sexta-feira, 21 de fevereiro de 2020
Colunistas / Política
Tasso Franco

CPI DO Futebol perde chance de analisar buraco na cobertura da ARENA

A CPI proposta pelo deputado Uziel Bueno foi descartada
28/05/2013 às 09:38
1. Na semana passada, depois que 6 deputados governistas retiraram as assinaturas do requerimento encaminhado à Mesa da Assembleia Legislativa pelo deputado Uziel Bueno (PTN) com 25 nomes propondo a CPI do Futebol, o presidente da Casa, Marcelo Nilo (PDT) sepultou a comissão sob a alegação de que não havia o número regimental suficiente de deputados (21 proponentes é o número regimental e só restaram 19 assinaturas), daí que a nascente CPI foi arquivada.

   2. A oposição bem que tentou manter a CPI, alguns deputados da base mantiveram suas assinaturas, mas, segundo o líder do PMDB, deputado Luciano Simões, "a pressão do governo do Estado, da OAS/Odebrecht do consórcio Arena Fonte Nova pesou mais forte". A proposta da CPI, a inicial, partiu do clamor diante das duas derrotadas acachapantes do Vitória sobre o Bahia, 5x1, 7x3, por sinal na Arena Fonte Nova.

   3. Ou seja, "pegar" o presidente do Bahia, Marcelo Guimarães Filho, envolvido em denúnicas junto ao MP e outros problemas de gestão do clube. Mas, como Marcelinho é deputado federal pelo PMDB este partido farejou que, por detrás da campanha publicitária enaltecendo que o Bahia é do torcedor, havia digitais do governo do estado, e poderia respingar na candidatura Geddel ao governo do Estado, por tabela.

   4. Daí que, deputados do PMDB e da oposição na Casa Legislativa ampliaram o leque de ações da CPI e que seria oportuno apurar, também, além dos times de futebol, os custos da Arena Fonte Nova e as suas obras adiadas várias vezes, os custos da obra de Pituaçu que começaram com R$30 milhões e terminaram com R$55 milhões, e o financimaneto de clubes do interior pela Embasa.

   5. Aí, diz-se, foi o governo que viu bater no seu terreiros os tambores de uma repercussão provável e indesejava. O secretário César Lisboa, da Articulação entrou em campo, o líder do PT na Assembleia, Rosemberg Pinto, idem, e os governistas retiraram seus nomes da CPI e esta foi arquivada.

   6. Por uma dessas coincidências, aliás, devido as chuvas, hoje, parte (um pequeno pedaço) da cobertura da Arena Fonte Nova desabou. O governador Wagner não gostou e disse que isso não era para ter acontecido. Afinal, virou matéria nacional e a imagem da Bahia, recheada de folclore, lá incorporou mais um.

   7. O diretor de engenharia José Luis Góes, da Fonte Nova Negócios e Participações, responsável pelo estádio, comentou o ocorrido:

   8.  “Houve um processo de verificação da cobertura, até aproveitando esse período de chuva, em que existe uma lona, e ela foi enrolada inadvertidamente e causou um impedimento do fluxo de águas. E aí essa água acumulou nesse ponto da lona, no final da lona, causando um bolsão. E, à medida que esse peso foi aumentando, veio a acontecer a ruptura. Então foi um erro de procedimento de verificação, mas nada ligado a qualquer problema estrutural da cobertura propriamente dita. Isso não aconteceu. A gente já identificou e já estamos iniciando os reparos da cobertura”, explicou.

   9. Ou seja, atribuiu-se a uma falha humana e não de projeto. Mas, essa questão da cobertura já foi analisada pela imprensa local, havia problemas, tanto que a inauguração do estádio foi adiada várias vezes, e uma falha dessa natureza, durante um jogo internacional seria um vexame sem precedentes. A CPI do Futebol, por opotuno, se vingasse, iria passar esse assunto a limpo.

   10. Então, como não foi incidente por falha divina, embora São Pedro tenha sido responsável pelas chuvas, é bom consertar bem feito, analisar pontos de drenagem e colocar a turma de plantão.