"Não estamos modificando os mecanismos que aparentemente facilitam a corrupção, como o Orçamento e a forma do sistema eleitoral. Cabe ao presidente da República comandar um processo de reforma nestes aspectos", disse o ex-presidente a jornalistas após realizar palestra na Universidade Santa Úrsula, no Rio de Janeiro.
A mudança do regime eleitoral atual (proporcional) para o distrital misto e o fim das emendas parlamentares individuais ajudariam a minimizar o desvio de recursos públicos no Brasil, acredita.
VOTO DISTRITAL
Para Fernando Henrique, através do voto distrital misto os eleitores poderiam acompanhar mais de perto o trabalho dos políticos. Já o fim das emendas individuais impediria a aplicação de recursos em obras pouco relevantes.
No sistema de voto distrital, o País é dividido em distritos eleitorais: regiões com aproximadamente a mesma população. Cada distrito elege um deputado para completar as vagas do Congresso. No sistema misto, parte dos deputados é eleita pelo sistema distrital e parte pelo sistema proporcional.
"A corrupção extrapolou no Brasil. Não me refiro a este caso (Operação Navalha). Temos assistido a uma série infinita de processos de corrupção. Há duas leituras para isso. Ou está se descobrindo mais porque a imprensa e a polícia estão mais ativas, ou porque há muita corrupção", acrescentou o ex-presidente.
Em relação a Renan Calheiros, Fernando Henrique se utilizou de declarações de outro parlamentar. "Não sou mais senador, mas vou dizer o que disse o senador Pedro Simon (PMDB-RS). Ele disse que é melhor afastar, fica mais fácil", afirmou.