ter?a-feira, 25 de fevereiro de 2020
Colunistas / Política
Tasso Franco

ELEIÇÕES 2016: O passeio de Zé Ronaldo em Feira de Santana c/ 71%

A diferença de Zé Ronaldo para todos os outros candidatos foi superior a 130.000 votos
06/10/2016 às 10:31
O resultado das eleições em Feira de Santana, segundo maior colégio eleitoral da Bahia, seguiu um 'script' muito parecido com o de Salvador. O prefeito José Ronaldo de Carvalho (DEM) com gestão bem avaliada pela população começou a campanha eleito no primeiro turno e terminou assim. 

   O Ibope nas pesquisas quem fez no município apontou que a vitória seria com 70% dos votos e Ronaldo teve 71.12% (212.408 votos) contra seu principal adversário, o deputado líder da Maioria (Governo) na Assembleia Legislativa, o advogado Zé Neto, PT, o qual obteve apenas 14.71% dos votos (46.912).

   Em terceiro ficou o candidato Jhonatas Monteiro com 9.21% dos votos (37.503) - desempenho muito melhor do que o candidato do PSOl na capital; em terceiro o ex-deputado Jairo Carneiro (PP), com 2.98 dos votos (8.812), em quarto Angelo Almeida (PSB) com 0.93% (2.763), muito abaixo do esperado; e Leonardo Pedreira, do PCO (0,09 dos votos), 283. 

   A diferença de Zé Ronaldo para todos foi superior a 130.000 votos. Uma vitória esmagadora.

   Levando-se em consideração as eleições de 2012, uma vez que os atores são os mesmos, a exceção de Tarcísio Pimenta, Zé Ronaldo avançou + 5% na preferência do eleitorado passando de 66.04% para 71.12%; Zé Neto sofreu uma queda, de 18.65% (2012) para 15.71% (2016), algo como - 2.94%; e Jhonatas manteve seu eleitorado intacto com 9.21% em 2012 e igual percentual em 2016. 

   O ex-prefeito Tarcizio Pimenta, em 2012, teve apenas 6.10% dos votos (18.100). Isso significa dizer que boa parte do eleitorado de Tarcízio migrou para Zé Ronaldo ou quase sua totalidade.

   O que teria acontecido para Zé Neto e Jhonatas Monteiro não sairem do lugar, não avançarem?

    Zé Neto disse ao BJÁ que o governo do Estado fez muitas obras em Feira, mas, faltou comunicação. A população não conhece. Ele, inclusive aproveitou a campanha para mostrá-las. E, outro fato, impeditivo do seu crescimento - em sua opinião - foi o desgaste nacional do PT nas grandes cidades, que o atingiu em cheio. Ou seja, não conseguiu sair do circulo eleitoral que tinha (e tem), ampliando-o para a massa, diante desse desgaste. 

   Em síntese: a população não quer o PT, nesse momento. Diz, no entanto, que é jovem e tem tempo pela frente. É uma tese.

   O caso de Jhonatas nos pareceu falta de combatividade, ele que andou enrolado com a prestação de contas da campanha passada e, notoriamente, não tem e nem teve recursos para a campanha de 2016. Tem, no entanto, um eleitorado cativissimo, 9.21% dos votos, o que poderá lhe assegurar, se ampliar sua ação em municípios da RMF, uma vaga na Assembleia Legislativa.

   As fracas votações de Jairo Carneiro, Angelo Almeida e Leonardo Pedreira já eram esperadas. Jairo abaixo da crítica, uma vez que já foi deputado federal e secretário de Estado; a Almeida por ter tido o apoio da senadora Lidice da Mata.

   Quando a Zé Ronaldo pouca coisa a acrescentar além daquilo que já se conhece. Bom político, bom administrador, BRT e viadutos em andamentos, PMDB e outros tantos partidos do seu lado, boa comunicação, empatia enorme com a classe média feirense, daí que a resposta foi uma aclamação nas urnas.

   A oposição pregou o mesmo sermão das missas antigas dando conta de que o governo de Zé Ronaldo era pífio, que desta vez ele iria se estrepar, que Feira cansou deles, e Zé, no seu estilo 'come quieto' andando pelos bairros, recuperando escolas, fazendo praças e campos de futebol, melhorando a saúde e fazendo o que a classe média mais gosta: limpeza, iluminação e asfalto.

   Discurso ideológico em Feira? Foi sepultado com Chico Pinto. Hoje, não cola, nada dessa catilena de 'golpe', 'movimentos sociais', 'governo participativo'. A população quer trabalho sem roubalheira e obras em sua porta. E, claro, o guarda chuva da Prefeitura na saúde e educação.

   Zé Ronaldo, portanto, vai para novo mandato entre 2017/2020 tendo na vice o ex-deputado Colbert Martins Filho, este ainda beneficiado pelo 'recall' do velho Colbert Martins, um dos políticos mais queridos de Feira.

   O que vai acontecer daqui pra frente, no campo político, ainda é cedo para se analisar. Zé Ronaldo tem a possibilidade de completar o mandato até 2020 e trabalhar seu sucessor; ou ser candidato a deputado federal, em 2018.

   Na chapa majoritária de ACM Neto 2018 não lhe cabe porque são do mesmo partido. As vagas para o Senado serão do PSDB/PMDB. Há, ainda, a vice, e tem dez partidos na fila. Vai ser uma briga de foice no escuro.