sexta-feira, 18 de setembro de 2020
Colunistas / Política
Tasso Franco

NILO vai ser reeleito presidente da Assembleia. Veja as razões. (TF)

Rui Costa é político experiente e certamente não vai querer mexer em time que está ganhando de goleada
16/12/2016 às 09:49
  1. Lê-se e ouve-se na imprensa baiana muitos comentários sobre a sucessão na Assembleia Legislativa da Bahia e uma possível fragilidade do deputado Marcelo Nilo (PSL), o qual busca seu 6º mandato consecutivo, 12 anos de poder. É um fato inédito, raro, mas, exequível e legal porque o Regimento da Casa permite.

   2. Diria, pelo que acompanho diariamene na ALBA que Nilo tem tudo para ser reeleito, até com certa tranquilidade, apesar de candidaturas postas pelo PSD, com Angelo Coronel; e PP com Luis Augusto, ambos integrantes da base governista. E de uma imaginária candidatura de consenso com o decado, Reinaldo Braga no comando.

   3. Ora, por mais que se diga que a Assembleia é um Poder independente, o Legislativo está atrelado diretamente ao Poder Executivo, comandado pelo governador do Estado, qualquer que seja ele no plantão do Palácio de Ondina. Assim também são as Câmaras de vereadores em relação aos prefeitos. Todo governador, salvo raras exceções, tem maioria na Casa Legislativa. Isso é natural e normal. Anormal é não tem maioria.

   4. Tanto que na configuração dessas casas existem uma bancada da Maioria (do governo) e uma bancada da Minoria (oposiçãoi). A Maioria, também chamda de Base Governista vota projetos de leis de interesse do Executivo e eventualmente do Judiciário. A Oposição faz seu papel, de se opor, contestar, analisar os projetos, denunciar e assim por diante. Às vezes, vota por acordo de liderança. Na maioria dos caso é contrária. É o seu papel.

   5. Faço essa explicação para dizer que, nesses últimos dez anos em que Marcelo Nilo foi presidente da Casa o governo do Estado nunca sofreu derrotas. Alguns PLs foram negociados, mas, derrotas definitivas do Executivo, zero. 

  6. O governador Rui Costa está chegando ao seu terceiro ano de governo, em 2017. A eleição da nova mesa diretora da Assembleia acontece em fevereiro de 2017. A pergunta que se faz é a seguinte: Rui Costa vai mexer no time que está ganhando de goleada? A resposta é simples: Não.

   7. O governador, diz-se (vale também para prefeitos) não interfere na eleição da Assembleia. Mas, no meio político todo mundo sabe que isso é uma falácia. Faz de conta que não interfere, mas, orienta, aconselha, descoversa e assim por diante. É só vê o que aconteceu agora com o vereador Paulo Câmara, presidente da Câmara de Salvador, PSDB, que tentou uma reeleição e foi fritado.

   8. O ex-governador Wagner teria sido o grande incentivador para que Marcelo Nilo se perpetuasse no poder. Já com 6 anos como presidente, o PT se insurgiu a lançou Rosemberg Pinto candidato a presidente. O PT tem a maior bancada de deputados por partido na Assembleia. Rosemberg partiu bem, falante, mas, faltava (digamos assim) o beneplácito de Wagner. Ele foi ao então governador, em Ondina. Quando retornou ao plenário da Casa, no dia seguinte, a imprensa procurou saber como teria sido a conversa. Rosemberg disse, então, que "não houve conversa".

   9. Resultado: Rosemberg ficou como uma espécie de herói da resistência, Marcelo venceu mais uma eleição, fácil, e o PT ficou fora da mesa. O PT, agora, já anunciou que está com Marcelo. Terá 11 deputados em 2017. E, óbvio, vai querer a vice-presidência da Casa. E é óbvio que Nilo vai dar.

   10. Vai uma outra questão: o deputado pastor Isidório (PDT) tinha lançado seu nome como candidato. Recentemente, retirou a candidatura e apoiou Nilo. Como o governador não interfere no Legislativo diria que uma almas falantes que residem perto do zoológico chegaram no ouvido de Isidório e disseram: "deputado retire sua candidatura e apoie Nilo. Isso vai nos ajudar". Pronto: Isidório apoiou Nilo. E este já tem 30 votos contabilizados.

   11. Agora, vamos aos adversário de Marcelo: Ângelo Coronel vai pouco ao plenário. Não agrega. E é candidato de Otto Alencar, senador virtual candidato a governador, em 2018. Pelo menos é que fala seu pessoal na Casa Legislativa a boa miúda. Digamos assim: Rui daria apoio a Coronel? Na política ninguém alimenta cobra para ser picado. Não existe.

   12. O outro nome é Luis Augusto (PP), pouco presente no plenário, em tese candidato do grupo de João Leão, vice-governador de Rui. Perguntinha socrática: Leão vai se juntar a Otto contra Rui? Parece improvável.

   13. Fala-se, ainda, num 'tercius', consensual, Reinaldo Braga. Uai! como dizem os mineiros, o filho de Reinaldo, o Reinaldinho, eleito prefeito de Xique-Xique, foi ex-secretário da Prefeitura com ACM Neto é e "netista". Outra perguntinha socrática: Rui vai aceitar um 'tercius" desses? Rui é bobo nada.

   14. Daí, que, em nossa opinião, só se houver um 'tsunami' na política estadual para Marcelo Nilo não emplacar novamente a reeleição. E, hoje, já anunciou (pela segunda vez) que, em 2017, organizará um Plano de Cargos e Salários na ALBA.

   15. Bem, tem ainda a Oposição: 21 votos. Vai maturar, aguardar e negociar seus espaços na Mesa Diretora como hoje está.