Francisco Waldir Pires de Souza nasceu em 21 de outubro de 1926, na cidade de Acajutiba (BA). Aos 16 anos mudou-se para Salvador, onde iniciou sua vida política no movimento estudantil. Foi orador da turma de Direito de 1949, ano do Quarto Centenário de Salvador.
Orador brilhante chamou a atenção da platéia que lotava as dependências do Fórum Ruy Barbosa, inaugurado àquele ano. Entre os presentes, o governador Octávio Mangabeira, Antonio Balbino e Régis Pacheco. Este último se elegeria para o governo do Estado em 1950 e, guardada a boa impressão do orador e sob a indicação de Balbino, convidou Waldir Pires para ser secretário de Estado, cuidando das relações civis.
No governo, Waldir demonstrou suas qualificações de homem público: com cordialidade, exercia a alta política, coordenando as relações do governador com seus secretários. Ao fim do governo, com o distanciamento entre Balbino e Régis, optou pela coerência: ficou ao lado de Balbino, líder do PSD que o indicara ao cargo. Em 1954, Waldir se elegeu deputado estadual.
Tornou-se peça-chave, ao lado do amigo e companheiro Raimundo Reis, na sustentação do governo de Antonio Balbino. Era o início de sua vida parlamentar. Em 1958, venceu a eleição para deputado federal e se credenciou como candidato ao governo do Estado, em 1962.
Por muitos motivos, 1962 é um ano de divisões e escolhas. Agravava-se a crise política nacional, após a renúncia de Jânio Quadros e a posse do vice, João Goulart. O País caiu numa rápida e tumultuosa experiência parlamentarista. Na Bahia, as disputas se afunilaram em dois nomes, na sucessão estadual: Lomanto Júnior (PTB) e Waldir Pires (PSD). Waldir representava a ascensão do eleitorado urbano. Mas a força de Lomanto, no interior, fez com que este vencesse o pleito de 1962, com uma vantagem de 3% dos votos.
Em 1963, o presidente João Goulart o convidou para o cargo de Consultor Geral da República, onde ajudou a elaborar, a Lei de Remessa de Lucros e Dividendos e a lei de Reforma Agrária. Paralelamente, era professor de Direito Constitucional da UnB (Universidade de Brasília).
Com o golpe de 1964, exilou-se na na França.. Seria cassado na primeira lista dos militares. Em Paris, voltou a exercer o ofício de professor de Direito, com o apoio do economista Celso Furtado.
Na década de 1970, retornou ao Brasil, sem poder, no entanto, retomar suas atividades políticas nem ter a segurança de voltar a residir na Bahia. Assim que foi iniciado o processo de abertura política, Waldir retorna a sua terra natal e contribui para a redemocratização do País no MDB (Movimento Democrático Brasileiro). Em 1985, foi nomeado ministro da Previdência, no ministério composto por Tancredo Neves, falecido antes de assumir o cargo.
Em 1986, o reencontro com a vitória: é eleito governador da Bahia com uma frente de 1,5 milhões de votos sobre o candidato Josaphat Marinho (PFL).
Em 1989, disputou a convenção nacional do PMDB para ser candidato à presidência da República. Perdeu para Ulysses Guimarães. Adiante, firmaram uma aliança e Waldir seria vice da chapa de Ulysses à Presidência.
Em 1994, já apoiara a campanha de Luiz Inácio Lula da Silva à presidência e, em 1998, se filiou ao Partido dos Trabalhadores.
Em 2002, com a histórica vitória de Lula, foi convidado para a Controladoria Geral da União (CGU) e depois no Ministério da Defesa.