Esporte

MÉXICO ABRE COPA COM SHOW ASTECA, DE RAIZ, E VENCE 2X0 A ÁFRICA DO SUL

ZédeJesusBarreto comenta que espera uma grande copa apesar dos protestos e do mundo conturbado em que vivemos
Tasso Franco , da redação em Salvador | 11/06/2026 às 19:28
Raul Jimenez fez o segundo gol do México (2x0) na África do Sul
Foto: diario do MÉXICO
  O México abriu a Copa do Mundo 2026 com apresentações culturais valorizando a cultura asteca, sua raiz, mas, não chegou a emocionar. A sua seleção, no jogo de abertura da Copa, no estádio Azteca, venceu bem (2 x 0) aseleção da África do Sul e deu um passo largo em direção à classificação para a próxima fase da competição.

   Foi uma partida mais corrida do que tecnicamente bem jogada. Os mexicanos souberam tirar proveito da altitude e foram favorecidos com a expulsão de dois sul-africanos, por jogadas violentas. Arbitragem segura e rigorosa do brasileiro Wilton Sampaio. Só o começo de uma competição que vai até 19 de julho e com muitos problemas fora dos gramados, que vão da segurança, dos ‘controles’ da imigração dos EUA, aosaltos preços dos ingressos, protestos contra a presidente do México.

 Com bola rolando ...

   Os donos da casa começaram em cima, pressionado, marcando a saída de bola defensiva do adversário, beneficiado com a altitude. Daí, num vacilo do defensor sul-africano, que perdeu a bola nas imediações da meia lua, saiu o primeiro gol da Copa2026.

  - Gol! 1 x 0 México, aos 9min. Quiñones recebeu limpa na linha grande área e mandou bala, abrindo o marcador, inaugurando o placar da Copa. Detalhe: o meia-atacante nasceu na Colômbia, mas joga, vive e tem nacionalidade mexicana.

  - Aos 42’, Quiñones acertou o pé da trave sul-africana. Só aos 44’ o time africano chutou em gol, de longe, nas mãos do goleiro.O México foi melhor na primeira etapa, mais volume, mais objetividade. Notícias de muita tensão fora, nas imediações do estádio, com alguns confrontos entre manifestantes e policiais.

  Os donos da casa recomeçaram à toda, buscando o gol. Aos4’, o zagueiro Shitole foi expulso, depois de barrar com falta um atacante mexicano que entrava em velocidade na área. Primeira expulsão da Copa, África do Sul ficou com um atleta a menos em campo. Complicou ainda mais pros visitantes.

  - Gol! 2 x 0 México, aos 22min. Raul Jimenez, escorando na pequena área, de cabeça, um cruzamento largo da direita. Com um a mais em campo, praticamente garantindo o triunfo mexicano, na estreia.- Aos 38’, com o auxílio do VAR, o árbitro brasileiro expulsou o jogador Zwane, da África do Sul, por agressão sem bola. 

  Os africanos com dois atletas a menos em campo.- Aos 45’, o defensor Montes foi também expulso, por uma entrada violenta na entrada da área mexicana, e era o último homem.

- Choveu pela manhã na Ciudad de México e houve manifestações, protestos d egrevistas e familiares de pessoas assassinadas pelos cartéis mexicanos. As imediaçõesdo estádio foram bloqueadas e protegidas pelas tropas policiais.

  - Bela a chegada da equipe África do Sul ao Estádio Azteca, com cantos e danças, todos de branco. Como fosse um ritual. Expressão da cultura sul-africana, lembrando a Copa de 2010.- Cerimônia de abertura no gramado do Azteca (2.250m/altitude), coreografias, danças típicas, cores, músicos, cantorias, vídeos, performances... destaques pra colombiana Shakira e o nigeriano Burne Boy. Depois, o tenor Bocceli. 
 
   Arquibancadas cheias, torcida mexicana em verde e branco, maioria absoluta (mais de 80 mil presentes).- Antes do apito, o desfile com as bandeiras dos 48 países que participam da competição. Presença de ex-atletas na ‘tribuna de honra’, como Cafu, Roberto Carlos, Materazzi, Puyol, Baggio...

 - Arbitragem brasileira, com Wilton Pereira Sampaio no apito (sem problemas, a despeito das três expulsões, justas). Os sul-africanos em campo de amarelo dourado e os mexicanos de camisetas verdes e calções brancos.

  - Ainda no dia 11, quinta, às 23h, pela 1ª rodada do Grupo A, Rep. Tcheca x Coreia doSul, em Guadalajara/Méx.o

  A Copa do Mundo de futebol/2026 é a 23ª edição do evento FIFA, que começou em 1930, no Uruguai, e acontece a cada quatro anos (não houve em 1942 e 1946 por conta da Segunda Guerra, de 1939 a 1945).

