quarta-feira, 08 de dezembro de 2021
Colunistas / A Boa Mesa
Dom Franquito

DOM FRANQUITO e a confraria do Marquês se deliciam com o JavaPorco

Mesa de profissionais de longo curso devora o Java e só deixa as alfaces
01/03/2014 às 13:13
 Éramos mais de vinte pessoas à mesa. Senhores capitães de longo curso frequentadores de bons restaurantes, sensíveis ao vinho, a maioria sessentona. 

   Senhoras capitãs mais jovens também adeptas do Vila Cardêto italiano, muy simpáticas. Todos com garfos e facas postos no primeiro piso do Restaurante Oceânico, na Pedra da Sereia do Rio Vermelho, para traçar o Javaporco, uma miscigenação do javali paulistano com o porco baé baiano, que era assado sob os olhares de Altair Brandão, o chef de cozinha e sócio da casa praiana.

    O vinho corria à mancheia. La Linda, tinto, e Pinot Grígio da Umbria, branco. Ninguém economizava na degustação. A crise passava distante lá em Brasília e confins com o pibinho de Mantega a 2.5% ao ano.

   Conversa à larga. Causos. Queixas de quem chegava atrasado diante do infernal trânsito na capital baiana e perdera as rodadas iniciais de tira-gosto de charque de novilha de  um ano e meio de Itororó e linguiça de porco. Alguém lembrou até do jussárico metrô que se fosse coisa séria poderia ter chegado a Barra, Ondina e Rio Vermelho há anos.

   Mas, não há de ser nada porque havia para todos novas rodadas de charque de novilha e picanha ao alho. 

   Alguns bebiam Stela; outros uisque. Mesa democrática em paladares e sabores de moderação ao alcóol. Não me recordo de uma coca cola sequer à mesa. Água, sim, para temperar o vino.

   A vista do Oceânico para o mar do Rio Vermelho deslumbrava. O sol estava à pino e já passava das 2 da tarde quando seu brilho refletia na praia do Chega-Nêgo, em Ondina, ponto de desembarque de escravos na colônia da Bahia.

   A Confraria informal do Marquês da Placaford, Eujácio Simões, se reunia para mais um convescote, com o horário para começar, e já estavamos à mesa desde o meio dia, e sem horário de se findar. Havia a saída da Banda do Habeas, à noite, e quem quizesse poderia emendar uma farra com a outra, como alguns fizeram. 

   A cada hora que chegava um retardatário, palmas, vivas. Alguém disse: - Ainda bem que desta vez não foi em Mapele e podemos todos vir. - O marquês gosta de fanfarras longe, de Itapuã pra lá, outro comentou.

    - Vou levar vocês pra Caboto, disse ele, comentando sobre o melhor do local, lá pras bandas de Candeias.

   Nisso, já passando das 3 horas da tarde, com membros da confraria bem animados, Geraldo Araújo, o outro sócio da Casa anunciou: - Vou buscar o Javaporco. O sino tocou na capela. 

   Alegria geral. Luzes, câmereas, celulares à mira. Quando o garçom apresemtou a delícia numa bandeja aconteceram mais vivas a República! vivas a Independência da Bahia! e muitos se levantaram para fazer fotos e videos com suas câmeras. 

   O java estava dourado numa bendeja com decoração a caráter, temperos e alfaces em redor, e mais duas azeitonas nos olhos. 

   Alguém, creio que uma jovem senhora soletrou: "Hic! Tá parecendo o demo com esses olhos". Risadas. Murmúrios.

    - Que venha o Pé de Botelho à mesa, comentou um mais gaiato dizendo que iria devorá-lo. 

   - Calma, comentou Geraldo, vamos destrinchá-lo primeiro e será servido por partes.

   Voltamos à mesa para mais Pinot Grígio e Geraldo foi servindo a cada qual porções do Java. De minha parte posso dizer que estava uma delicia. Partes crocantes. Partes macias.
 Tarde memorável. Diria que já estava entrando a noite e o sol já se colocava lá no horizonte da Ilha de Itaparica quando se pediu a conta. Para cada, cem pilas. 

    E todos sairam muy satisfeitos, alguns direto para a Banda do Habeas que desfilava na Barra.
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Restaurante Oceânico
Rua Pedra da Sereia, 66, Rio Vermelho
Salvador, Bahia
Fone 71. 3565 3087  9250 1555
Ar condicionado (ambiente também ao ar livre)
Estacionamento na rua (tem vigilante guardador)
Comida mediterrânea
Aceita todos os cartões
Javaporco foi prato especial servido sob encomenda
Local aceita reuniões e eventos.