Política

RENAN SE DEFENDE NO SENADO, ADMITE PECADO, MAS NÃO CONVENCEU A NINGUÉM

O presidente do Senador, Renan Calheiros, se defendeu esta tarde
| 28/05/2007 às 17:08
  Acabou de falar no plenário do Senado, o presidente Renan Calheiros (PMDB), o qual, se defendeu das denúncias de ligação com um suposto lobista. Mas, no essencial, sobre o dinheiro recebido não convenceu parte do Congresso e a imprensa.

   Admitiu o "pecado" de ter tido uma filha fora do casamento, mas negou que Cláudio Gontijo, suposto lobista da construtora Mendes Júnior, tenha pago pensão para ela. Calheiros disse que a reportagem da revista Veja o levou a confessar no Senado "um pecado que só deveria ser feito no confessionário". 

   Admitiu a paternidade da menina de 3 anos e disse ter enviado pessoalmente uma mesada para ela até 2006 através de cheques. Calheiros declarou que, depois disso, os valores repassados à filha foram descontados diretamente de seus subsídios como senador.

   Ele afirmou que há registros dos repasses em suas declarações de Imposto de Renda, o que comprovaria que não houve interferência de terceiros no pagamento da mesada. O presidente do Senado levou os documentos para o Plenário e os colocou à disposição.


   PAGAVA MENSALMENTE

  A revista Veja publicou matéria em que denunciou que Cláudio Gontijo, suposto lobista da construtora Mendes Júnior, pagaria mensalmente R$ 16,5 mil à jornalista Mônica Veloso, a título de pensão para a filha de 3 anos que ela tem com o presidente do Senado e aluguel do apartamento onde as duas moram. Renan e a construtora negaram qualquer ilegalidade.


   Renan afirmou que Cláudio Gontijo é seu amigo há mais de 20 anos, desde o tempo em que ainda não era empregado da construtora Mendes Júnior. "Não nego e não renego minhas amizades. Serve para esse episódio e para todos os outros da minha vida", disse. "Ao Cláudio Gontijo peço desculpas pela exposição do seu nome, pelo cumprimento de um pedido feito pela amizade. (...) Todos os recursos foram pagos por mim".


   Calheiros se disse "constrangido" de falar sobre sua vida pessoal em Plenário e pediu desculpas à mulher, Verônica, presente no Senado, e aos filhos. "Esse é o falso escândalo que a Nação estarrecida acompanha, não se pode imaginar a repercussão dessas acusações na intimidade das pessoas, principalmente da criança que tem o direito de viver sem traumas", afirmou.


   O senador reclamou da invasão da sua privacidade, que disse ser garantida a todos pela Constituição, e classificou as denúncias como "sórdidas". "As matérias jornalísticas não passam de ilações perversas", criticou.