Cultura

DUAS EXPOSIÇÕES NA GALERIA PAULO DARZÉ: ISABELA SEIFARTH E YURI FERRAZ

Acontece dia 30 de janeiro
CP , Salvador | 26/01/2026 às 19:31
Obra de Isabela Serfarth
Foto: DIV
  Com abertura no dia 30 de janeiro, às 19 horas, a Paulo Darzé Galeria promove aexposição de Pinturas de Isabela Seifarth, com o título “Sol a Pino”, apresentação nocatálogo de Mayã Fernandes, curadora e historiadora da arte. Sobre esta exposição assimse pronuncia no catálogo, com o título Cartografias de sol a sol: “A exposição “Sol a pino”propõe a celebração da vida experienciada em coletividade.

   A artista mostra ao públicomapas do cotidiano, representando as festividades baianas e os elementos que noslembram de quem somos e de onde viemos.Isabela Seifarth, ao inserir em suas obras a cartografia, como em Nascimento deum mundo inventado (2025), mostra-nos que cada elemento em suas composições servepara abraçar e sustentar as narrativas que permeiam o povo do sertão em suamultiplicidade. 

  Sob essa perspectiva, suas obras operam como leituras da história e daexperiência coletiva, mapeando aquilo que há de mais potente no convívio humano.Festa e rito compartilham a mesma cena, sem hierarquias rígidas: trata-se de um espaço onde o encontro é princípio organizador e onde a convivência se constrói a partir daproximidade dos corpos, dos gestos e das celebrações”.

  TrajetóriaIsabela Seifarth é artista visual e trabalha sobretudo criando narrativastransmitidas através da pintura e sua pesquisa permeia o universo das tradições daBahia e do Recôncavo Baiano, incluindo seus acervos materiais e imateriais,aproximando os elementos da cultura popular e seus lugares.

Jovem artista, trilha uma arte de grande entrega ao proporcionar nas suaspaisagens urbanas e rurais, uma leitura aberta às complexidades do processo criativo, daestética e de uma poética bem sua., subvertendo temas.Formada em Arquitetura, finalizando o mestrado em Artes na UniversidadeFederal da Bahia (UFBA), chegou a trabalhar como arquiteta por dois anos, mas jápintando, incentivada pela família, esta artista de 35 anos, nascida e criada em Salvador,vivendo entre a capital e São Félix, cidade de sua família no Recôncavo.Isabela integra o acervo do MAC Bahia, é representada pela Paulo Darzé Galeria,já tendo participado de mais de 40 exposições coletivas, com destaque para o Museu deArte Moderna da Bahia, Museu Afro-brasileiro/UFBA, Casa do Benin e Solar Ferrão,projetos selecionados em editais, o que inclui o vídeo “Feira Livre”, premiado no SSAMapping em 2018. 

Participou da residência Fluxos: acervos do Atlântico Sul, propostopelo Intervalo - fórum de arte em 2019; do painel “Salvem as Matas, Salve à Cabocla!”,parte do Projeto Mural, em 2021; e, mais recentemente, a participação na 30ª Biennale deDakar (DAKART), Senegeal, em 2022. No mesmo ano, com a obra “O nome da terra” passaa fazer parte da coleção do MAM/Bahia.

MITOS PRIMAIS

No mesmo dia, a Paulo Darzé Galeria promove aexposição de Pinturas de Yuri Ferraz, com o título Mitos Primais, apresentação deRicardo Chequer Chemas, A arte transmitológica de Yuri Ferraz: “A justaposição demódulos a partir de uma célula conceitual já se encontra nas operações da própriaNatureza. 

A colmeia das abelhas, os flocos de neve e os demais cristais, as escamas dospeixes e répteis em evolução e os segmentos articulados dos insetos propagam eestendem este mesmo princípio: A criação de séries através de um desenvolvimentotemático, como uma música dodecafônica de Shoenberg, Webern e Alban Berg”.“A arte de Yuri Ferraz é assim: uma sucessão de metâmeros de complexidadevariável, caminhando com segurança técnica e destreza manual sobre o matérico daforma. Yuri Ferraz plasma os seus ideais partindo dos embriões da Ciência e daTecnologia, em paralelo íntimo com o cerne da Natureza. 

É em síntese, excelente artepara ser vista, lida e pensada. Ao completar um quarto de século de produçãoininterrupta, o artista se encontra em meio de uma intersecção de universos mitológicosdistintos, amalgamados a partir de uma vontade criadora que se apropria dos arquétiposdo inconsciente coletivo da humanidade”.“O resultado é uma explosão de cor e de imagens múltiplas, as quais obedecem auma narrativa completa e original, que ao invés de se expressar em palavras recorre aícones visuais universais para este intento. 

O artista espelha a fauna, a flora e aantropologia, física e cultural, incluindo até mesmo a mitologia contemporânea das HQs,fundamento conceitual do seu magnífico trabalho, de grande impacto visual”.TrajetóriaYuri Ferraz, artista visual, nasceu e vive e trabalha em Salvador/Ba, em 1972.Cursou Letras Vernáculas na Universidade Católica do Salvador (UCSal) no período de1993 a 1996, passando a dedicar-se, logo após, às Artes Visuais. Entre 1998 e 2001 foialuno das Oficinas do Museu de Arte Moderna da Bahia (MAM-BA).

Com influência da PopArt norte americana no que diz respeito à estética, da ArteConceitual onde a ideia vem antes do objeto, e do Surrealismo pelo interesse em mitos,sonhos e o inconsciente. Interessado em Mitologia Comparada investiga pensadorescomo Mircea Eliade, Joseph Campbell e Carl Gustav Jung.A partir de aproximações, por características em comum, de mitologias de épocase locais diferentes, vai construindo um novo e complexo sistema mitológico. Valendo-sede símbolos e signos do inconsciente coletivo da humanidade. Borrando fronteiras econtaminando territórios vizinhos. Moldando, assim, uma nova mitologia global querepresente a humanidade.

Com pintura acrílica em papel de alta gramatura, e o recurso das colagens defiguras menores vai compondo uma série de trabalhos com tamanhos variados entre 30x 21 cm até 200 x 80 cm. Realiza uma produção ininterrupta nos últimos 25 anos.Durante a pandemia, desenvolve a série: “Uma fronteira entre a pintura e o objeto”, queé a transição entre o bidimensional e o tridimensional.Recebeu os prêmios: 2010 - 12º Salão Nacional de Arte de Itajaí/SC; 2002 - “PrêmioBraskem de Cultura e Arte” Salvador/BA; 2000 - “Menção Honrosa”, V Bienal doRecôncavo” São Félix/BA. E sua obra está em acervos -Arte e Música do Brasil e da África(AMBA), Veneza, Itália; Casa da Cultura Dide Brandão/SC; Galeria da Associação CulturalBrasil Estados-Unidos (ACBEU), Salvador/BA; Galeria da Aliança Francesa, Salvador/BA;Coleção de Jurgen Zimmer, Miami/FL - EEUU.