quarta-feira, 08 de dezembro de 2021
Colunistas / A Boa Mesa
Dom Franquito

DOM FRANQUITO VIRA SANTO AO SABOREAR A MOQUECA DE CAMARÃO DO CABANA

Restaurante Cabana do Camarão fica no subúrbio de Itacaranha, em Salvador
30/03/2012 às 09:01
Foto: BJÁ
Moqueca de camarão com peixe, pimenta de cheiro, arroz, pirão e farofa de manteiga
   A boa mesa tem locais nesta cidade da Bahia que dá água na boca.

   São escondidinhos da vida, saborosos, de tempero de baianas do subúrbio que ainda usam machucadores e molheiros de madeira, surpreeendentes para quem só frequente o circuito Barra/Ondina.

   É chavão esse fraseado da água na boca. Óbvio, né!, mas, quem vai a Cabana do Camarão e não fica assim, com o olho maior do que a barriga, é porque nunca apreciou um camarão empanado no palitinho com molho rosê. 

   Quem me deu o prazer de conhecer a Cabana do Camarão, em Itacaranha, Subúrbio Ferroviário, foi o jornalista Nelson Fontes, o Nelsinho, do Subúrbio News, o site que faz o maior sucesso entre os moradores daquela área.

   Daí, por tabela, como tem aquele trabalho social que vai de pai para filho, Sêo Romenilton José Fontes, seu pai, conhecido em Periperi apenas por Pio, Sêo Pio do Centro Espírita Cruz da Redenção, o camarada Nelsinho está sendo cobiçado por vários partidos para ser vereador. 

   Nelsinho admite que o subúrbio ferroviário não tem um vereador a altura de sua representatividade. Teme ser candidato sem condições de ganhar. Diz a dom Franquito, já beliscando o camarão empanado, que "só entra pra vencer".

   Caso contrário, segue com seu Subúrbio News e o Conexão Subúrbio, um sonho de levar o SF à televisão. "Mostrar que aqui temos muitas coisas bacanas", diz.

   De repente, chega Carol, a filha do dono do Cabana, jovem mui bela, a perguntar se tudo estava bem conosco.

   - Ah! sí, disse, melhor só no céu, imagino.

   De tocaia, Conrado, o garçom que sabe de cor e salteado os nomes dos parentes Conrados, todos com W, põe mais uma gelada, e Nelsinho cobra da garconete Márcia que ela não foi falar com ele, já no estilo do bom político.

   - Esqueceu foi! Entreguei os cardápio a vocês, lembrou Márcia dando um sorisso de urna a Nelsinho.

   Conrado, de sua parte, sempre atencioso limpou a área para colocar o principal
 na mesa de jaqueira onde estávamos e pôs uma moqueca de camarão com peixe, arroz, farofa de manteiga e pirão do caldo do dito, que, se não é véspera da Semana Santa e tem-se que respeitar os ramos e os santos, não ficaria nem o caldo de tão saboroso estava.

    Olhe que já comi camarão na Catalunha, na Galícia, em Lima, em Floripa, no Yemanjá e os pitús de Ilhéus, mas, em sabor e grandeza igual ao Cabana do Camarão, nunca tinha visto nada igual.

    Diria que Nelsinho atuou como São Francisco de Assis apenas beliscando. E, acá, de mi parte, fartei-me como se fosse o guerreiro Santo Ignácio de Loyola.
 
   Tivesse uma rede no espaço agradável e arejado do Cabana por lá teria ficado mais tempo para uma soneca.

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CABANA DO CAMARÃO RESTAURANTE
Itacaranha - Subúrbio Ferroviário
(Fica entre Praia Grande e Plataforma)
Av Afrânio Peixoto, Qd 4, lote 5 (Av Suburbana)
Aceita todos os cartões
Fone 3218.7107
Não tem manobrista nem ar condicionado
Ambiente espaçoso e arejado
Preço médio do prato para duas pessoas R$55,00
Quarta-feira tem forró; quinta, samba; sexta, pop; sábado, mpb
Isso às noites
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