ter?a-feira, 25 de fevereiro de 2020
Colunistas / Política
Tasso Franco

BORGES chega para esquentar sucessão e PT tem que embalar sua cria

Nomeação de César Borges mostra que governador Wagner trabalha o local, mas considera e muito o projeto nacional
02/04/2013 às 10:53

 A politica é a arte do entendimento. O governador Jaques Wagner (PT) não brinca quando diz que seu professor neste segmento é Lula e está no poder para agregar e não para espalhar. Daí se entende a nomeação do ex-governador da Bahia, César Borges (PR), para o cargo de ministro dos Transportes, pasta das mais relevantes da República porque mexe com um volume enorme de recursos e obras de infra-estrutura e que, em tese, dão votos. 


   Vê-se, ademais, que o PT nacional não considera as questões dos PTs regionais e o que vale, pra pirão, é o projeto de governo e do poder na presidência da República, com a re-eleição de Dilma. As querelas estaduais ficam em segundo plano e, claro, se o governador conhece e se adapta a esse processo, como é caso de Wagner, melhor ainda. Evidente que Dilma/Lula não iriam indicar Borges sem o aval de Wagner, mas, por outro lado, Wagner não vetaria o ex-governador para dificultar o entendimento.

   E o que dirá o PT local diante desses fatos, Borges que era apontado como algoz da invasão da Faculdade de Direito da UFBA, representante máximo do "carlismo" quando governador da Bahia? 

  Nada. Vai engolir a seco. Calado, mudo. E, como sempre faz, mudará o discurso, se adaptará à nova ordem e seguirá sua trajetória tentando emplacar um nome para ser o sucessor de Wagner, em 2014.

   Pelo visto, no entanto, agora se tem uma noção mais cristalina de que o encaminhamento político na Bahia passará pelo "esquemão" nacional e, como diria Alfredo Nascimento, o cacique maior do PR nacional, Borges se insere nesse espaço como candidato a governador, "competitivo, forte". 

   Há, no nosso entendimento, dúvidas em relação a isso. Claro que cada momento da política tem sua hora certa de encaixe e continuo acreditando que o PT, mesmo com nomes sem densidade eleitoral (vide comentário neste site sobre os 4 pré-candidatos) deverá colocar o seu nome preferencial em cena, nem que saiba no primeiro turno. Se não conseguir tal situação, se desmoraliza.
E Borges seria mesmo competitivo como diz Nascimento? Também há dúvidas. Perdeu a eleição para prefeito de Salvador, em 2004, quando ACM impôs seu nome a Imbassahy e Souto na disputa com João Henrique (PDT), em 2004; e perdeu a re-eleição para senador contra Pinheiro (PT) e Lídice (PSB), em 2010, ao ser convidado pro Wagner para integrar sua chapa e achar que faria voo solo de sucesso.

   Mas, ainda assim, há de se considerar, a partir de agora, o nome de Borges como pré-candidato a governador. E Wagner, mais do que ninguém sabe disso e joga com todas as possibilidades para fazer o sucessor e atuar em consonância com o projeto nacional. Se Borges for o melhor para o projeto nacional será ele. 

   Esse tese, a partir de agora, vale para todos: se Lidice (PSB) for a preferencial vai Lidice; se for Marcelo Nilo (PDT), idem-idem; e se for Otto Alencar, amém. 

   O PT local, mais do que nunca, tem que embalar seu candidato. Ou embala ou será atropelado pelo projeto nacional.