sexta-feira, 03 de dezembro de 2021
Colunistas / A Boa Mesa
Dom Franquito

DOM FRANQUITO VAI A TOCA DO SAPO COMER A FEIJOADA DE JANUÁRIO XAVIER

Restaurante Toca do Sapo fica na estrada do Coco, área urbana de Lauro
01/10/2011 às 09:06

Foto: BJÁ
 
  Saborear uma feijoada domingo pela manhã, logo cedo, ainda sem passar na Igreja de Santo Amaro de Ipitanga para tomar a benção ao padre e orar aos santos, não é missão pra qualquer um, ainda mais que, na Toca do Sapo, em Lauro, se o camarada chegar depois das 9 horas o feijão amigo já não existe sequer para rescaldo de panela.

  A Toca do Sapo onde Januário da Silva Xavier, o "Sapo", serve feijoadas, guisados, ensopados, galinhas de xinxim e/ou ao molho pardo, essas comidinhas "ligths" que não fazem quaisquer males aos colesterois funciona há 40 anos na Estrada do Coco, área urbana de Lauro, após o Pastel do Carioca, e tem uma clientela cativa, especialmente aos sábados e domigos quando rola feijão com todas aquelas carnes, gordurinhas e temperos.

  Então, meu caro, minha nobre leitora, se não tens paladar para esse tipo de comida por lá não passe, salvo se quiser conhecer uma birosca típica da Bahia, mesinhas de madeira, muita simpatia, um garçom que se chama Obama, a figura simpática e amiga de Sapo e bater uma prosa.

  Januário é filho de Maragogipe. - A terra do candomblé?, pergunto. - Não. A terra de Bartolomeu, diz-me ensaiando com as mãos um batuque frisando que a terra do tambor e dos orixás é Cachoeira.

  Bartolomeu é São Bartolomeu. Santo católico que também tem sua ligação com o candomblé do Bogum do Engenho Velho da Federação em festa belíssima que acontece em todo primeiro de janeiro.

  Meu companheiro de mesa na Toca do Sapo foi Pinheiro da Prorural da Luiz Tarquinio, o qual não bebe mas é bom de garfo. De minha parte, mesmo sem dar bom dia ao padre, Sapo traz-me uma Germana, cachaça de palha de Nova União das Gerais, e como não sou mal agradecido, beberico uma dose.

  - Tem aquele copinho de "vrido" próprio para pinga?, pergunto ao garçom Obama. Ele vai ao Sapo e da Silva Xavier fala para que me contente com o copo de cerveja. 

  - Olhe, moço, aqui é tudo simples - adiciona Sapo lembrando, ainda, que embora seu nome seja histórico Januário, que vem do pai de Luis Gonzaga, e da Silva Xavier, de Tiradentes, ele e a casa são de gente do povo.

   E ficamos ali no acanhado da Toca, eu, ele e Pinheiro a trocar idéias sobre o mundo e a saborearmos a feijoda, diga-se, de boa qualidade, com rodelas de cebola e pimenta para dar mais gosto ainda, e, óbvio, punhados da boa farinha do Onha de Santo Antonio de Jesus.

   Por toda essa farra, eu e Pinheiro, pagamos 24 pilas.

   - Que tal? Qual a nota? - pergunta Sapo após a comilança. E, mesmo antes de respondermos ele adiciona: - Se foi 10 tá bom, só foi 8 tá ótimo, se foi 6 também.

  É filosofia pura passar na Toca do Sapo. Depois, ainda dá tempo de ir a Igreja de Santo Amaro de Ipitanga rezar com seu vigário.

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TOCA DO SAPO
Estrada do Coco - Via principal
Área urbana de Lauro de Freitas
Após o Pastel do Carioca
Tem área para estacionar em terreno da Aeronáutica
Pagamento só no capilé
Cerveja geladona
Feijoada para duas pessoas R$20,00