ZedeJesusBarreto comenta que clássico não tem favorito mesmo com o Vitória jogando em casa
ZedeJesusBarreto , Salvador |
22/08/2026 às 07:57
A torcida do Vitória pode fazer a diferença
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Clássico não tem favoritos’, repete-se o chavão a cada BaVi, o maior clássico ‘derby’ do Nordeste. “Clássico não se joga, se ganha”, repetem os boleiros nos bastidores, até como mote de incentivo aos atletas, um estímulo ao jogo pegado, à garra como algo às vezes decisivo quando a rivalidade aflora. O BaVi é tudo isso, uma rivalidade histórica, dentro e fora do gramado, exacerbada a partir da década de 50 do século passado,com a inauguração da Fonte Nova, a profissionalização das equipes, os títulos nacionais do Tricolor, a construção do Barradão, a reação do Leão na sua Toca.
O BaVi, aliás Vitória x Bahia porque o jogo acontece no Barradão, mando de campo rubro-negro, domingo à tarde (16h), vale três pontos pela 24ª rodada do Brasileirão, oCampeonato Brasileiro / SérieA, principal competição nacional, em que o Bahia ocupaa 6ª posição, com 34 pontos ganhos, e o Vitória é o 12º colocado, com 29 pontos. Cinco pontos de diferença, mas o Rubro-negro, divulgam a rodo, vive um momento melhor. Talvez por conta da incrível campanha do Leão baiano na Copa do Brasil, quando detonou o poderoso Flamengo e goleou o bom time do Athlético Paranaense,em jornadas épicas no Barradão, e está nas quartas de final da competição.
PeloBrasileirão, depois de três derrotas seguidas, o Vitória venceu, por último, o Botafogo, também em casa. O Tricolor há sete jogos não perde, mas só empatou os cinco últimos confrontos, não tem vencido sequer na Fonte Nova e seu torcedor, fanático edelirante, anda injuriado. Sonhadores.
Aí mora a grande diferença, nesse momento, e pulsa o ‘favoritismo’. Fora de campo. Na postura da torcida, na narrativa da grande mídia esportiva que repete e incute a meia-verdade de que ‘o Leão na Toca’ é invencível. Sim, no Barradão, com o apoio e apressão das arquibancadas (além de outros detalhes) é difícil vencer o Vitória. Mas, antes do confronto com o Botafogo, o Vitória levou 4 x 0 do Palmeiras; e culpou a arbitragem.
A verdade é que o time de Jair Ventura tem um jeito próprio de jogar, bem encaixado, fechadinho atrás, pegando duro, sem vergonha de dar bico e faltas, conhecendo bem as ‘mumunhas’ do gramado fofo e arenoso, explorando as bolasesticadas da defesa para a velocidade de seus atacantes. E tem um repertório bem ensaiado e eficiente de bolas paradas, alçadas na área inimiga.
Vem dando certo, nem sempre mostra um futebol bonito, mas a garra supera, a manha e a catimba funcionam. No mais, o torcedor acredita, empurra, incentiva, cobra positivamente, acha que faz a diferença incendiando a peleja no gramado. Talvez aí resida a grande vantagem, hoje e agora, do Vitória sobre o Bahia. Sua torcida.
O torcedor Tricolor vive um momento nojento, de incredulidade, negativismo, buscando culpados a cada resultado tido como negativo, remando sempre contra, pran trás, empenhado apenas em derrubar o treinador a qualquer custo.
Imaginem que, na semana do clássico contra o maior rival, grupos de ‘torcedores’ nas redes mobilizados pregando derrota para derrubar logo Rogério Ceni, hoje o culpado de tudo. Ora, o treinador tem sua culpa, mas ele não joga; e o plantel do Bahia é limitado, mediano. O time em campo, no totó, às vezes nos lembra um time de seminaristas em férias; burocrático, sem pegada, sem alma. O torcedor enlouquece. Cobra contratações, esculhamba a administração do City, que pensa em negócios e está investindo uma fortuna num novo e moderníssimo centro de treinamentos, mirando o futuro.
A torcida quer resultado logo, agora, ontem...No mais, é bom lembrar, faz tempo que o Bahia não perde um BaVi.
Bem, o clássico no Barradão é de torcida única. A pressão vai ser infernal, o time de Jair Ventura está inteiro, tem um bom meio-campo - Baralhas, Martinez, Ze Vitor, Mateuzinho -, encaixado. O Bahia, depois da queda de produção do veterano Everton Ribeiro, da contusão de Caio Alexandre e da costumeira má fase de Jean lucas, ainda busca um jeito novo de jogar, seu novo meio-campo ainda não encaixou, a equipe patina e Ceni parece ter perdido o caminho das pedras.
O time finaliza mal, vem tomando gols bobos e marca muito frouxo no meio de campo.O clássico é o momento mais oportuno pra virar a chave, mudar o chip, passar de página, voltar a acender... ou vai brigar até dezembro pra não cair pra segundona; só de falar nisso o torcedor se desespera.
Na prática, o Vitória está mais inteiro, mais confiante. Jair Ventura tem dúvidas no meio de campo, não sabe se conta com Caíque e Baralhas, mais marcadores; mas Zé Vitor e Martinez vêm jogando muito e Mateuzinho voltou a correr. No Bahia, dúvidas na lateral esquerda, com Juba ainda em recuperação física, depois de um bom tempo machucado (Zé Guilherme tem entrado bem). No lado direito do ataque Ceni nãoconta com o ‘fumacinha’ Ademir (mais uma vez lesionado), nem com o garoto Kauã Furquim (servindo à Seleção Brasileira sub-20); o complicado uruguaio Kike Oliveira,desejoso de voltar para o Nacional do Uruguai, caiu em desgraça perante a torcida,mas... é uma opção.
Assim, domingo, a partir das 16h, Barradão lotado em vermelho&preto, vamos ver quem tem farinha no saco. Torcemos e esperamos uma arbitragem limpa, que não se amedronte com a pressão das arquibancadas e também nos vestiários. Que tenhamosum jogo decente e que vença quem melhor saiba construir e aproveitar as oportunidades de gol. Amém.
Oremos para que os ‘marginais’’ das chamadas torcidas uniformizadas não se matem pelas quebradas da cidade. É só futebol e a bola não merece certas atitudes. Basta de tanta estupidez.