Dedo do treinador Carlo Ancelitte que conhece bem o jogador do Real Madrid
Tasso Franco , da redação em Salvador |
25/06/2026 às 08:54
Vinicius Jr e Paquetá
Foto: FIFA /CBF
Correr pela beirada esquerda do campo, puxar para dentro e chutar para o gol. Vini Jr. ficou conhecido por fazer quase com perfeição uma das principais jogadas do futebol moderno. No Real Madrid, tem mobilidade principalmente com Mbappé e Rodrygo, mas na Seleção Brasileira, seu jogo foi ficando manjado. Mas o que mudou para o camisa 7 fazer quatro gols nos três primeiros jogos da Copa do Mundo e conduzir o Brasil em primeiro lugar do grupo C para a fase de mata-mata? O posicionamento e a condição física.
Vini continua fazendo sua jogada mais famosa. É super perigoso e, contra a Escócia, precisou se livrar da marcação dobrada do lado esquerdo britânico para fazer dois gols. Mas neste Mundial, e principalmente graças a um entrosamento bom com Matheus Cunha e Bruno Guimarães, tem também jogado mais por dentro, com trocas rápidas de bola com os camisas 8 e 9, e quebrando o lado da marcação.
“O fato de ganhar a posição [contra os marcadores] por dentro ajuda. Quando se tem a bola por fora, tem que tocar duas vezes. Por dentro, é suficiente um movimento apenas”, detalhou o técnico Carlo Ancelotti durante entrevista após a vitória por 3 a 0 sobre a Escócia.
As estatísticas da Copa corroboram a explicação do treinador. Vini Jr. lidera o quesito de movimentações para se livrar da marcação quando está atrás do defensor, com 73 ações deste tipo. Também é o primeiro colocado no quesito de bolas recebidas em profundidade, 13.
Menos esforço atrás, mais energia lá na frente
Ancelotti também destacou que Vini tem tido menos responsabilidades defensivas no estilo de jogo da Seleção, o que o ajuda a chegar inteiro nas jogadas.
“Ele está em uma condição muito boa. A equipe também lhe permite descansar quando não temos a bola, ele não precisa trabalhar muito [na defesa], então está mais fresco quando temos a posse de bola”, explicou.
A condição física de Vini nesta Copa é notável. Ele foi um dos únicos titulares a permanecer em campo durante todo o tempo nas três primeiras partidas – além dele, apenas o goleiro Alisson e os zagueiros Marquinhos e Gabriel Magalhães. Nas estatísticas da Copa, o jogador do Real Madrid é o líder em sprints, com 164 corridas aceleradas.
Vini fez gol no primeiro tempo das três partidas, mas também teve boas chances na segunda etapa dos jogos, incluindo uma bola enfiada por Neymar no final do confronto com a Escócia.
Trabalho e fé, diz Vini; ele é top, resume Ancelotti
A boa fase não passou despercebida pelo camisa 7. “Com trabalho, a evolução e a fé de que eu ia melhorar, pelo talento que eu tenho, por tudo que eu trabalho, por tudo que eu fiz no Real Madrid até hoje, eu tinha certeza de que no momento certo eu voltaria a brilhar com a camisa da Seleção Brasileira. E nada melhor do que numa Copa do Mundo”, exaltou Vini após mais uma vez sair de campo com o troféu de melhor jogador da partida.
Treinador de Vini durante boa parte da carreira do brasileiro no Real, Ancelotti mais uma vez não poupou elogios ao craque e disse ter grande satisfação em vê-lo brilhar.
“Eu não tinha dúvida de como ele poderia chegar a essa Copa. Pra ele é uma honra jogar com a Seleção, está fazendo muito bem. E também marcou um gol de cabeça, que é muito raro pra ele. Não sou eu que vou descobrir o Vini. Para mim, o Vini é um top, um dos melhores do mundo com certeza.”