ter?a-feira, 25 de fevereiro de 2020
Colunistas / A Boa Mesa
Dom Franquito

DOM FRANQUITO bate continência ao mocotó do Bar do Jonas no 2 de Julho

Quem gosta de comida baiana da 'pesada' yo recomendo o Bar do Jonas
08/07/2016 às 17:55
 O Boteco do Jonas tem uma história de 36 anos. Daí que cada cliente narra passagens pelo bar e restaurante mais famoso do Costa Azul de acordo com suas vivências. 

   'Jeffinho' - apelido do jornalista Otto Freitas - diz que quando conheceu o boteco só tinha um cantinho e seu tira-gosto preferido era a 'tripa assada'. Paulo Bina, ontro jornalista de longo curso, lembra que é servido por um mesmo garçom há anos. E cita que 'Popó', jornalista Ipojucan Cabral, bate ponto no Jonas toda semana.

   Então, uma vez que nossos (as) leitores (as) podem não conhecer o Boteco vai um pouco da sua história.

  Jonas Andrade, então caminhoneiro e saturado do volante, abriu uma pequena mercearia na rua professor Gerson Pinto, em 1980, quando o Costa Azul ainda era um bairro acanhado, quase um ponto de passagem entre a Pituba e Armação. O negócio não foi avante, pero, um amigo sugeriu que transformasse a mercearia num barzinho com tira-gostos, pois, havia carência no bairro.

   Assim nasceu o Bar do Jonas, Boteco do Jonas, e os moradores da Gerson Pinto e adjacências começaram a frequentar o local.  Típico bar de bairro, só dos moradores da área. 

   Figura educada, simpática, reservada - importante, porque dono de bar e cabeleireiro sempre falam pelos cotovelos - Jonas foi angariando novos clientes, também de outros bairros na base da propaganda boca-a-boca.

   Em 28 de setembro de 2009, quando o boteco crescia, adotara novos pratos, ganhara alguma fama e estava na boca de completar 30 anos, Jonas - exatamente no seu dia de folga, uma segunda feira - teve um mal súbito e partiu para os anéis de Saturno.

   Foi uma comoção. Tristeza generalizada entre seus familiares, parentes, amigos e clientes. 

   Mas, a vida como ela é, já dizia Nelson Rodrigues, e a filha de Jonas, Juliana, e seu irmão Zé Andrade, tocaram o negócio pra frente.

   Os clientes penhoradamente agradeceram. Hoje, tem muita gente que nem sabe que o Jonas morreu. 
Aliás, esse tipo de personagem como Jonas, sequer morre. Vive uma vida eterna na prosa do povo.

    E o que não falta é prosa, lorota, histórias, amigos, roda de cerveja, no bar do Jonas com bolinhos, caldos, pastéis, a tripinha assada que está na abertura dese texto, o caldo de sururu, o escondidinho de fumeiro, a agulhinha frita, o arrumadinho e assim por diante.

   Quem não deseja ir num lugar desses?

   Ora, só aqueles que não apreciam a comida regional, a comida para os fortes d'alma e do corpo, a boa prosa, a boa pinga.
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   Jeffinho' pediu logo uma 'seleta' gelada, estilo vodcka no congelador, de dar água na boca. E contou a história do jornalista e cronista Béu Machado, o qual chegando em casa tarde da noite, depois de assinar o ponto no Bar do Portuga, deparou-se com um ladrão em sua residência na Boca do Rio.

   Espirituoso, Bel soletoru: "Boa Noite Sêo ladrão". Depois, convidou o ladrão para merendar e ainda deu alguns dos seus pertencens despedindo-se com outro boa noite. ]

   Quando Neném, a esposa de Béu, procurou saber o que se passava, ele filosofou: "Foi um ladrão que esteve aqui e dei a ele algumas coisas, pois, precisava mais do que nós".

   Dona Neném juramentou.

    São esses e outros papos que rolam no Jonas. Hoje, a casa está ampla com puxadão de boa cobertura no fundo e vive lotada de clientes.

   E na mesa boa boca que me encontrava, com Jeffinho, Bina, José Teixeira, Lenilde Pacheco e Heliosa Gerbasi e em sendo uma sexta feira solicitamos ao nobre garçom Cláudio as leves pedidas de um mocotó, uma malassada e uma moqueca de chumbinho.

   Sêo moço! É coisa para gigantes.

   Lenilde, uma senhora de fino trato, havia solicitado um franguinho grelhado com legumes, pero, foi gongada por Cláudio.

   - Minha senhora, hoje, fico-lhe devendo o fraguinho e vou mandar fazer um filé pra senhora.

   - Onde já se viu isso - comentou Lenilde - trocaram meu frango por um filé.

   - Viste aqui, no Jonas, rebateu Heloisa, a qual dividiria comigo um mocotó.

   - Mocotó caprichado - disse eu a Cláudio.

   A seleta e a heinekeen rolavam à mancheia. No Jonas tem todo tipo de gelada. Ainda bem que não compactuou com a reserva de mercado.

   E quando os pratos chegaram a  mesa deu-se a 'Batalha de Pirajá', uma vez que estávamos próximo ao 2 de Julho.

   O corneteiro Lopes soou la trombeta e fomos aos garfos.
   
    Yo e Helô, abraçados no mocotó; Jeffinho e Bina e Teixeira bailando com uma malassada e uma moqueca de chumbinho; e Lenilde com seu filé, beliscado por nosotros.  Diga-se, nessa mistureba, todos comemeram um pouco de cada prato além de agulhinhas fritas. 

   Uma maravilha. Alguém bradou erguendo um uma faca: 'Viva a Independência da Bahia".

    Dissemos: "Viva". 

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Boteco do Jonas
Rua professor Gerson PinTo
Lote 7, quadra 41
Costa Azul
Fone 71.3272-1721
Aceita todos os cartões exceto Hpercard
Mocotó R$38,00
Filé R$33,00
Malassada R$52,00
Moqueca chumbinho R$39,00
Seleta R$7,00 dose
Café expresso R$8,00
Segunda e terça das 11h às 16h
Quarta a sexta 11h às 23h
Sábado, domingo e feriado 11h às 17h
O petisco de moqeuca de buxo que concorreu ao Comida di Boteco R$23,90
Estacionamento na rua - não tem manobrista
Local não é climatizado
Decoração típica dos botecos
Classificação 2 DONS