame e o caos na Saúde e secretário disse que a realidade da Bahia não é essa e que os fatos são criados pela imprensa. Apresentei dados do Ministério da Saúde sobre o Programa Saúde na Família (PSF), de que a cobertura em dezembro de 2006 era de 52.49% e em dezembro de 2007 esse número caiu para 49.1% e o secretário disse que os dados são equivocados. Saí da audiência convencido de que a estratégia da Sesab é equivocada, pois acusa a imprensa, que nada mais faz do que retratar a realidade da Saúde na Bahia", enfatizou.
Já o líder do Democratas na Casa e vice-presidente da Comissão de Saúde e Saneamento, deputado Heraldo Rocha, a maior comprovação de crise no setor da Saúde foi a decretação, pelo prefeito de Salvador, João Henrique Carneiro (PMDB) de estado de emergência na área. "Ora, de que partido era o secretário municipal de Saúde? Do PT. E o secretário do Estado? Do PT. O governador do Estado e o presidente da República? Também do PT. Estão todos no mesmo barco. Afundaram a Saúde de Salvador e a Saúde do Estado. E querem responsabilizar a imprensa? Isso não podemos admitir. A responsabilidade é do Estado, do secretário e do PT", afirmou Rocha.
APENAS 20% DOS POSTOS
O democrata destacou que o Programa Saúde na Família (PSF) em Salvador tem apenas 20% dos postos em funcionamento. "Os que funcionam, estão em péssimo estado. Muitos médicos abandonaram os empregos por falta de pagamento. Os hospitais filantrópicos entregaram os postos porque não receberam. A secretaria municipal ficou com R$10 milhões em caixa para comprar medicamentos, enquanto faltavam medicamentos nos postos para a população e querem dizer que não há crise no setor? Responsabilizam a tal 'herança maldita', passados quase 18 meses de administração?", lamentou Heraldo Rocha.
O deputado também destacou que os parlamentares de oposição fizeram diversos questionamentos que não foram respondidos pelo secretário Jorge Solla. "Ele ironiza, disfarça, tergiversa, mas não responde os questionamentos. Afirma apenas que a saúde vai bem enquanto os baianos enfrentam as 'filas da morte', a central de regulação não funciona, não há medicamentos para transplantados, portadores de lupus, tuberculosos, hospitais rejeitam pacientes, há aumento de dengue, tuberculose, meningite. Mas a culpa é da imprensa, não da incompetência do secretário do PT", ironizou o democrata.