sexta-feira, 18 de setembro de 2020
Colunistas / Política
Tasso Franco

DILMA equilibra jogo no debate da Record e Aécio só foi melhor no fim

Agora é espera o debate da Rede Globo, na sexta
20/10/2014 às 10:14
 A presidente Dilma Rousseff (PT) se apresentou no debate da TV Record nesta noite, em SP, com uma melhor performance do que no debate do SBT quando, literalmente, foi nocauteada por Aécio.

  Desta feita, o candidato "tucano" também utilizou termos mais amenos para classificar algumas atitudes de Dilma e não a chamou de "mentirosa" nem de "leviana" como aconteceu no SBT. 

   Os dois candidatos se equilibraram nos ataques e até discutiram algumas propostas para o país nas áreas da educação, saúde, segurança e infra-estrutura.

  Ao que tudo indica, por orientação do seu pessoal do marketing e da política, Aécio foi menos agressivo com a presidente temendo que pudesse sensibilizar o eleitorado feminino em favor da petista alerta que havia feito Lula no último sábado, em MG, de que o "tucano" gosta de espinafrar as mulheres. 

   Tanto que, em momento algum deste debate fez adjetivações ou cunhou frases contra Dilma, a pessoa. Em compensação, quando tratou da questão governamental disse que falta gestão eficiente a presidente daí a infeiciência do seu período de mandato na áreas essenciais e no crescimento do país.

  Dilma foi ao debate repleta de números mas tem enorme dificuldade de resumir dados propositivos do seu governo saindo-se melhor quando abordou o tema educação técnica e citou os números do Pronatec.

   Saiu-se bem na resposta dos bancos estatais e da Petrobras sobretudo na questão do avanço nos indices de produção, mas, quando tratou do escândalo na empresa Aécio a deixou sem uma resposta convincente. 

   O "tucano" não soube dar sequência ao mesmo tema na sua vez de perguntar e desviou a atenção para outra pergunta, o que foi uma falha de sua parte.
 
  Os candidatos, no geral, trocaram criticas e ataque, mas amenizaram o tom agressivo dos dois confrontos anteriores do segundo turno, o do SBT, na última quinta (16), e o da TV Bandeirantes, na terça (14). 

  Ao perguntar sobre violência, Aécio disse que a rival "tem problemas com números". Sobre direitos trabalhistas, Dilma questionou o tucano sobre supostas "medidas impopulares" que tomaria se eleito. Ele respondeu falando em demissões na indústria de São Paulo, apontando os "piores" números de crescimento econômico.

  O tucano lembrou falas anteriores da petista de que inflação está sob controle, mas perguntou por que países vizinhos crescem mais com inflação menor. "A inflação está aí", disse Aécio. "Vocês sempre gostaram de plantar inflação para colher juros", respondeu Dilma.

  Em diferentes momentos do debate, os dois divergiram sobre a paternidade de programas sociais. Dilma se referiu ao "meu Bolsa Família". "Não faça isso. O Bolsa Família não é seu", retrucou o candidato. Dilma disse que Aécio questiona algo que "o mundo reconhece".

  Quando debateram sobre o Pronatec (Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego), Dilma afirmou que o governo de Fernando Henrique Cardoso (PSDB) proibiu a construção de escolas técnicas. "Não consigo entender essa obsessão de ter um programa para chamar de seu. O seu governo não inventou as escolas técnicas", disse Aécio.

  O tucano questionou Dilma sobre a Petrobras. Neste sábado, ela admitiu que houve desvios de recursos na empresa. Ele quis saber se ela confia no tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, que teria obtido recursos para campanhas do partido por meio da empresa.
"Da última vez que um delator denunciou alguém do seu partido, no caso do metrô e dos trens, o senhor disse que não confiava na palavra de um delator", afirmou Dilma. "Se a senhora acha que houve desvios, a senhora está confiando na palavra do delator. 

  O debate foi mal conduzido pelos apresentadores da Record os quais permitiram aplausos e até vaias no estúdio. 

   Aécio esteve melhor do que Dilma nas considerações finais falando mais para os telespectadores e de forma mais espontânea. A presidente se ateve muito ao seu roteiro pré-estabelecido, ainda que tenha passado bem a idéia de que, o que está em jogo são dois projetos políticos: o dela (PT) que avançou em vários campos no país; e o dele (PSDB) do arrocho e do desemprego.

  Aécio também usou a mesma metáfora dos dois governos destacando que, sim, há dois projetos no país, o dele (PSDB), do futuro e de total respeito ao dinheiro público; e o do passado (dela, PT) que fracassou e dirige o país não como um projeto de governo e sim de poder (do PT).