Cultura

ESCULTURA DOS 4 MENINOS MERGULHADORES DE SANTANDER REGISTRA A POBREZA

Meninos pobres que mergulhavam na Baía para pegar moedas jogadas por turistas de navios no século XIX e inicio do século XX
Tasso Franco , Santander, Spain | 15/08/2026 às 17:29
A escultura de José Cobo Calderon, de 1999
Foto: BJÁ

   A escultura de José Cobo Calderon de quatro meninos mergulhadores na Baía de Santander, Província da Cantábria, Norte da Espanha, é encantadora e representativa de uma época em que a cidade tinha crianças pobres que perambulavam pelas ruas. 

  A escultura intitulada "Los Raqueros" (os meninos mergulhadores) foi feita pelo escultor espanhol José Cobo Calderón e instalada no Paseo de Pereda em 1999. Quatro crianças em tamanho real feitas de bronze. A obra homenageia os "raqueros", meninos pobres e órfãos do final do século XIX e início do século XX que viviam no porto e mergulhavam no mar para apanhar moedas jogadas pelos passageiros dos barcos.

    Os "raqueros" existiram de verdade e fizeram parte do cenário cotidiano do porto de Santander entre o final do século XIX e meados do século XX. A realidade por trás dessas estátuas envolve meninos pobres muitos deles órfãos ou fugitivos de casa, que viviam abandonados nas ruas próximas ao porto (principalmente na área de Puerto Chico).

      Passavam o dia descalços, vestindo trapos e, muitas vezes, nadavam completamente nus ou seminuos na baía. Para sobreviver, praticavam pequenos furtos e recolhiam carvão ou restos de naufrágios que flutuavam após tempestades. 

    Os turistas que chegavam nos grandes navios a vapor ou passeavam pelos cais achavam a agilidade dos meninos curiosa. Eles começaram a jogar moedas na água de propósito. Ao ver o brilho do metal afundando, os meninos se jogavam de cabeça no Mar Cantábrico para resgatar as moedas antes que chegassem ao fundo. O dinheiro resgatado servia para comprar comida.

    A origem do nome "Raquero" vem do termo em inglês wrecker (que significa "saqueador de naufrágios" ou "catador de praia"). Como o porto de Santander recebia muitos barcos britânicos, os marinheiros os chamavam assim. A população local acabou aportuguesando/castelhanizando a pronúncia para "raquero".

    Eles desapareceram por volta da década de 1950. Isso ocorreu devido à modernização do porto, ao aumento da assistência social às crianças e à reconstrução da cidade após o grande incêndio de Santander em 1941, que mudou toda a dinâmica urbana.

    Escritores famosos da época, como José María de Pereda, documentaram a existência desses meninos em seus livros, 

   O ESCULTOR

    O escultor José Cobo Calderón possui várias outras esculturas públicas e monumentos importantes, com grande destaque para a sua própria cidade natal, Santander, e outras regiões da Espanha.

    Em Santander, monumento ao Incêndio de Santander e Reconstrução da Cidade (1989): Localizado na confluência das ruas Alfonso XIII e Calderón de la Barca. Esta impressionante escultura de bronze homenageia o trágico incêndio de 1941, que destruiu quase todo o centro histórico da cidade, e celebra o esforço do povo para reconstruí-la.

    Monumento aos Irmãos Tonetti (2007): Fica situado no Parque de Mesones. É uma homenagem aos célebres irmãos palhaços Tonetti (Beby e Pepe), figuras muito queridas da cultura circense espanhola originárias de Santander.

    Monolitos do Concurso Internacional de Piano Paloma O'Shea (2022): Uma estrutura contemporânea composta por quatro grandes blocos de mármol (três brancos de Macael e um preto de Marquina) criada para comemorar o 50º aniversário deste prestigioso concurso de música.

    Atualmente, o escultor espanhol tem 68 anos (nascido em 29 de julho de 1958) e continua plenamente ativo no mundo das artes.Ele segue desenvolvendo projetos e realizando exposições.