Colunistas / Política
Tasso Franco

CAMPANHA POLITICA DE ALTO NÍVEL NÃO EXISTE NO BRASIL

O mínimo que se faz é chutar a canela do adversário
26/09/2012 às 08:05

Foto: Max Haack
No inicio da campanha, na igreja do Bonfim, abraço de tamanduá entre Neto x Pelegrino
    Quando um candidato diz que vai fazer uma campanha de alto nível está blefando. 
Nunca houve, não há e não haverá campanha de alto nível na Bahia (e o Brasil) em tempo algum.

    A história está aí para atestar isso e a atual campanha de Salvador, especialmente entre ACM Neto x Nelson Pelegrino é uma realidade do que falamos. Depois, bem...eles se entendem no parlamento e outros sitios e a população fica chupando dedo.

    Então, campanha de alto nível e "briga" de candidatos só quem acredita é Papai Noel já que estamos nos aproximando do final do ano.
 
    Na Bahia, que me recordo, só teve uma briga política que prosperou até o fim, entre ACM x Waldir Pires. As demais, algumas ainda estão em curso e a gente nunca sabe se seguirão adiante, ou se vão ocorrer composições noutras eleições.

    Na campanha a prefeito de Salvador nas últimas eleições também foram apalavrados o propósito de uma campanha de alto nível. E o que vimos? O PT (Walter Pinheiro) e o PMDB (João Henrique) que estiveram alinhados no primeiro governo JH até 45 minutos do segundo tempo, se desentenderam e as palavras mais dóceis entre ambos, no segundo turno das eleições de 2008, foi de "traidor"e "vira casaca".

    Depois, em 2010, foi a vez de Geddel, candidato a governador pelo PMDB espinafrar JH, duplamente "traidor" numa briga "interna-corporis". E nessa campanha, o candidato do PSOL, Marcos Mendes, falou horrores de Wagner e acabou sendo interpelado judicialmente.

    As campanhas politicas na Bahia, últimos 50 anos, têm um divisor de tempo histórico com um corte provocado pelo golpe militar de 1964.

    Antes desse spisódio, a última foi entre Waldir Pires x Lomanto Jr, para governador da Bahia, em 1962. E já, desde aquela época, além das tais propostas dos candidatos, o que valia mesmo era o chute na canela.

    Waldir era taxado de "vermelho" (satanás), "comunista" numa jornada da ALEF (União da Familia) coordenada pelo cardeal da Silva e apoio de A Tarde, com a distribuição de panfletos nas missas e publicações no jornal.

    Na redemocratização, primenta campanha pós Nova República tancredista, se enfrentaram Waldir Pires x Josaphat Marinho. Nossa! Foi uma barra. Fiz a assessoria de imprensa de Waldir associada ao marketing e tinha locais que éramos recebidos a bala.  Na regiao de Irecê precisamos ficar escondidos num palanque com medo de balas perdias.

    Na campanha de 1990, uma das mais violentas, ACM processou Luis Pedro Irujo e a equipe de marketing e só não fomos para o xilindró porque éramos reus pimários e Irujo assumiu toda a responsabilidade (tinha um samba da camisa listrada que chamava ACM de ladrão) e Luis Pedro acabou sendo condenado preliminarmente. 

   Creio que foi o único réu condenado até hoje na Bahia por "calúnia" e ficou sem poder viajar para o exterior durante um tempo. Como troco, o marketing de ACM fez um filmete em que apelidava Luis Pedro de "sorvetão" e retratava-o como débil mental.
ACM era aquele que "rouba, mas faz".

    ACM já faleceu e Luis Pedro deixou a politica. Geraldão (Geraldo Walter), o qual era chefe do marketing de Luis Pedro, tb já faleceu e fizemos essa campanha juntos.

    Agora, eis que, estão às turras ACM Neto (neto do velho ACM) e Nelson Pelegrino (filho do médico Pelegrino que era amigo de ACM). A vida segue.

    A população adora essas brigas dos politicos. Mais do que as propostas. Candidato que fica só falando em propostas, dança. Se não tiver uma briga, um chute na canela, uma campanha fica sem graça e o povo não gosta.
 
    Em Serrinha, minha terra natal, toda campanha circula panfletos embaixo das portas das casas revelando quem são os cornos da cidade entre os politicos, a mulher de fulano que está pulando a cerca com sicrano, fulando que queima a rodinha e assim por diante. Faz parte da cultura local.  

    Então, essa "briga" de Neto x Pelegrino é normalíssima na politica. Processo pra cá; processo pra lá; "surra" x "mensalão"; desafios de toda ordem; cotas x estatuto da igualdade. Faz parte do processo politico e só tende a esquentar até o final do pleito.