Waldeck Ornelas
06/04/2026 às 10:54
Salvador passou, ao longo de várias décadas, por grandes e traumáticas transformações urbanas, inchando, sob a pressão de uma maciça migração rural-urbana, exigindo agora que se adeque a cidade e sua Região Metropolitana a novas demandas. Em um cenário onde a população já parou de crescer, é hora de requalificar o espaço urbano para proporcionar melhores condições de vida à população e abrir novas perspectivas de desenvolvimento, com geração de trabalho e renda.
Ao longo da última década, foi implantado um moderno sistema de transporte de passageiros, de alta e média capacidade, que inclui o metrô, o BRT e, agora, o VLT, configurando uma rede integrada. Esta nova infraestrutura de mobilidade muda a lógica da expansão urbana e do ordenamento do uso do solo. A grande vantagem é que a Cidade passou a contar com um arcabouço estruturador, que passa a orientar a ocupação do solo, processo para o qual a indústria imobiliária local ainda não despertou.
A formação de uma nova centralidade metropolitana na região de Águas Claras e o desenvolvimento do Polo Logístico de Valéria, aliado à necessária estruturação de um novo eixo rodoviário de acesso à Capital, por meio de um corredor ligando Alagoinhas a Salvador, põe em relevo a necessidade de completar o projeto da Via Metropolitana, cujo primeiro trecho, implantado pela Concessionária Bahia Norte, permite evitar a congestionada cidade de Lauro de Freitas, ligando a CIA-Aeroporto à Estrada do Coco, já no município de Camaçari.
Aliás, é interessante observar como, até hoje, não há, ao final da Avenida Luís Viana Filho (Paralela), qualquer sinalização de acesso à Via Metropolitana, cometendo-se o descalabro de direcionar, pela Avenida Caribé, todo o tráfego de passagem para o Litoral Norte pelo interior da sede de Lauro de Freitas, onde prevalece um permanente congestionamento de veículos de passeio, reflexo da falta que faz a existência de uma gestão metropolitana.
Antigo trecho inicial da Estrada do Coco, a atual Avenida Santos Dumont é a principal via arterial do sistema viário de Lauro de Freitas, onde se formou uma centralidade linear, com o maior comércio de rua da região metropolitana.
Ocorre que a rodovia CIA-Aeroporto (BA-526) não é o ponto final da Via Metropolitana. Mais propriamente, esta visa constituir-se em rota alternativa para os deslocamentos que se destinam ao Litoral Norte, visando, inclusive, desafogar a Avenida Paralela – já com cinco faixas de tráfego. O objetivo mesmo é integrar-se com a Avenida 29 de Março que, por sua vez, atravessa a cidade do Salvador transversalmente, ligando a Orla Oceânica à BR-324. Com isto, com uma cajadada só, desobstrui-se o tráfego no trecho final da Avenida Luís Viana Filho, elimina-se o congestionamento da Avenida Dorival Caymmi (no bairro de São Cristóvão), retira-se o tráfego de passagem do interior da cidade de Lauro de Freitas e cria-se uma nova e importante articulação viária.
Este novo trecho da Via Metropolitana, ainda que inteiramente no território municipal de Salvador – onde contorna o bairro de São Cristóvão – constitui-se em importante e estratégica complementação do sistema viário metropolitano, servindo a múltiplos propósitos, na medida em que distribui o tráfego de veículos para vários destinos, diante de suas diversas conexões.
Seja promovido pelo Estado ou pela Prefeitura, economicamente viável, o novo trecho da Via Metropolitana deve ser implantado pelo regime de concessão, dispensando a mobilização de recursos públicos.
Em termos de sistema viário urbano, a Via Metropolitana é a bola da vez.