Esporte

SEM BRILHO, BRASIL SE CLASSIFICA PARA O MATA-MATA DO COPA DO CATAR

O Brasil fez um jogo apenas mediano contra o disciplinado time da Suiça
ZedeJesusBarrêto ,  Salvador | 28/11/2022 às 15:20
Casimiro fez o gol contra a Suiça
Foto: REP

Não fizemos um jogo brilhante, Neymar fez falta, mas vencemos com um gol do eficiente Casemiro (1 x 0), na segunda etapa, quando o empate parecia escrito, e estamos classificados para as oitavas de final da Copa, o objetivo primeiro alcançado. Dois jogos, dois triunfos, seis pontos ganhos.  A Suíça defendeu-se bem, dificultou muito, marcou ... mas cedeu, no final, à pressão canarinho. Parabéns. Sigamos.

 Nos outros jogos da manhã, muitos gols, surpresas, Camarões e Gana fazendo a festa dos africanos.  

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Brasil ...

- O jogo foi pela segunda rodada da fase classificatória de grupos, segunda-feira, 13h, no Estádio 974, bom público, o amarelo predominante, temperatura acima dos 30 graus. Arbitragem do salvadorenho Ivan Barton, 32 anos, o mesmo que apitou Alemanha x Japão. Cafu, Ronaldo e Roberto Carlos presentes.

 Sem Neymar, nossa principal estrela, e sem o lateral Danilo, ambos com tornozelos machucados, na enfermaria, em tratamento, o treinador Tite escalou:

 - Álison, Militão, Marquinhos, Thiago Silva e Alex Sandro; Casemiro, Fred e Paquetá; Raphinha, Richarlison e Vini Jr.

- A Suíça, do treinador do treinador Murat Yakin, 48 anos, ex-zagueiro, um estudioso e declarado amante do futebol brasileiro, bem cautelosa em campo. Tem o meia Xhaka, de 30 anos, e o avante Embolo, de 25 anos, nascido em Camarões, como os destaques, além da defensiva sólida, comandada pelo bom goleiro Sommer.   

  O Brasil de camisas amarelas, a canarinho, calções azuis; e a Suíça de vermelho total.  

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Com bola rolando ...

- Vini Jr muito acionado e marcado, parado logo com começo, com faltas. Um Brasil defensivamente nervoso, errando passes na saída de jogo. Cuidados, estudos. Outra postura, diferenças ... sem Neymar como referência. Era preciso achar logo um novo jeito de jogar coletivamente. Acionar mais os pontas, Raphinha não tocou na bola. Fred e Paquetá meio perdidos, no começo, encaixotados.

- Só aos 18’ aconteceu a primeira pontada de Paquetá, pela canhota, Richarlison não alcançou o cruzamento rasteiro. Aos 26’, a melhor chance criada, troca de passes, Raphinha cruzou de um lado a outro, Vini Jr finalizou de primeira, mas o goleiro Sommer salvou, mandando a escanteio. Aos 30, após tabelar com Paquetá, Raphinha tentou de longe, nos braços de Sommer.

 - O Brasil melhorou, tem o domínio, mesmo jogando com paciência, sem agudez, tocando, e os suíços fechadinhos atrás, na espera, como de hábito. Só aos 38’, pela primeira vez os europeus chegaram na área brasileira, mas foram desarmados. Bolas alçadas em escanteios, a defesa suíça safando. E só.

Fomos melhores no primeiro tempo, dominamos, mas nos faltaram ousadia e criatividade, aquele passe, mais velocidade, aquele drible fatal, o chute inesperado... sim, Neymar. Fred e Paquetá não se acharam, tímidos, marcados. Richarlison não viu a bola. Um time meio enroscado, sem achar os caminhos, enfim.

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 No intervalo, Tite voltou com Rodrygo assumindo o espaço de Neymar e Fred mais na contenção com Casemiro. Saiu Paquetá. Em tese, mais ofensivo. E a Suíça voltou mais ousada, esperta, buscando também o ataque, incomodando. Que o jogo ficasse mais aberto e o Brasil achasse os espaços para agredir mais. Aos 10’, Rodrygo para Vini Jr, o passe para o meio, Richarlison voou na pequena área mas não alcançou. Aos 12’, Bruno Guimarães no lugar de Fred, apagado.

 Os Suíços põem sangue novo (três trocas) e substituem os que já têm cartões amarelos. O Brasil ficou mais vulnerável defensivamente, a marcação no meio afrouxada, a zaga mais exposta. E o time chegava pouco na frente. Já não tínhamos o domínio, na segunda etapa.

 - Olhe o VAR !!!  O Brasil até fez o gol ...  Vini Jr, aos 23 minutos; a bola roubada no meio campo, uma ótima passagem por Richalison, no corta-luz, o passe em profundidade perfeito de Rodrygo e Vini Jr livrou-se do marcador, entrou de cara, definiu.  Mas...  a arbitragem de vídeo pegou impedimento de Richarlison, na origem do lance.

 O Brasil melhorou, retomou a ofensiva. O jogo ficou aberto.  Anthony e Gabriel Jesus entraram no lugar de Richarlison e Raphinha, aos 27’. O treinador suíço respondeu com duas trocas. O jogo ficando murrinha.

- Gol! 1 x 0, Casemiro, aos 37’, concluindo na área, homem surpresa, uma boa troca de passes pela esquerda, passe de Vini Jr. Belo chute! No canto.

