Política

Audiência pública na CMS comemora centenário de Ana Montenegro

Evento foi promovido pelo vereador Hilton Coelho
Limiro Besnosik , da redação em Salvador | 15/05/2015 às 17:52
Mesa da audiência pública
Foto: LB

O centenário da ativista política Ana Lima Carmo foi comemorado na Câmara de Salvador por iniciativa do vereador Hilton Coelho (Psol), em audiência público realizado na última quinta-feira, 14, no auditório do anexo Bahia Center. O encontro, intitulado “Centenário de Ana Montenegro: Mulheres, trabalhadoras, lutadoras pelo fim de todas as opressões e explorações”, com a presença do ex-governador e edil Waldir Pires (PT).

Participaram ainda do debate o advogado e militante político, Carlos Marighella Filho; a representante da Associação dos Docentes da Uneb (Aduneb), Caroline Lima; o representante do Partido Comunista Brasileiro (PCB), Milton Pinheiro; Ieda Maria, do Coletivo Ana Montenegro e Graça Mascarenhas da Comissão de Direitos de Proteção da Mulher da OAB-BA, bem como familiares, amigos e admiradores de Ana.

“É importante reconhecer essa trajetória. Para nós é uma honra estar à frente disso”, comentou Hilton. Para ela a homenageada, “além de ser uma referência, fez uma atuação ampla e completa na luta feminista”.

Na opinião do legislador petista é necessário mobilizar a juventude para poder se chegar a uma sociedade igualitária, que respeite o direito de todos, especialmente das mulheres: “É surpreendente saber que nos dias de hoje alguns jovens pedem a volta da ditadura. Precisamos ampliar nossa capacidade de comunicação com a juventude e incluí-los nesta luta, pois ainda temos que avançar muito”.

Criada por Ana a neta Sara agradeceu em nome da família pela homenagem e lembrou do papel de sua avó: “Ela me ensinou a ser quem sou e a trabalhar com toda dignidade do mundo. Ela tinha um respeito por todos. Foi uma grande mulher”.

Passado de lutas

Nascida Ana Lima do Carmo, em 13 de abril de 1915, em Quixeramobim (CE), ela ficou conhecida como Ana Montenegro. Estudou Letras e Direito na UFRJ e depois se radicou na Bahia. Aqui participou desde muito jovem de iniciativas promovidas pelo movimento de esquerda e tornou-se uma das mais destacadas ativistas e fundadora da União Democrática de Mulheres da Bahia (1945), onde atuou até 1964, quando se exilou, passando a residir no México, seguindo posteriormente para a Europa.

Dentro do Partido Comunista Brasileiro (PCB), organização a qual esteve filiada desde 1945, participou da Frente Nacionalista Feminista desde meados dos anos 50 até o golpe militar em 1964. De 1964 a 1979 foi membro da Comissão da América Latina pela Federação Democrática Internacional de Mulheres. Com a democratização do Brasil, volta do exílio e passa a residir em Salvador, reintegrando-se à luta feminista e, como ativa militante, foi convidada a participar do Conselho Nacional dos Direitos da Mulher (1985-1989). Faleceu em 30 de março de 2006.