O Brasil tem dezenas, creio, centenas de órgãos de desfesa do consumidor, MP, vigilância sanitária, guardas municipais, mas, nada disso funciona. Os donos dos quiosques e os barraqueiros cobram o que querem, de acordo com o mercado de cada localidade. Como mostrou o Fantástico, no Rio, tem quiosque com consumo mínimo de R$800,00.
O Globo.com também mostrou, recenemente, a tabela de preços dos petiscos dos quiosques em Copacabana na Virada do Ano, o mais barato R$180,00 e a média de preços R$200,00. Ou seja, um filezinho com batatinhas fritas custa R$200,00. E, em Búzios, o paraíso de Britigtte Bardot, um filezinho ao ponto custa R$450,00.
Claro, paga quem tem dinheiro sobrando, mas, se trata de um abusurdo num país que ninguém respeita as leis de nada. As praias são área da Marinha e ocupadas - como acontece em Salvador - pelos isoposeiros e barraqueiros.
Já falamos aqui dos preços cobrados nas praias de Salvador e da Bahia que variam de R$20,00 a R$25,00 a cadeira individual e mais R$50,00 a R$70,00 do sombrero. Paga, óbvio, quem quer. Mas, a questão é que, em algumas praias - a maioria - as áreas melhores são ocupadas pelos barraqueiros e os baianos (e eventuais) turistas não têm onde colocar suas cadeiras e toalhas.
Salvador tem uma das maiores orlas do país - duas, por sinal, a da Baía de Todos os Santos; e a Atlântica - exploradas de ponta a ponta. A Prefeitura, ano passado, tentou organizar o Porto, mas, desistiu. O verão é pongo e muitos casos como os de Porto de Galinhas ainda poderão aconbtecer.
O Litoral baianao tem 1.000 km de ponta a ponta e os pontos mais caros são em Porto Seguro, Ilhéus, Uruçuca, Morro de São Paulo e Conde.
O CASO RELATADO PELO FANTÁSTICO
GLOBO. COM
A semana do réveillon chegou com sol e calor em boa parte do país. Muitos brasileiros foram à praia. Mas em muitos pontos do litoral, para conseguir um espaço na areia — que é pública — foi preciso pagar.
O Fantástico deste domingo (4) revelou flagrantes de abusos na cobrança em quiosques e barracas por todo o Brasil. A prática, explica o secretário da Secretaria Nacional do Consumidor, Paulo Henrique Rodrigues Pereira, é ilegal.
Em Praia Grande, no litoral de São Paulo, a cobrança aparece logo no início da abordagem. Um atendente informou que o valor para usar as mesas e cadeiras da barraca é de R$ 250 em consumação. Questionado, o atendente confirmou que se trata de consumação mínima.
Em Itajaí (SC), a resposta foi direta: a consumação custa R$ 100.
Caso de Porto de Galinhas
Em Porto de Galinhas, conhecido destino turístico de Pernambuco, o que deveria ser uma viagem de descanso acabou em violência. O personal trainer Johnny Andrade e seu companheiro, o empresário Cleiton Zanatta, viajaram do Mato Grosso para curtir as férias no litoral pernambucano.
“A ideia era celebrar a vida e a chegada do Ano-Novo”, diz o casal. Mas, segundo eles, o plano foi interrompido logo no primeiro contato com a barraca.
Johnny relata que ouviu do atendente: “Vou cobrar de vocês R$ 50. Duas cadeiras e um guarda-sol”. Em seguida, veio a condição: “Se vocês consumirem algum petisco, a gente não cobra o valor das cadeiras”.
Mais tarde, o acordo mudou. O funcionário teria avisado: "Já são quatro horas da tarde, vocês não consumiram nada. Não vai ser mais R$ 50, vai ser R$ 80."
Johnny respondeu que pagaria apenas o combinado: "Não, 80 reais eu não vou pagar. Vou pagar os R$ 50, que foi o valor combinado."
Então, segundo ele, o atendente insistiu na cobrança do novo valor e, logo depois, veio a agressão. “Ele arremessou a cadeira em mim”, conta.
A confusão se espalhou rapidamente. Johnny diz que, quando percebeu, já havia “uns 15 ou 20 [vendedores] em nossa volta."
“Ele jogou a cadeira, eu defendi com os braços, e outro já me deu um murro”. As imagens mostram Johnny com o rosto ensanguentado. “Era tanta pancada, tanto soco, tanto pontapé. Eu pedia pra eles pararem”, relata.
Cleiton conta que tentou pedir ajuda: “Comecei a gritar: ‘Gente, chama a polícia!'"
Mesmo espancados, eles conseguiram correr até o carro dos salva-vidas. Cleiton diz que chegou gritando: “Pelo amor de Deus, ajuda a gente”. Segundo ele, a resposta inicial foi: “Não, não, nós não temos nada a ver com isso. Nosso negócio é afogamento”.
Johnny afirma que chegou a se ajoelhar. “Pedi pelo amor de Deus, salva a gente, tira a gente daqui porque eles vão nos matar”.
Mesmo após subir na carroceria, as agressões continuaram. “Davam socos, tentavam subir na caminhonete, jogavam areia no nosso rosto. Foi um terrorismo, cena de terror”, diz.
O casal afirma que também sofreu ataques homofóbicos. Cleiton diz que ouviu claramente a frase: “Viado tem que tomar porrada mesmo”. Johnny reforça: “Teve motivação homofóbica, sim”.
Após a repercussão, alguns envolvidos divulgaram vídeos com outra versão. Eles dizem que “não foi homofobia” e que os turistas estariam embriagados. Um deles questiona: “Estavam com quantos litros de uísque? Dois litros."
Cleiton rebate: “Nós não estávamos embriagados. Mas, mesmo que estivéssemos, nada justificaria”.
Erivaldo dos Santos, funcionário que atendeu o casal, afirma que foi agredido primeiro. “Ele me deu um mata-leão”, diz. Outro envolvido reforça: “Primeiro ele deu um tapa no seu rosto, no cardápio”. Johnny nega todas as acusações. “Eu não bati no cardápio, não avancei, não dei mata-leão. Eu não sei lutar”, afirma.
A advogada da Associação de Barraqueiros de Porto de Galinhas diz que não é possível apontar responsabilidades sem investigação.