quarta-feira, 19 de junho de 2019
Turismo

DECADÊNCIA DO TURISMO EM SALVADOR PODE FECHAR HOTEL PESTANA NO CARMO

VIDE
| 31/08/2011 às 21:01
Hotel Pestana do Carmo: bonito, majestoso e sem boa ocupação hoteleira, apenas 45%
Foto: DIV
A situação de violência, da sujeira e falta de estrutura na área do Centro Histórico está levando os empresários locais ao abandono das suas atividades e vem espantando novos investidores.  Os problemas têm atingido de forma tão latente o segmento turístico local, que mais de 30 por cento dos estabelecimentos decidiram fechar as portas nos últimos três anos, gerando desemprego e desestabilizando o trade.   

  O mais importante empreendimento do Centro Histórico, a pousada Pestana Convento do Carmo - eleita pela revista norte-americana Travel+Leisure como uma das melhores unidades hoteleiras do mundo -, passa por um momento crítico. Segundo sua direção a queda na procura, por parte de turistas nacionais e estrangeiros alcança o índice de 45 por cento, o que está trazendo preocupações em relação ao futuro do empreendimento e da área.    

A crise já ganha repercussão internacional. O Grupo Pestana - Hotels and Resorts se manifestou ontem sobre o assunto. O Vice-Presidente Mundial da empresa - uma das 50 maiores do mundo -, Luigi Valle, vê com preocupação a realidade local onde está localizado seu empreendimento. Ele explica que o amplo noticiário sobre violência, assaltos e roubos a hotéis, pousadas e restaurantes, bem como do turista nos meios de comunicação do mundo todo "vem assustando aqueles que pretendem visitar Salvador".
     
  EVITA O CENTRO

   A própria Associação Brasileira da Indústria Hoteleira - ABIH/Bahia comprova a queixa do Grupo Pestana e observa que, hoje, o turista evita o centro histórico. Muitos chegam e do aeroporto seguem direto para o Litoral Norte ou para a Costa do Dendê, Costa da Baleia e outras, passando ao largo do Pelourinho.

    O presidente da entidade de classe, José Manoel Garrido diz que o problema maior no Pelourinho é o social. Se houvesse um combate específico às drogas, metade da questão estaria resolvida. "Existe boa vontade do governo e da prefeitura, mas não tem verba", lamenta.

   Ele cita alguns pontos críticos na questão que envolve a degradação do Pelourinho, a exemplo de mais de 100 casas abandonadas e que não são recuperadas, servindo de moradia para a parcela de marginalizados. O próprio Batalhão da Polícia Militar vem perdendo efetivos ano a ano. Crianças estão abandonadas por não existir a presença de um centro para acolhimento do menor.     

  A ABIH/Bahia informa que nos últimos cinco anos mais de dois mil empregos foram pulverizados na área do Centro Histórico, por causa do fechamento das portas de diversos empreendimentos. "Não somente os turistas estão sumindo da área. Os empresários também estão indo embora", diz Garrido.

      Já o representante do Grupo Pestana, Luigi Valle, diz que "a situação é vexatória". Ele observa que quando foi implantada a estrutura do Pestana Convento do Carmo, foi feito um investimento de mais de R$ 30 milhões e que o acordo com as autoridades dos governos municipais e estaduais seria a contrapartida de oferecimento de mais segurança, revitalização e estrutura adequada. "Nos últimos anos o que vimos foi a degradação do Centro Histórico. Os empresários do ramo estão cada vez mais preocupados com o destino do Pelourinho".  

  Ele explica que, além da conceituação histórica, arquitetônica e patrimonial, um ponto essencial e que atrai o turista é justamente o acervo do Patrimônio Histórico; e que os turistas optavam pelas pousadas do Carmo, Santo Antonio e outras áreas, pela facilidade de acesso e a proximidade com o Pelourinho. "Hoje o turista quer distância da violência":

- Com o problema perdem os empresários, o governo também perde taxas e impostos, a sociedade passa a contar com menos emprego e a imagem da Bahia se acaba - enfatiza.      Somente o Grupo Pestana é responsável pela geração de 500 empregos diretos e centenas indiretos em Salvador, entre a pousada e o Hotel Pestana do Rio Vermelho, Este tem hoje uma taxa média de ocupação mensal de 75 por cento e em franco crescimento.

O grupo, apesar dos problemas no Carmo, garante Luigi, continua acreditando no projeto e não aventa a possibilidade de retroceder em sua intenção de continuar na área. Os empreendedores portugueses, Inclusive, acabam de renovar por mais cinco anos o contrato de utilização do convento, junto aos Carmelitas, que são os proprietários do prédio histórico.    

A ABIH/Bahia, preocupada com a situação arregimentou seus associados e empresários de turismo do Centro Histórico de Salvador, criando uma força-tarefa. Já fez duas reuniões com representantes da prefeitura em busca de soluções. No próximo dia cinco voltam a se reunir. "Temos de confiar", diz o presidente da associação, José Manoel Garrido. "Acreditamos todos, que, empregadores, empregados, a sociedade e o patrimônio serão contemplados com uma melhor realidade", finaliza Luigi Valle, do Pestana.