Artistas baianos encantam o público com espetáculo que mistura música e audiovisual
Da Redação , Salvador |
11/11/2016 às 13:16
Música e audiovisual
Foto: Carol Garcia
Diferentes linguagens artísticas unidas numa experiência que desperta sensações e emoções em quem assiste ao show. O músico Tiganá Santana e a artista visual Clara Domingas apresentaram o espetáculo “Não se Traduzem os Sentidos” nesta quinta-feira (10), no Teatro Gregório de Matos, em Salvador. O projeto audiovisual, que gira em torno de uma única peça musical, se desenvolve por quarenta minutos, explorando diversas texturas sonoras.
O músico Tiganá Santana comenta o conceito do projeto. “É uma experimentação guiada pela união dessas duas linguagens (som e imagem). Esses vetores criativos em conjunto dão origem a algo novo. A ideia é que as imagens representem a transmutação de coisas, de situações, de forças. E que o som possa ajudar na condução a esse universo que estamos propondo. O tema musical traz uma ideia de uma repetição que se projeta para outro espaço com objetivo de abrir novas dimensões para as pessoas que assistirem esse espetáculo”, explicou.
O tema musical é acompanhado por imagens registradas em viagens, num processo de coleta que durou nove meses. Durante os 40 minutos de exibição, o público pode conferir o resultado de um trabalho que foi iniciado na Ilha de Santiago, em Cabo Verde, e seguiu pelo Litoral Sul e Norte da Bahia, de Olivença à Casa da Torre, em Praia do Forte, passando pelo bairro de Itapuã, onde os dois artistas moram.
“Não tínhamos um roteiro preestabelecido do que iríamos gravar, estávamos abertos e atentos às experiências que nos chegavam. É todo um desafio, a questão da câmera na mão, escolher o que filmar, como filmar, entender os acordos invisíveis que fazemos com aqueles que encontramos. Foi um banho de aprendizados, conversando com jovens e idosas das comunidade, fazendo experiências com crianças”, explica Clara Domingas sobre o processo de captura das imagens que são projetadas durante a apresentação.
O resultado do experimento, que conta com as participações do produtor musical Sebastian Notini e os músicos Jorge Solovera, LdsonGalter e Nailor Proveta, envolve o público num misto de sonho e poesia, como afirma o professor João Marciano. “Estou fascinado. A sensibilidade da obra que vimos hoje aqui nos transporta e possibilita fazer um elo entre as canções, as imagens e tudo mais aquilo que nos é apresentado através do Tiganá, que é um verdadeiro artesão da música”.
Cultura
O projeto, que inclui a gravação do disco e shows de lançamento, foi selecionado pelo Edital Natura Musical Bahia 2015, contando com o patrocínio da Natura Musical e do Governo do Estado, através do Fazcultura, parceria das secretarias da Fazenda e de Cultura. Após a apresentação em Salvador, o espetáculo segue para turnê nos estados de São Paulo E Rio de Janeiro.
Para Tinganá Santana, poder contar com projetos que dão suporte aos artistas é fundamental. “Sem programas como esse fica muito difícil prosseguir no nosso ofício, que depende desse tipo de incentivo. O Estado propicia a criação sem necessidade de se prender a uma ideia prévia de mercado. Com esse apoio, a arte agradece”.