Cultura

OBRA DA PERNAMBUCANA LÚCIA SUANÉ NA DARZÉ GALERIA A PARTIR DE SEGUNDA

Vale a pena conferir até 30 de junho
| 06/06/2007 às 12:10
Tela Riacho do Navio (1.30x1.25) de Lúcia Suané, na Darzé Galeria (Foto/ DG)
Foto:
    A obra da artista plástica Lúcia Suané sob título Sertões estará à mostra na Paulo Darzé Galeria, a partir de segunda-feira, 11, rua Dr Chrysippo Aguiar, 8, Corredor da Vitória. Até 30 de junho, de segunda a sexta, das 9 às 19h, sábados das 9 às 13h.

   São 18 trabalhos em óleo sobre tela e colagens com fios e placas de alumínio e cobre, alguns utilizando suportes de madeira, em variadas dimensões.

   Quem é Lúcia Suané?

   Veja a opinião do crítico de arte Jacok Klintowitz sobre a artista, colocando-a como pintora excepcional e de particular qualidade na história da arte no Brasil:


   - Lugar de claros contrastes que habita a memória e se revela para nós numa obra delicada e forte, solar e estrelada. Hoje, as pinturas têm fios de cobre ou de alumínio, dourado e prateado, justapostos em ritmos precisos, mas não geométricos, numa alusão visual aos instrumentos musicais, formas perfeitas que permitem ao iniciado obter harmonias. Também sua obra tem esta dupla face, fechada e aberta, pois permite ao sensível penetrar na harmonia, mas nada concede aos que não querem perceber.

    PERNAMBUCANA

   Nascida em Águas Belas, Pernambuco, desde 1946 Lúcia Suané está radicada em São Paulo, onde começa a pintar na técnica da têmpera. Realiza a primeira individual em 1947. Em 1951 executa um afresco no batistério da Capela do Morumbi, por indicação do Prof. Bardi, e participa da primeira Bienal de São Paulo. Neste mesmo ano ganha o Prêmio do Salão Paulista de Arte Moderna e o Prêmio Aquisição Mário de Andrade. Com várias individuais e coletivas, possui quadros no Museu de Arte de São Paulo - MASP, Museu de Arte Contemporânea de São Paulo, e integra coleções particulares no Brasil, Estados Unidos, Inglaterra, Bélgica, Chile e Checoslováquia.


   BATE PAPO COM
   LÚCIA SUANÉ


   BJ: Para esta exposição na Paulo Darzé Galeria de Arte foi pensado um tema definido para a mostra? Existindo o tema, como foi ele elaborado? Não existindo, quais são as vertentes da mostra?


  Lúcia Suané
- O tema escolhido foi o "sertão do nordeste". As cores e os fios que utilizei nesta série lembram-me o silêncio e o som da grande floresta branca - a "caatinga" - na linguagem dos índios.


   BJ: Sua pintura é colocada pela crítica como uma pintura da memória, nela convivendo a pintura em si e o ser humano. Estando de acordo com esta opinião, como trabalha sua pintura enquanto pintura, como forma simbólica de arte, e, ao mesmo tempo, as questões humanas que deseja representar? Não estando de acordo com a opinião da crítica, como então vê seu processo criativo?


   Lúcia Suané
- Não pinto memórias. Quando estou trabalhando desaparecem do meu espírito todas as lembranças e emoções. Concentro-me somente no centímetro de tela que o pincel percorre. Minha busca está na composição e na cor. Agora, isso não impede que me preocupe com a desigualdade, com o preconceito que separa os homens. Tais problemas, contudo não se transportam para a tela.


   BJ: Sua obra inicia tendo como tema as raízes nordestinas, cenas do cotidiano e paisagens. Em 2005, na galeria Grifo, temos como tema ainda essas raízes, com o Pastoril, mas de maneira inovadora, onde não mais temos imagens e sim uma pintura construída pelas cores e a adição de fitas coloridas. Como é sentida e foi realizada essa mudança de visualidade das formas na sua trajetória?


   Lúcia Suané
- Transformar uma idéia em pintura é algo complicado para mim, porque a "coisa" não sai como a gente pensa... Passei anos fazendo e desmanchando os quadros, tal qual Penélope com sua teia. O tempo nos leva às mudanças. Fui trabalhando até chegar ao "Pastoril". Peguei uma tela, pintei-a, depois a recortei em bandeirolas, voltando às raízes dos primeiros quadros, cheios de bandeirinhas. Houve um despojamento, um evolutivo natural de quem trabalha ao longo dos anos. Mas, continuo com os pés ligados ao massapé, vendo, por vezes, pastoras dançando no tablado lá da praça...


  BJ: Um dos elementos mais importantes de seu trabalho é a invenção cromática, criação que possibilita uma tridimensionalidade da pintura. É possível discorrer sobre o sentimento que a cor expressa na sua pintura?


   Lúcia Suané
- Pergunta difícil, danada. Nelson Nóbrega, meu mestre, mandava que eu procurasse as cores sempre que lhe perguntava "que cor botar agora?" E me perdia diante delas. Essa dificuldade eu sinto até hoje: quando descubro uma nova tonalidade, fico dançando num pé só. Veja! Ela (a cor) sozinha é só uma cor bonita. Mas, quando se enamora de outra se torna divina. Para mim, aí está o mistério. Diga-me, não é complicado discorrer sobre um mistério?


  BJ:Apesar de ser uma artista nordestina, pernambucana, esta é a primeira individual na Bahia? Como vê sua trajetória nas artes plásticas brasileiras?


  Lúcia Suané
- Adoro a Bahia. Ela é assim como se fosse minha "voinha"... Estou super feliz de expor na "Casa Grande" de meus avós! Quando adolescente, morei ali nas Pitangueiras. Bem, mas é uma outra estória "que entra por uma perna de pinto, sai por uma de pato, Reimando mandou dizer que contasse quatro..."