segunda-feira, 15 de outubro de 2018
Colunistas / Literatura
Rosa de Lima

ROSA DE LIMA comenta livro Uma Breve História da Ciência, de P. Fara

Uma realidade considerada absoluta: a ciência mudou o universo para sempre
25/09/2018 às 11:00
 A pergunta que muitas pessoas fazem nos dias atuais é onde a humanidade vai parar diante dos avanços da ciência e das novas tecnologias? Parece-nos uma pergunta sem resposta conclusiva uma vez que esses dois segmentos estão sempre em mutação, em evolução. Quando se imagina que os veiculos com seus computadores de bordo tinham chegado ao máximo já se testa os carros voadores e aeroportos nos bairros em cidades para servirem de base a essa nova tecnologia.

  Uma realidade considerada absoluta: a ciência mudou o universo para sempre. Isso é palável, visível e histórico uma vez que não tem comparação a medicina na cidade de São Paulo de hoje com primórdios jesuitas do século XVI no Vale do Piratininga. Nem tampouco a Salvador que era habitada pelos tupinambás com a chegada de Tomé de Souza, em 1549, com a soterópolis dos dias correntes.
  
   A historiadora de Cambridge e ph.D na Universidade de Londres, Patricia Fara, nos brindou com o livro "Uma Breve História da Ciência" (Editora Fundamento, 436 páginas, R$55,00, SP) que resume num único volume a evolução da ciência desde a era dos alquimistas e seus laboratórios incendiários até a atualidade com a robótica e a inteligência artificial.
  
   O livro é uma coletânea de fatos que somente uma historiadora com vastíssimo conhecimento da humanidade poderia proporcionar. É um trabalho de fôlego, denso, repleto de informações preciosas desde o momento em que o sapiens se utiliza da ciência para melhorar a sua vida o que só teria acontecido a partir de 1687, inicio da ciência, quando Newton publicou um livro sobre mecânica e gravidade. 

  Até então, praticava-se ciência - em especial a astronomia - ainda sem essa denominação. Foram os babilônicos do Iraque que criaram os primeiros documentos com os seus escritos cuneiformes e desenvolveram a metereologia. A medicina na Grécia era praticada por Hipócrates na ilha de Crós e os médicos já sabiam muitos detalhes da parte externa dos corpos. E entre os sete homens sábios da Grécia Antiga, Aristóteles é considerado o mais importante para a ciência.

   Segundo a autora, pode-se afirmar que três regiões se uniram especialmente, em matéria de relevância para o futuro da ciência: a China, o mundo islâmico e a Europa medieval. Muitas invenções importantíssimas apareceram primeiro na China, que era tecnologicamente superior à Europa até o fim do século XVIII. E os líderes muçulmanos incentivaram a ciência, ao construir observatórios astronômicos, bibliotecas enormes e hospitais. Na Europa, o conhecimento científico primeiro se desenvolveu nos mosteiros e depois nas universidades.

   O trabalho de Fara é bem documentado, com informações preciosas e dentro da ordem cronológica natural narrando os acontecimentos de cada época, desde a navegação guiada por instrumentos rudimentares aos dias atuais com o uso dos computadores. Evidente que, o que parecia rudimentar nos anos 1500 com os antigos astrolábios, para a época, era exatamente o que havia de mais moderno, de mais avançado. 

  "A travessia do Oceano Atlântico alterou drasticamente a visão que os europeus tinham do mundo, resultando numa enorme expolsão de informações", diz a autora.

   Em 1947, o economista John Maynard Keynes chocou o mundo acadêmico ao afirmar que "Newton não foi o primeiro da era da razão. Ele foi o último mágico". A magia tinha chegado à arte, à música e à literatura no século XVI e John Dee, um matemático com formação universitária, foi escolhido pela rainha Elizabeth I para aconselhá-la em questões navais e estratégias políticas.

   O grande salto da ciência deu-se com a revolução industrial do século XVIII e a substituição de mecanismos motores manuais pelas máquinas e o avento da eletricidade, que, segundo a Royal Society de Londres, empreendedores desenvolveram aplicações práticas que mudaram tudo. E, James Watt, ao observar o vapor levantar a tampa de uma chaleira, projetou motores a vapor para movimentar máquinas pesadas, ainda nos primórdios do século XVIII.

   Nada, portanto, nasceu de uma vez só. A evolução industrual foi acompanhada pela revolução da química e da física, muitas das teorias dos cientistas deixando os laboratórios e sendo introduzidos na prática, na vida cotidiana. Assim caminhou a humanidade até a globalização e a disseminação do conhecimento científico entre os povos, mesmo para nós, no Brasil, importadores desses processos.

   Relata a autora a relação da ciência com o poder militar e as guerras e o grande salto que aconteceu durante a II Guerra Mundial com o uso de duas bombas atômicas e o surgimento de uma nova era, desde William Crookes o primeiro a descobrir a matéria radiante numa placa de metal, o catódio. 

   O ápice desse processo de poder e guerra, deu-se com o físico quântico Robert Oppenheimer discutindo com o general Leslie Groves, uma explosão experimental de bombas atômicas que acelerou a produção da Grande Ciência, característica do século XX.

   Cheghamos ao século XXI com esse cenário e bombas mais poderosas e a medicina nuclear à serviço do homem. E, agora, as novas tecnologias e a IA - Inteligência Artifical - que vai mudar mais uma vez a vida dos humanos provavelmente para sempre. 

   A história não pára e aqueles povos que não acompanhar o andar da ciência tendem a ficar para trás, no atraso. Novas levas de desempregados ocorreráo com a IA e também novos empregos e missões surgirão.

   O tempo não pára e a ciência idem.