 Saiu Alex Sandro, entrou Alex Teles, Aos 42’, Rodrygo tentou, cobriu o travessão. Aos 47’, Gabriel Jesus puxou um bom contragolpe, Vini Jr enroscou-se com a bola, desperdiçou a chance de ampliar. Aos 48’, Rodrygo, cara a cara, perdeu outra. Ufa, deu Brasil, classificado.

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 Casemiro, Vini Jr, Rodrygo, Militão, Marquinhos... os destaques.

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Jogo doidão

Seis gols, dois de bela feitura, virada e reviravolta, correria e emoção até o apito final – assim foi Sérvia 3 x 3 Camarões, o outro jogo pelo grupo G, do Brasil, às 7 da matina. Mais um jogo surpreendente e bom ver. Uma Sérvia mais qualificada, melhor estrutura coletiva, sentindo-se superior, contra os camaroneses africanos guerreiros, velozes, sem desistir jamais.

 Camarões, mesmo acuado, numa bola parada, saiu na frente, gol do zagueirão Costelleto, aos 30 minutos. Já nos acréscimos dos 45 minutos iniciais a Sérvia virou, fez dois gols em sequência: o empate aos 46’, numa bola alçada, essa de falta, da intermediária, e a cabeçada de Pavlovic; aos 48’, Milinikovic acertou o canto, num chute rasteiro da meia lua. Virada, antes da merenda.

 No retorno dos vestuários, logo aos 7 minutos, Mitrovic ampliou – 3 x 1, completando na área uma bela trama coletiva, troca de passes dos sérvios, os camaroneses sem ver a bola. Daí ... o treinador camaronês Rigobert Song decidiu por em campo o veterano Aboubakar, 30 anos, retornando de lesões. Ele chamou a responsa e decidiu. Aos 23’, num contragolpe, encarou o goleiro e fez um golaço, de ‘colherinha’, encobrindo o alto goleiro Dmitrovic, de 1m94. Dois minutos depois, noutro contra-ataque veloz em cima da defesa lenta da Sérvia, Aboubakar deixou o avante Choupo-Moting (33 anos, atleta do Bayern Munique) de cara, para empatar.

 O árbitro deu seis minutos de acréscimos e foi emoção, lá e cá, até o apito final. Jogão.

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 Cinco gols, Gana ganhou !   

 Pelo Grupo H, às 10h, jogaram Coreia do Sul e Gana (3 x 2), Ásia x África, no Education City, duas escolas de futebol bem diferentes, mas que têm a velocidade como fundamento. Os coreanos de vermelho quente e Gana de branco. Que festa bonita fazem os ganeses quando chegam de ônibus ao estádio! Só ritmo, canto, dança, alegria.

- Gol! 1 x 0 Gana, aos 24’, bola levantada da esquerda em cobrança de falta, a zaga asiática não resolveu e o zagueiro Salisu empurrou para as redes, gol validado pelo VAR, depois de vistoriado.

- Gol! 2 x 0 Gana, aos 34’. Uma bola bem cruzada da esquerda por Williams, Kudus entrou veloz pelo meio da zaga asiática, surpreendendo na cabeçada de casquinha, ampliando.

 Gana foi melhor na primeira etapa, fez por merecer o placar. Mas ...  De volta, a Coreia em cima, insistindo, brigando, arrastando.

- Gol! Aos 12’, 2 x 1, Coreia, gol de Sho, o centroavante, escorando de cabeça, cara a cara, um cruzamento da esquerda, antecipando-se à zaga, mergulhando. tento de artilheiro. A partida pegou fogo.

- Gol 2 x 2 Coreia, aos 15’. O mesmo Cho, artilheiro, de cabeça, subiu mais alto que a zaga, voando e testando de frente outro cruzamento de fundo, pela esquerda. Empate justo, os asiáticos voltaram mais famintos, mais ligados, depois da merenda. Golaço !

 A zaga africana cochilou nos dois tentos, os ganeses voltaram frios do intervalo, foram sufocados pelo vendaval asiático. Daí, os africanos acordaram, com vuvuzelas sul-africanas barulhando nas arquibancadas ...

- Gol! 3 x 2, Gana, aos 23 minutos. Oujtra jogada de fundo, pela esquerda, cruzamento pra trás, rasteiro, finalização de Kudus, implacável.  

 Mas nada parecia definido, um ritmo acelerado em campo, ventanias. Aos 29’, quase a Coreia empatou, de falta; o goleiro ganês Zugi salvou no rodapé. Substituições, lá e cá, os asiáticos na frente, ao tudo ou nada, os africanos se resguardando, reforçando atrás, na garantia do placar. Aberto.  Bolas alçadas na área africana, sufoco... luta, resistência. Drama até o apito final, com 10 minutos além do tempo regulamentar.

Gana vive!

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À tarde, pelo mesmo grupo, Portugal x Uruguai. Tudo embolado, definição só na rodada final. Ufa.

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 Quem fica e quem sai

 Nesta terça-feira, dia 29, começa a terceira e decisiva rodada da fase classificatória, com quatro jogos. 

 - Pelo Grupo A, às 12h : Holanda x Catar ; Equador x Senegal.

                                            Holanda, Equador e Senegal disputam duas vagas.

 - Pelo Grupo B, às 16 h: País de Gales x Inglaterra; Irã x EUA.

    Jogos no grupo no mesmo horário, para evitar armações, acertos. É a rodada que define os que seguem, nas oitavas, e os que voltam pra casa mais cedo. A partir das oitavas, cada jogo é decisivo, eliminatório, o chamado ‘mata-mata’.

Amém.