quarta-feira, 19 de fevereiro de 2020
Colunistas / Política
Tasso Franco

A CRISE FINANCEIRA da Assembleia, o ano eleitoral e cruzes de Wagner

Acontece amanhã (18), às 17h, na área interna do Farol da Barra, O lançamento do Calendário Oficial de Eventos de Salvador
18/09/2013 às 08:52
1. Deputados ouvidos pelo BJÁ nesta tarde de terça-feira, 17, tanto da base governista; quanto da oposição sobre a instabilidade financeira da casa, que precisa de mais R$25 milhões para fechar suas contas, em 2013, disseram que não acreditam que o governador Wagner não autorize o repasse, mesmo diante das dificuldades financeiras do Estado.

   2. Entendem que mexer em "bolso de deputado" como se diz no popular não é boa coisa para um político ainda mais que, em 2014, há eleição para a chapa majoritária e renovação das bancadas na Assembleia, Câmara e Senado. Daí que, o mais salutar é o Executivo ceder, como fez em 2012, fazendo o aporte dos recursos, sem que, para isso, a Casa precise cortar cargos comissionados, veiculos e gasolina dos parlamentares, verbas de gabinetes e assim por diante. 

   3. A conta não fecha: a Casa precisa de R$128 milhões se nenhum corte for feito, e só dispõe de R$97 milhões do Orçamento. Mesmo que corte tudo que os deputados têm direito, hoje, e apague as luzes, feche o restaurante, não dá.

   4. Hoje, deputados da base governista cairam na real. Como já aprovaram a maioria dos projetops do Executivo, inclusive as autorizações para empréstimos no exterior e o Refis, este com perspectiva de arrecadar + R$300 milhões de dívidas com o ICMS, têm, doravante, poucas coisas relevantes a serem apreciadas, e, portanto, a moeda de troca, de pressão, está mais favorável ao Executivo do que ao Legislativo.

   5. A questão é que tem o ano de 2014, vital para Wagner trabalhar sua sucessão, a aprovação de suas contas de 2010 e 2011, que ainda não chegaram a Casa, mas, vão chegar; a liberação do incentivo fiscal para o Metrô, a gratificação do pessoal da educação, ainda sem mobilização da APLB, contas do TCE/TCM, Orçamento 2014 e assim por diante. 

   6. Ou seja: pelo sim; pelo não é melhor o governo bancar esses R$25 milhões do que desagradar aos deputados.

   7. Nos bastidores, diz-se que o presidente Marcelo Nilo teria dito que o "problema estava resolvido", politicamente; mas, esbarrou na área técnica do governo, Seplan/Sefaz.

   8. A situação financeira do Estado está apertada. Não há quebradeira, como dizem alguns deputados da oposição, mas, há dívidas de R$1.9 bi de despesas a pgar de processos já empenhados. A oposição diz que o governo estaria deslocando recursos de investimentos para custeio, mas, ainda assim, mais adiante, tem que prestar contas dos dois caixas. 

   9. Tem que fechar saudável em 2014, para Wagner sair bem na fita, quer o seu sucessor seja da base governista ou não. Esta foi uma moeda muito usada pela situação quando Paulo Souto deixou o governo, em 2006, a chamada "Herança Maldita" e se alardeou muito débitos de R$190 milhões coma Saúde. Hoje, já são R$226 milhões.

   10. De quebra, ainda tem o ano eleitoral de 2014, de pressão por mais obras e mais verbas. É ano que a base quer tudo, força daqui e dacolá, chora, grita, mas, sempre acaba conseguindo alguma coisa. Além disso, tem as datas bases de reajustes dos servidores. O governo, até agora, não dá sinais de que pretende reduzir seu custeio efetivo com cortes de comissionados e secretarias inúteis. 

   11. Vai levando e seus problemas ampliando-os. A espacialidade da cultura, por exemplo, foi por água abaixo. A pasta deve R$21 milhões e 525 mil e só conseguiu efetivar 34.47% do seu orçamento. E a Secopa, nem chegou a Copa 2014, já deve R$19 milhões.

   12. Então, toda cautela é pouca do governo. Mas, com deputado a história é outra. O pessoal é ardiloso demais e o governador está carrengando essas cruzes, bastante pesadas.