O técnico, por sua experiência, não vai se dobrar a influência de torcedores e dos "técnicos" da internet
Tasso Franco , Salvador |
17/06/2026 às 10:17
Carlo Ancelotti só ele é quem decide
Foto: Rafael Ribeiro
O Brasil tem a maior quantidade de técnicos de futebol do mundo. Quando chega o momento da Copa Mundial, como agora, e aproveitando a onda das redes sociais da internet esse número se multiplica para milhões, todos a dar pitacos, alguns procedentes; outros tantos, a maioria, absurdos.
A seleção tem uma entidade – a CBF – e o técnico – Carlo Ancelotti – e sua comissão técnica. É o técnico que escala o time a jogar e modifica algumas peças no decorrer dos jogos. Assim acontece com todas as seleções. Quem está acompanhando os jogos pela TV podem observar que nenhuma equipe termina a partida com a mesma escalação, da inicial.
Numa Copa não existe titulares e sim 26 jogadores convocados que estão aptos a jogar. A crônica esportiva criou essa titularidade que, na prática, é irrelevante. Ancelotti escolheu um time para estrear contra o Marrocos, o mais robusto e experiente possível, pois, sabia que o time africano é muito bom 4º colocado na Copa do Catar.
Estão muitos dos técnicos que citei acima, sobretudo os da internet, alguns cronistas esportivos e até alguns políticos palpitam que Ancelotti deve mudar o time, sobretudo o miolo Paquetá, Raphinha e Casemiro, que não esteve bem; retirar Marquinhos e Alisson e não escalar Ibanez na lateral direita.
De fato, alguns problemas tivemos na falha de cobertura do gol marroqui, o Ibanez esteve perdido na lateral direita, que não é sua praia, o meio de campo não funcionou como se esperava, mas, ainda assim, a seleção não decepcionou. Houve um empate (1x1) apesar do domínio territorial e da bola pelos africanos. No entanto, não levamos 4x1; nem 7x1.
A seleção, portanto, tem méritos. Excelentes atletas e cabe a Ancelotti, tão somente a ele, fazer as modificações necessárias. Mas, ele sabe mais do que todos, os que deverão entrar, sem ser pressionados pelos milhões de técnicos brasileiros, pela crônica esportiva e pela torcida. Essa de querer empurrar Endrick goela abaixo não cola, um salvador da Pátria num esporte coletivo não funciona.
Até Messi, o melhor jogador do mundo, só desequilibra e faz o que faz (ontem fez 3 gols) porque atua num time bem estruturado com excelente meio de campo (Rodrigo de Paul e Alex Mac Allister) e defesa segura. Ou seja, há um conjunto em campo. Quem viu o jogo da França contra o Senegal também presenciou o futebol de forma coletiva com Olise, Kanté e Tchouaméni; e Dembelé e Mabppé (atacantes, indo e voltando), Olise colocando os atacantes na cara do gol.
E também os atletas têm que compreender que, quem foi convocado (os 26) trocar um por outro não é demérito, e depende dos jogos, das circunstâncias. Neymar Jr, em campo, vai depender além das circunstâncias do futebol de sua condição física. E se Ancelotti o levou é porque tem alguma estratégia para usá-lo.
Eu não concordo, observando outra questão, que no momento da Copa o técnico apareça toda hora na televisão como garota propaganda de uma cervejaria. No Carnaval, tudo bem, mas, agora o foco é a Copa, isso não lhe tira o foco, mas o expõe de forma argentária ao torcedor. Agora, se a CBF consentiu, paciência. É ruim para a imagem da entidade.
Que Ancelotti vai mudar o time isso parece consensual, mas não vou opinar que faça isso ou aquilo porque ele é técnico e a responsabilidade é dele, somente dele. (TF)