A informação divulgada pela imprensa dando conta de que a ministra Eliana Calmon, do STJ (Superior Tribunal de Justiça), determinou na última segunda-feira, 28, o afastamento de três delegados da Polícia Federal (Paulo Bezerra, César Nunes e Zulmar Pimentel), oficialmente, ainda não chegou ao gabinete do secretário de Segurança Pública da Bahia, Paulo Bezerra, que se mantém no cargo.
Segundo sua assessoria de comunicação, o secretário Bezerra aguardará a confirmação (ou não) da solicitação da ministra do STF e, de acordo com a hierarquia no âmbito do governo do Estado, esperar uma manifestação do governador Jaques Wagner, o qual, recentemente, considerou o secretário de confiança.
Paulo Bezerra esteve esta manhã na Rádio Nova Salvador FM falando dos seus projetos junto à SSP, as ações que vem desenvolvendo no interior do Estado em conjunto com o Ministério Público, OAB, TJ e outros, mas, nada falou sobre o seu provável afastamento à pedido da ministra Eliana Calmon.
Agora, a pouco, no Balanço Geral da TV Itapoan, o juiz da 2ª Vara Criminal, Durval Carneiro Neto, votlou a comentar na imprensa a mudança de foco da Operação Navalha e revelou algumas ações tomadas por ele para investigar a conduta do delegado Paulo Bezerra e outros. Mas, destacou que estava apenas se defendendo, e relatando fatos que estão nos autos.
RUMO DAS INVESTIGAÇÕES
A ministra Eliana Calmon vai se reunir nesta terça-feira, 29, com representantes do Ministério Público para definir o rumo das investigações sobre o esquema, após a tomada dos depoimentos dos acusados. Ela deve pedir a quebra dos sigilos fiscal e bancário dos envolvidos e da construtora Gautama, apontada como a cabeça do esquema.
Intimou, também, o ex-ministro de Minas e Energia Silas Rondeau e os governadores de Alagoas, Teotônio Vilela Filho (PSDB), e do Maranhão, Jackson Lago (PDT), a prestarem depoimento sobre o esquema de fraudes em licitações para a realização de obras públicas, desmontado pela Operação Navalha, da Polícia federal.
Os depoimentos foram marcados para quarta-feira, 30. Além deles, no mesmo dia, a ministra deve ouvir o deputado distrital Pedro Passos (PMDB) e Ulisses César Martins de Sousa, conselheiro federal da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil).
ZULEIDO AINDA
ESTÁ PRESO
Depuseram no decorrer das investigações, Tereza Freire Lima, funcionária da construtora; Rodolpho de Albuquerque Soares de Veras, filho de Zuleido Veras (dono da Gautama); o administrador Henrique Garcia; Gil Jacó Carvalho Santos, diretor financeiro da construtora; e, por último, Abelardo Sampaio Lopes Filho, também diretor da Gautama. Todos tiveram o decreto de prisão revogado após os depoimentos.
O decreto de prisão de quatro suspeitos foi mantido pela juíza: o de Zuleido Veras, proprietário da Gautama; o de Maria de Fátima Palmeira e de Vicente Coni, diretores da Gautama; e o decreto de João Manoel Barros, funcionário da empresa.
Sobre o depoimento de Tereza, a ministra disse que ela mentiu e omitiu informações. Mas que mesmo assim iria revogar sua prisão por considerar que "a funcionária não oferece risco para a coleta de provas da Operação Navalha".