Cultura

UFBA CELEBRA 80 ANOS COM MONTAGEM INÉDITA DIRIGIDA GEORGE MASCARENHAS

UFBA celebra 80 anos com montagem inédita de “A Hora em que não sabíamos nada da gente”, dirigida por George Mascarenhas
Adriana Nogueira , Salvador | 27/04/2026 às 18:09
UFBA celebra 80 anos com montagem inédita
Foto: Sora Maia

A Escola de Teatro da Universidade Federal da Bahia (UFBA) estreia no dia 30 de abril o espetáculo “A Hora em que não sabíamos nada da gente”, dirigido por George Mascarenhas, em uma montagem inédita em Salvador. A temporada segue até 31 de maio, no Teatro Martim Gonçalves, integrando as comemorações dos 80 anos da UFBA e dos 70 anos da Escola de Teatro.

 

Inspirada na obra do dramaturgo austríaco e vencedor do Nobel de Literatura (2019), Peter Handke, a encenação propõe uma experiência cênica sem falas, sem narrativa linear e sem personagens fixos. Em cena, uma praça se transforma em espaço de atravessamentos, onde figuras surgem, desaparecem e deixam rastros de histórias fragmentadas.

 

A dramaturgia se constrói a partir de micronarrativas visuais e corporais, em que o sentido não é dado previamente, mas construído pelo espectador a partir das imagens, gestos e relações que se estabelecem ao longo da encenação.

 

“É uma peça em que a história não está pronta. O que existe são passagens, imagens e presenças que convidam o público a construir seus próprios sentidos. Cada pessoa assiste a um espetáculo diferente”, afirma o diretor George Mascarenhas.

 

Na leitura proposta por Mascarenhas, a praça imaginada por Handke ganha contornos contemporâneos e incorpora referências da Bahia e de Salvador, aproximando a obra de um repertório sensível local. A cidade entra na cena como pulsação, ritmo e presença, conectando o texto europeu a uma experiência brasileira.

 

Corpo, presença e construção de sentido


A encenação da Companhia de Teatro da UFBA e artistas convidados se ancora na mímica corporal dramática, linguagem que coloca o corpo como eixo central da construção cênica. A partir dessa abordagem, o espetáculo aposta na potência do gesto, da fisicalidade e da composição visual como elementos estruturantes da narrativa.

 

Com cerca de 20 atores em cena, entre estudantes de graduação e pós-graduação, professores, artistas convidados e integrantes da comunidade externa, o projeto assume também um caráter pedagógico e extensionista, articulando ensino, pesquisa e criação artística.

 

Para a diretora assistente e preparadora de elenco, Deborah Moreira, a peça amplia o entendimento do que é narrativa no teatro contemporâneo. “A gente trabalha com a ideia de presença e escuta do corpo. Não existe uma história única, mas múltiplas possibilidades acontecendo ao mesmo tempo. O público é convidado a perceber, associar e construir sentido a partir dessas camadas”, explica.

 

A montagem dialoga com o tempo presente, marcado pelo excesso de informação e pela fragmentação das relações, propondo uma experiência de contemplação e reconstrução do olhar. “A praça é um espaço de encontro, de fluxo e de observação da vida. Ao trazer esse ambiente para a cena, a gente cria uma espécie de espelho do humano, com suas contradições, ritmos e encontros”, complementa George Mascarenhas.

 

Nesta montagem, o texto de Handke ganha uma abordagem autoral que valoriza o corpo como linguagem e propõe uma experiência estética que transita entre o poético, o cotidiano, o absurdo e o sensível.  

 

Além da encenação, o projeto resulta de um processo formativo que envolveu workshops e laboratórios de criação, reafirmando o papel da universidade pública como espaço de produção de conhecimento, experimentação artística e formação de artistas. A temporada também prevê ações de ampliação de acesso e diálogo com diferentes públicos, reforçando o compromisso da UFBA com a democratização da cultura.

 

Sobre George Mascarenhas


Diretor teatral, ator e professor da Escola de Teatro da UFBA, George Mascarenhas desenvolve, desde o final dos anos 1990, um trabalho contínuo de pesquisa, ensino e criação em mímica corporal dramática. Doutor e mestre em Artes Cênicas pela UFBA, possui formação internacional pela Université Sorbonne Nouvelle – Paris III e pela École de Mime Corporel Dramatique, em Londres. Sua trajetória articula prática artística e formação, com atuação em processos criativos, orientação acadêmica e consolidação da linguagem corporal como eixo central da cena contemporânea no Brasil.

 

Sobre Deborah Moreira


Atriz, diretora, mímica, dramaturga e preparadora de elenco, Deborah Moreira atua na interseção entre criação cênica e formação de atores, com pesquisa voltada para o trabalho corporal e a construção de presença em cena. Doutoranda e Mestre em Artes Cênicas (PPGAC/UFBA), Formada em Mímica Corporal Dramática no Brasil em 2004, com o aval da International Mime School of London. Bacharel em Interpretação Teatral pela Universidade Federal da Bahia em 2000 é também professora e produtora cultural, cofundadora da Mimus - Companhia de Teatro, grupo focado na pesquisa e criação cênica baseada na Mímica Corporal Dramática de Étienne Decroux. 

 

Ficha técnica 

Direção: George Mascarenhas
Assistência de direção e preparação de elenco: Deborah Moreira
Direção de produção: Piti Canella
Tradução: Miguel Gouvea Lordello
Figurino: Zuarte Jr.
Cenografia: Eduardo Tudella
Iluminação: Otávio Correia
Adereços: Elis Brito
Direção musical: Luciano Salvador Bahia

Elenco: Adrián Araújo, Alice Ciappa,⁠ Ananda Mariposa, ⁠Christopher Anderson,⁠ Clay Sabino, Gabriel Figueiredo, ⁠Ian Trigo,⁠ John Freitas,⁠ Kaio Britto, Khalil Emmanuel, ⁠Lana Sacramento, Leticia Conde, Matheus Zola, Miguel Gouvêa Lordello, Rixa, Silara Aguiar, Silvio Pereira, Terena França e ⁠Yasmin Maroli.

 

Serviço

Estreia: 

30 de abril

Temporada: 

Até 31 de maio - De quinta a sábado às 20h e domingo às 19h

Local: 

Escola de Teatro da UFBA - Teatro Martim Gonçalves

Entrada: 

Gratuita

Duração: 

Cerca de 1h15