Política

ONGs DESMORALIZARAM TERCEIRO SETOR NO BRASIL OU ERA IDÉIA EQUIVOCADA

Do ex-blog de Cesar Maia
| 27/05/2008 às 10:24


1. Uns 20 anos atrás, surgia como alternativa a alardeada ineficiência do setor publico, o Terceiro Setor, que através de ONGs e detendo o conhecimento, a prática e a ética, substituiriam com vantagem muitas das funções do poder público. Seriam até a solução para as questões sociais -e em especial- as de inclusão social. Os editoriais da grande imprensa saudavam este caminho e o estimulavam.

2. Caminho fácil -que se eximia de licitações e de concurso público- em nome da competência, seriedade e moral. Já no inicio dos anos 90 apareciam alguns levantamentos curiosos mostrando que havia no Rio e em SP -capitais- mais ONGs com foco em população na rua, que o número de pessoas nestas condições.

3. O facilitário arrombou as portas para a criação de ONGs de todos os tipos. Os governos passaram a ser grandes contratadores. E -como desdobramento- os amigos dos dirigentes dos governos, passaram a ser contratados como ONGs, e em grande medida, ONGs destes mesmos dirigentes, que foram formalmente substituídos na direção das mesmas e passaram a ser seus contratadores.

4. As ONGs de todos os tipos proliferaram, e esta multiplicação se deu exatamente entre as "picaretOngs". Os recursos privados minguaram. Os recursos públicos explodiram. As ONGs deixaram de ter foco como no inicio (Greenpeace todos sabem qual o foco, Viva Cazuza todos sabem qual é o foco...) e se transformaram em empresas prestadoras de serviços, de qualquer tipo de serviço.

5. Nos últimos anos a expressão Terceiro Setor sumiu do noticiário. O Terceiro Setor -como alternativa- literalmente implodiu. Restam as ONGs hoje submetidas -várias delas- a processos judiciais, a CPI, e passou-se a exigir que sejam regulamentadas e que possam ser auditadas em suas contas por parte do controle interno do setor público e dos tribunais de contas.

6. O que estava errado na idéia do Terceiro Setor ? A imprensa nos deve uma matéria de fôlego a este respeito, pois o entusiasmo com que recepcionaram a idéia, merece -que o distinto público- saiba se a idéia era prenhe das distorções que trouxe, se foi mal aplicada, se faltaram regras -aliás nunca exigidas de partida-...

(Do ex-blog de Cesar Maia)