ter?a-feira, 25 de fevereiro de 2020
Colunistas / Causos & Lendas
Lobisomem de Serrinha

LOBISOMEM DE SERRINHA não aceita ser ministro no novo governo do país

Ofereceram o Ministério da Pesca, das Tainhas e Tilápias e ele considerou que não daria para fazer muita coisa pelo país e pela Serra
03/05/2016 às 19:49
  Corre a noticia em Serrinha de que eu, o Lobi da Serra, aceitei ser ministro do novo governo e já estaria de malas prontas para mudar-me com destino a capital da República. Quero, no entanto, deixar claro aqui para meus leitores que, embora convidado, declinei o convite entendendo que o Ministério que me foi proposto não teria a dimensão necessária para fazer um trabalho pelo país e, em especial, pela Serra município carente de muita coisa.

   Fosse um Ministério que pudesse carrear obras para Serrinha teria aceito visando retirar nosso município do atraso, realizar um projeto industrial grandioso, gerar empregos, promover o desenvolvimento real e acabar com esse embromação de décadas onde só vem pra Serrinha aquelas esmolinhas do governo, uma escola aqui; um conjunto habitcional acolá; um agrupamento de Policia; um fórum pra Justiça; uma borra de asfalto para algumas ruas; nada que seja estruturante e alavancador do desenvolvimento, em tecnologia, em geração de empregos.

   Diria até que enterraram uma caveira de burro na praça principal ou foi a cabeça da jeguinha que fazia a festa dos meninos lá no campo atrás do ginásio motivo que levou um dos nossos queridos a ser conhecido como Tonho da Jega, e eu estaria disposto a desenterrar essa caveira de burro, assim como já fez o povo do Coité, e promover algo mais contundente, mas, só me ofereceram um Ministério mixórdio e eu não aceite. 

  Tivessem me ofertado o Ministro do Desenvolvimento Regional eu toparia; o Ministério da Educação, eu também toparia; um Ministério da Saúde seria valioso, mas me ofereceram o Ministério da Pesca e das Tainhas e Tilápias e como aqui na Serra só tem aguadas e açudes, não topei.

   Ora, se acá Deus não colocou um rio, um braço de mar, uma lagoa, nem petróleo como nos Emirados Árabes, nem esmeraldas como na Colômbia, e tainhas e tilápias a gente só conhece na época da semana santa declinei do convite mesmo sabendo que alguns conterrâneos do nosso grupo não iriam gostar de minha atitude.

   Ora, ainda ponderei lá com o 'home' poderoso da República que se fosse o Ministério das Mulheres indicaria a nossa ativista Eliúze Chupetinha; ou se fosse do Ministério do Esporte e Turismo, teríamos Jorge Cuc ou Luis da Bicicleta; e do Abastecimento, Eliseu do Armazém Andrade; da Cultura, Chicão de Dona Dina.

   Até porque os meninos do Encontro dos Amigos de Serrinha estão organiznando um projeto para despoluir a Bomba açude construido pela Leste Brasileiro para abastecer as antigas 'Marias Fumaças', máquinas movidas a vapor da ferrovia, hoje, um pinicão fedorento rodeado de casas, algumas de invasões promovidas por moradores, outras do bairro da Bomba assim chamado. 

   Veja que o governo federal agora gastou mais de R$12 milhões junto com a Conder para despoluir e urbanizar a Lagoa Grande, em Feira de Santana. E o que acontece com a nossa Bomba? Nada. Nossos politicos não têm prestigio sequer para conseguir R$12 mil e o pinicão está assoreado e recebendo mais coco, um atentado a saúde pública.

   Então, nesse disse-me-disse fui ao Boteco do Teco tomar uma fria e em lá chegando, o nosso Conselho Politico (pela primeira vez) desaprovou a minha atitude em não ser ministro. 

   O primeiro a usar da palavra foi Pinguinha, o qual estava indignado: - Imagina, se V.Exa. fosse o ministro. Eu iria ser seu chefe de gabinete e com o decorrer do tempo estaria pousando aqui na Serra, no campo de aviação de doutor Lomes, num avião FAB, sendo recebido pela Filarmônica 30 de Junho em festa.

   - Você tá maluco. Isso é ato impensado, despesas sem sentido, e você iria era para a cadeia lá em Curitiba por ordem de doutor Moro.

   - Que Moro coisa alguma! Quem iria saber que eu vim pra Serra nas asas da FAB só para um fim de semana, para visitar um projeto social e participar de um churrasco com meus amigos Joinha, Galeguinho do Subaé, Babá, Vando Caminhoneiro, o Rasta da Serra, Roni do Samba e Telebahia, 

   Nesse aspecto defendeu-me o boutequier Teco, o segundo a falar durante o encontro: - V.Exa fez certo em não aceitar esse Ministério das Tainhas e Tilápias porque de pouca coisa a Serrinha está cheia ainda mais que tem pessoas como Pinguinha, valoroso churrasqueiro, que pensa logo em se locupletar e esse país está mudando. Tem muita gente graúda indo pra cadeia", frisou.

   - Mudando pouco. Tem que mudar mais, defendeu o empresário Alirio Vermelho, situando que eu errei em não aceitar o Ministério, porque pequeno que fosse, o nome de Serrinha iria para a ribalta e veja "que nunca tivemos um ministro, nunca tivemos um governador, quiçá um presidente da República".

   - Quem sabe - acrescentou o homem das leis Tolentino Caneco - V.Exa poderia chegar lá no futuro, ser vice do 'home' e passar a titular. Seria a glória pra Serrinha, um presidente nascido e criado aqui, morador do Pontilhão da Bomba.

   - E dona Ester Loura daria uma excelente primeira dama nacional - acrescentou o edil Reizinho - não saberia dizer se para puxar meu saco ou para glorificar a minha senhôra.

   O certo é que a discussão seguiu noite à dentro, João da Caixa foi chegando, Toinho do Caminhão também apareceu para dar seu pitaço, Gaita Petroleiro, doutor Bira dos Mercês e Florisvaldo Freitas também surgiram e a roda de debates foi grande com muita cerveja rodando de boa em boca. Quase rola um som se Maninho Pintor chegasse com seu violino.

   A conclusão final do encontro foi no sentido de que eu deveria repensar a minha atitude, ligar pro 'home' e dizer que aceitava o Ministério da Pesca, das Tainhas e Tilápias na condição de que no orçamento tivesse uma verba alta para despoluir a Bomba e urbanizar o seu entorno; e uma outra verba grossa para montar um centro industrial de porte.

    Daí, terminado o encontro, cada qual foi pra suas casas, diria que uns dois já sairam 'baleados' da cerveja, passei na padaria Baluarte pra comprar uma mão de pães no crente e quando estou neste estabelecimento meu celular toca. Ligação se SP, vi pelo visor e mandei o crente apressar meus pães, pois, a conversa seria particular com o 'home".

   Hi! O telefone parou de tocar. 

   Quando vou subindo a rua da Bela Vista, a pé, andando numa boa, o telefone toca de novo. Respirei fundo, pronto para aceitar o Ministério conforme determinado por nosso Conselho e quando atendo, com voz empostada, era a moça da Vivo querendo me vender um plano melhor para meus acessos.

   Só não mandei ela pra pqp porque sendo educado ponderei. Sobrou prum gato preto que passava à minha frente e dei uma botinada nele. Vade retro.