  É a primeira Copa disputada em três países (EUA, México e Canadá/ América do Norte), com três cerimônias de abertura diferentes (uma em cada país) e om 48 seleções. Das 104 partidas previstas, 78 serão disputadas em cidades dos EUA.

  Clima de guerra- Há uma grande expectativa pairando sobre o evento por conta de os EUA viver um momento político de turbulências, causado pelos bombardeios (guerra, de fato) norte-americanos e israelenses no Irã. Tempos de guerra. Também pelos discursos e ações agressivas do governo Trump, sua política anti-imigração, lidando com problemas domésticos de oposição e bastante hostilizado não só no Oriente Médio (palco daguerra) como por várias lideranças de países africanos e também da União Europeia.

  Isso, essa questão geopolítica, explica (concordemos ou não) o forte esquema de segurança montado pelo governo Trump - o sistema de informação e de imigração - buscando controlar tudo e todos que entram no território dos EUA. É uma questão desegurança nacional, para eles, óbvio. É preciso prevenir para que não aconteçam atosterroristas, atentados, uma bomba... vítimas.

Isso tem tirado o sono não só do governo norte-americano como também dosdirigentes da FIFA.

Já vimos antes

Nada tão diferente do que já aconteceu em outras copas, como na Itália de Mussolini;na Alemanha, em 1974, depois do ataque terrorista aos atletas israelenses na Olimpíada de 1972; ou a dura repressão militar na Argentina, em 1978. 

 Agora, com EUA em estado de guerra contra o Irã muçulmano, foi montado e em ação um aparatode segurança ostensivo, defensivo. Trump convive com problemas externos e internos,tem eleições parlamentares à vista, anda no fio da navalha, não dorme.

- Claro que qualquer fato ou ocorrência será usado politicamente (por um lado ou outro). Como já aconteceu, essa semana, com o árbitro Omar Artan, da Somália, que teve seu visto negado pela imigração/EUA e não vai apitar jogos por lá. Tido como um dos melhores árbitros africanos, teve de voltar pra casa e foi recebido como um herói pela multidão, em Mogadíscio (a capital da Somália, país do nordeste africano).

  Ou a revista meticulosa e humilhante sofrida pelos integrantes da delegação do Senegal, na chegada, em pleno aeroporto americano. Nada de racismo, questão política, de segurança.

  - A seleção do Irã (país em guerra com os EUA), fará seus três jogos pela fase de classificação (está no Grupo G, com Bélgica, Egito e Nova Zelândia) em cidades dos EUA, mas está hospedada e concentrada em Tijuana, no México, fronteira. Não podem dormir em solo dos EUA. 

Viagiadíssimos, ameaçam: ‘Se formos hostilizados, abandonamos a competição, voltamos pra casa’. Tomara que não.

A desordem mundial- Choca, sim, mas é o mundo e o momento conturbado que vivemos, lá e cá, o instante histórico de (des) humanidade em que a Copa está acontecendo. A situação interna no México, por exemplo, também preocupa. O governo da esquerdista Claudia Sheinbaum, a primeira mulher a governar o país, vive momentos dramáticos, acuado pelos cartéis de narcotraficantes, poderosíssimos, e enfrentando greves de caminhoneiros, do setor púbico de educação que vêm ocupando praças e ruas da capital mexicana. 

  Um aparato policial enorme está nas ruas, tentando controlar as manifestações e garantir o evento esportivo sem incidências.Que tudo termine em paz.

  Outras aberturasCom shows musicais e tudo mais ...

  No dia 12, esta sexta-feira, teremos a abertura dos jogos no Canadá, em Toronto, com a partida Canadá x Bósnia, pelo Grupo B (que tem ainda Catar e Suíça). Às 16h. No mesmo dia, sexta, haverá a abertura dos jogos nos EUA, em Los Angeles, com a partida Estados Unidos x Paraguai, pelo Grupo D (que conta também com Austrália e Turquia). Às 22h.

  O Brasil estreia no sábado, pelo grupo C, contra Marrocos, em New Jersey, às 19h. O grupo tem ainda Haiti e Escócia.

  Outras disputas- No âmbito da comunicação, a briga pela audiência. A potente e oficialesca Rede Globo e a novata Cazé TV, apostando na reportagem e na lisura.

  No setor de contratos/material esportivo das equipes, a líder Nike (americana, 14 seleções), a Adidas (alemã, com 12) e a Puma, com 11 seleções. Note-se que esse detalhe às vezes influi até na convocação e escalação de jogadores. Aqui, jogadores que têm contrato com a Nike têm a preferência. E isso é só o começ