Medrado destacou que Salvador é a terceira capital Brasileira em população, com mais de 2,6 milhões de habitantes, mas, infelizmente, é uma das capitais que apresenta os mais baixos indicadores sociais do país, "quer porque herdou dos seus ancestrais e do passado colonialista problemas ainda hoje insuperados, quer porque- situada no Nordeste Brasileiro- ostenta os piores indicadores do Índice de Desenvolvimento Humano, o IDH, se comparada a capitais do centro-sul".
O deputado comentou que "a violência aflorou de maneira ainda mais contundente durante os festejos do carnaval de Salvador que, justiça seja feita, é a maior manifestação da cultura popular a céu aberto do planeta. Esse fato colocou a nossa Capital na mídia nacional como sendo a única excessivamente violenta quando, na verdade, é isso que também ocorre em outros grandes centros urbanos Brasileiros".
EM TODO PAÍS
- Com isso - afirmou - não quero dizer que Salvador seja totalmente pacífica, que nosso Carnaval foi plenamente tranquilo, porém pretendo esclarecer que os problemas, gerados com o crescente aumento da violência, não foi um situação restrita a Salvador, mas a todas as capitais que promoveram carnavais. Não citarei nomes de outras cidades um vez que desejo me referir somente a Salvador porque é onde moro, é a cidade onde atuo politicamente e onde almejo que essa grave situação seja revertida, proporcionando melhor qualidade de vida para nossa população, objetivando, assim, atingir indicadores sociais positivos e exitosos.
Para concluir disse o deputado: "Estou plenamente convicto de que isso não é uma tarefa fácil, não é missão que se realiza de uma hora para outra, porém, sinceramente, fiquei estarrecido com o fato de que, no carnaval, a violência tenha crescido, assustadoramente, em minha cidade, com a ocorrência de 21 homicídios durante o período, embora a policia só considere 03 deles dentro dos circuitos do Carnaval. Estarreceu-me ainda os seguintes acontecimentos: mais de 1.200 furtos, representando acréscimo de 7,6% em relação ao ano anterior; 167 roubos à mão armada com incremento do 60,6% quanto a 2006, além de 1500 registros de agressões físicas".
Causou-me, ainda, perplexidade o fato de serem contabilizados, pela polícia, mais de 95 arrastões a ônibus, vários assaltos feitos por grupos de homens armados, alguns deles somando até 30 marginais, sendo que a Secretaria de Segurança Pública, a cúpula do Governo Estadual na área da segurança, não tenha conseguido prendê-los. Sinceramente, assusta-me o fato de a Segurança Pública não ter sido capaz de implementar uma estratégia de ação tal que permitisse segurança àquelas pessoas mais pobres da sociedade, que viajam de ônibus, e dele dependem para irem ao trabalho.
Senhor Presidente, Senhoras e Senhores Deputados, com toda a minha experiência de homem público, Vice-Prefeito que fui recentemente da cidade de Salvador entre 1997/2004, Vereador, Deputado Federal, Secretário do Município e Dirigente Partidário, muito me preocupa esse clima de insegurança de nossa população porque essa onda de violência a que assistimos, no Carnaval, pode se tornar um situação permanente, o que será gravíssimo, com conseqüências imprevisíveis. A população de Salvador não deseja que isso se concretize.
Resido num grande bairro, que é a região do Subúrbio Ferroviário de Salvador, nossa capital, onde desenvolvo um significativo trabalho social e político. Nessas minhas atividades, infelizmente, o que tenho observado é o crescente aumento da violência, a proliferação das bocas de fumo, e dos pontos de marginalizados. E, apesar de todo esse perigoso cenário, não vejo uma ação mais inteligente e efetiva da polícia para prender esses marginais.
Até compreendo as dificuldades que tem o Governador da Bahia, Jacques Wagner, para reverter essa situação, pois está a pouco tempo no governo. Contudo, é preciso considerar que o governador é do Partido dos Trabalhadores, tem o apoio do Presidente Lula da Silva, as estruturas oficiais do aparelho policial são as mesmas, são inclusive integradas, e o comandante da Secretaria de Segurança Pública é um delegado da Polícia Federal, isto é, um homem experiente. Portanto, em razão de tudo isso, espero que o chefe maior da polícia baiana esteja analisando todas as questões, todos os ângulos dos últimos acontecimentos, objetivando tomar as medidas de prevenção mais adequadas e eficazes para o bem da Bahia.
Em síntese, Senhor Presidente, Senhoras e Senhores Deputados, desejo, de todo coração, que a Bahia não se transforme numa praça de guerra, como temos assistido em outras cidades, que Salvador seja uma cidade de Paz, acolhedora e que sua população possa viver em harmonia tanto no trabalho quanto no lazer. Solicito à Mesa Diretora que divulgue meu pronunciamento em toda a mídia disponível na Casa.
Era oque tinha a dizer.